"Com a derrota da Alemanha na guerra, desaparecem os regimes de cunho nazi-fascista; em contrapartida, o regime comunista consolida-se na URSS e no leste europeu e expande-se pela África e Ásia. Entretanto, a ideia socialista-comunista começa, gradativamente, a perder seu encanto graças à evidente falta de liberdade e de resultados concretos. O economista e historiador norte-americano Irving Kristil observou, com razão, que o fato político mais importante do século XX é o fracasso do socialismo como forma de organização social.
Mas, curiosamente, a condenação aos regimes comunistas ou socialistas concentra-se no fato de neles não existir a liberdade política; se fosse possível, presume-se, 'democratizar' o socialismo, poderíamos enfim reunir as vantagens da democracia, desejada por todos, com as benesses do socialismo, imaginadas por muitos. Surge assim a social-democracia, ou seja, o corpo de ideias que combina a liberdade no plano político com o intervencionismo estatal no plano econômico.
No Terceiro Mundo e sobretudo na América Latina, a social-democracia é adotada por quase todos os partidos políticos. Sendo liberal, democrata, em política e socialista, intervencionista, em economia, promete mais do que pode dar (comportamento típico do populismo). De frustração em frustração, vacilante e inoperante diante da realidade que não consegue entender, procura enfrentar os problemas apenas pela via retórica e acaba gerando o desejo de intervenção, a fim de 'por a casa em ordem' (regimes militares). Essa alternância de militares e populistas, ambos intervencionista, tem sido a saga da América Latina e a grande causa de sua má performance econômica."
(STEWART JR, Donald. O que é o liberalismo. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1988. cap. 1, p. 26-27.)


















