uma vontade constante e incessante
de viver tudo o que não vivi ainda
de ver tudo o que não vi também
de ser tudo o que se pode ser
como um estalo num momento retórico
com o tempo que não cansa de perder tempo
e eu vivendo por viver
sentindo por sentir
estática, sólida, dura, muda
num vão qualquer de qualquer coisa
na beira do abismo
que é a vida e as pessoas
na beira de mim mesma
caminhando em temporais até chegar em casa
sentindo um vazio frustrado dentro de mim
às vezes só querendo ser o que ainda não fui
sentindo esse desejo incansável de fazer algo que não sei o que é
mas que me faz querer continuar
que merda











