depois de perder o pouco dos meus e já não me restar quase nada
he wasn't even looking at me and he found me
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@westkss
depois de perder o pouco dos meus e já não me restar quase nada
eu sou a pior pessoa do mundo e a mais triste também
eu sou a pior pessoa do mundo, é por isso que eu vou me matar
você consegue imaginar essa dor?
ainda a mesma casa, o mesmo chão, o mesmo teto
e o mesmo vazio
ainda a mesma dor crescente e horizontal na essência
ainda o mesmo sofrimento só que 2190x pior [2190 são os dias que se passaram
ainda bebo na minha solidão e as vezes um ou outro cigarro me acompanha, mas nada é suficiente pra me enganar
não mais
já fui enganada demais, o tempo todo
pela vida, pelas pessoas, pelos seres inanimados e por todo o conjunto inexplicável do universo que me surge apenas de maneira imediata e mesmo assim me consome
nada nunca fez e jamais fará sentido
meu corpo todo se tornou sofrimento e eu vivo em estado vegetativo psicologicamente
não passo de um corpo putrefato no mundo
talvez eu seja uma "cabeça de anjo alada destituída de corpo" por preferir tão profundamente o não-ser
eu nunca vou ser feliz mas posso ser contemplada pelos olhos dos outros em alguma paisagem bela por aí
[mas isso só vai acontecer depois que eu me matar]
"mas você é louca, surtada, cara. você tem problema, é doente e só pensa nas paranóias que cria na própria cabeça" você gritou pra mim e uma semana depois eu descobri que estava certa em absolutamente todas as coisas que eu te questionei incontáveis vezes e implorei pra ouvir a verdade. você mentiu pra mim e acabou com a minha autoestima, com a minha sanidade mental, com o pouco que restava de humano em mim. hoje eu não tenho mais forças pra seguir, porque eu sempre me senti muito sozinha e você sabia disso. eu nunca tive segurança em casa e muito menos fora dela, tudo que eu queria era alguém em quem eu pudesse confiar e abraçar todas as vezes que a vida se torna insuportável. um amigo, um parente, um namorado, nada disso importava: eu queria um humano. alguém que dissesse "eu me importo contigo e prometo nunca te fazer mal" [pelo menos não de propósito].
você foi a melhor pessoa que eu conheci até ontem, hoje é a pior.
voltando aqui todos esses anos quando as coisas não estão bem
desespero não me é a melhor definição
mas por dentro soam gritos histéricos
e desesperados, de fato
desesperados por uma dose de vida, seja ela qual for
algo que atinja tão forte que me faça acreditar novamente que essa vida tem algum sentido
mas por fora é tudo vazio e insuficiente
não existe nada tão forte assim, nem as dores mais profundas
nada me abala nada me comove
só esse incômodo de ansiar por algo e nem saber o que é
talvez eu esteja desesperada
porque eu preciso de algo que me faça sentir novamente
eu to desesperada pra viver
terminou num instante em que nem eu esperava o fim
subitamente
rapidamente
e, como tudo que acomete, irreversivelmente
o que ficou é indescritível mas posso tentar descrever:
vazio e liberdade
"eu e minha liberdade que não sei usar"
dói.
meu próprio tumblr me deixa mal
queria conseguir terminar esse texto
quanto de mim ainda vive?
parece que tudo em minha vida tem sido oco. eu quase consigo ouvir o silêncio da minha existência.
faz mais de 05 anos que penso em me matar todos os dias
morro um pouco por dia
casas vazias de gente
vazias de alegria
chocolate água e cigarro
um luto eterno por dentro
um vazio que não se preenche
nada mais é suficiente
nada
eu e essa minha mania de pensar demais na morte. por vezes me perco em delírios, mirabolantes, talvez, sobre a minha morte ou a morte das pessoas que amo. é engraçado, visto que depois de um evento específico na minha vida, tenho tido dificuldade para imaginar as coisas - e até mesmo para escrever. não sei, contudo, descrever tal evento. nem sei se posso considerar um único momento como agente. Acredito, por outro lado, que se trata de uma série de eventos e situações. Quando se menos espera *puff*, já não se pode mais fantasiar, não se pode ser feliz. mas é interessante o fato de que, sobre a morte, especialmente, eu consiga. E eu imagino coisas absurdas, até mesmo pútridas, defasas. Imagino e sonho até mesmo em estado de vigília. Eu imagino o carro batendo e capotando, um zumbido distante e aterrorizante. Depois da terceira vez, vejo a vida se esvaindo pelo retrovisor, através dos olhos dos outros que estão na frente. Os outros têm nome, mas me apego à essência e deixo escapar esses detalhes. Os outros sou eu. Por fim, o carro atinge uma ribanceira. Vidros quebrados, sangue por todos os lados. Corpos jogados e ossos dilacerados. um galho entrou pelo parabrisa e atingiu o motorista. Eu sinto a morte dele e é dolorida. No entanto, eu, que não estou morta, me levanto e caminho para longe do corpo. não suporto o peso das coisas, o peso da culpa que nem é minha. Desabo no chão e a partir daí não consigo imaginar mais nada. Já não consigo mais pensar. Acabou o circo de horrores.