Freddie C. Odair, distrito 4/Desafio 1/Alistamento
E então Katniss Everdeen bate em minha porta. Primeiramente, eu me assusto com o pássaro que bate em minha janela, e depois caminho até a porta de madeira velha.
- Você não pode fazer isso – Katniss olha diretamente em meus olhos.
- Porque não?
- Sua mãe precisa de você. Até hoje ela não se tocou que seu pai está morto, Freddie – Ela retruca – E se você morrer...
- Eu preciso mostrar para eles que meu pai não foi apenas um vitorioso que morreu na guerra, Everdeen. Eu quero mostrar que meu pai salvou a vida do tordo. Do incrível tordo – Respondo, soluçando.
Então ouço os passos de minha mãe vindo da cozinha.
- Katniss! – Diz ela, surpresa.
- Olá, minha querida – E as duas se abraçam.
Elas vão conversando para dentro. Katniss costuma vir aqui em casa diariamente, e eu realmente não suporto isso. Ela causou a morte de meu pai, e ela tem que vir com aquele sorriso falso que me da vontade de jogar todo o café da manhã fora. Levanto-me e vou até o banheiro, passando pela minha mãe enquanto ela mostrava umas fotos a Katniss. A pia estava rachada pela parte de baixo e a porte tinha um corte profundo. Minha mãe diz que foi quando meu pai treinava com o tridente dentro de casa, causando um estrago em várias coisas. Observo que Noni estava deitado atrás da porta, porque quando empurrei a mesma para trás ouvi um grunhido. Ganhei Noni de Peeta, um dos filhotes do Buttercup. Ele deve ter uns 3 anos. Lembro quando ele veio para cá pela primeira vez, se agarrou na trança de Katniss e não queria se soltar para vir ao seu novo lar.
Abro a torneira enquanto Noni passa por debaixo dos meus pés, soltando seus pelos. Boto a mão sobre a água gelada que vem dos mares do 4, enchendo a mão e esfregando no rosto. É a hora, penso. Pego a toalha e seco meus rostos, e jogo ela encima da pia. Saio do banheiro, e vou até a cozinha, onde as duas estão sentadas, tomando um café quente que consigo ver o vapor daqui.
- Mãe, irei sair – Aviso.
- Aonde? – Ela pergunta.
- Irei me encontrar com Miles – Minto.
- Está bem – Ela dá um gole em seu café – Não volte tarde.
Katniss me fuzila um olhar. Ela sabe que agora irei me alistar nos jogos, e isso a deixa muito brava. Não tiro a razão dela, eu sei que se eu morrer será horrível para minha mãe. Calço as botas que estavam perto da porta e pego uma pequena corda que estava fazendo nós há alguns minutos atrás. Saio pela porta que range e então meu gato corre atrás de mim. O pego no colo e vou até o Edifício da Justiça. A fila estava até o fim do quarteirão como já era de se imaginar. Os jovens, ou não tão jovens assim, estão em grupos e falam mais altos que meus ouvidos podem ouvir. Risos e berros e pessoas correndo e mães chorando e mais berros e pessoas me empurram para andar e ai meu deus eu vou pirar. Paro no fim da fila e umas 3 pessoas já estão atrás de mim, um pouco mais altas que eu. Uma com o casaco laranja até os pés agarra meu braço. Viro-me, e ela está com um sorriso maior que o rosto.
- Você é o filho do Finnick Odair?
- É, sou eu – Respondo.
- Eu gostava muito de seu pai. Imagina se a gente for para os Jogos Vorazes juntos? Seriamos os novos amantes – Ela fala.
Rio. Isso vem acontecendo as vezes, mas isso foi a coisa mais louca que poderia ter acontecido. E Noni rosna.
-
1 hora depois
E agora era a minha vez. A última pessoa estava saindo, entregando a ficha a alguns pacificadores que estavam a atrás de uma parede de vidro. Quando chego perto do mesmo, o pacificador do meio me pergunta:
- Freddie Cubes Odair – Ele sita meu nome – Não é mesmo?
- É, senhor.
Ele me entrega uma ficha e sento em uma das cadeiras que estavam rasgadas ao meu lado. Boto Noni sobre minhas pernas enquanto ele se aconchega. As letras eram tão miúdas e que era quase impossível de ler, mas dava pra entender. Pego uma caneta que estava pendurada ao canto da parede e vou escrevendo.
“SEU NOME COMPLETO? FREDDIE CUBES ODAIR.
ENDEREÇO? RUA MOVELLIX, NÚMERO 218.
IDADE? 19 ANOS.
MOTIVO PARA SE ALISTAR AOS JOGOS VORAZES? EU REALMENTE NÃO PRECISARIA DE MOTIVO POR SER FILHO DE DOIS CAMPEÕES DOS JOGOS, ANNIE CRESTA E FINNICK ODAIR. E BOM, EU QUERIA DIVERTIR A CAPITAL QUE ANDA UM POUCO PARADA, NÃO ACHAM? EU QUERO MOSTRAR O QUE VOCÊS CLAMAM POR DÉCADAS. SANGUE”
Minto sobre a última parte. Bom, eu realmente queria mais sangue para que eu tenha o que beber sempre que minha sede por sangue aumente, mas eu realmente queria é honrar meu pai, e agora é só esperar meu nome ser convocado para participar da 76° edição dos Jogos Vorazes. Ou não.
-
Era exata 19h30min eu estava em casa. Quando cheguei, Everdeen já tinha ido embora, e minha mãe estava tomando um café encima do sofá. Quando ela me vê, dá um sorriso, e eu o retribuo. Caminho até o meu quarto e pego uma toalha que estava encima da cama, e vou até o banheiro. Retiro minhas pessoas suadas e entro para o banho. A água dessa vez estava quente, porém boa. Enquanto a água percorria meu corpo que agora estava fervendo, ouço um anúncio da TV.
“E é hoje que iremos saber quem ira ser escolhido para ir há Septuagésima sexta edição dos Jogos Vorazes”.
Reconheço essa voz. Gravil Flickerman, o filho do famoso Caesar Flickerman. Ele tem o substituído seu pai desde que ele morreu. Eu realmente não sei direito como ele morreu, porque as pessoas não costumam falar disso. Mas eu não ligo. Termino de tomar o banho e enrolo a toalha em minha cintura e caminho até meu quarto. Pego uma velha bermuda que era do meu pai e vou sem camisa para a sala.
- Boa noite, mãe – Digo.
- Oi – Ela responde – Você sabia que vai ter outra edição dos Jogos?
- Não – Minto.
Minha mãe não sabe de quase nada além do que eu e Katniss contamos a ela. Ela sai raramente de casa depois que meu pai morreu, vive em algum canto com seu café na mão e olhando os comerciais que passam da Capitol. Então a imagem da TV fica preta e aparece o símbolo da Capitol, com as letras escritas bem visíveis, diferente da ficha que preenchi, embaixo: May The Odds Be Ever in Your Favor. Então Gravil aparece, e minha mãe olha para mim. Pego em sua mão e então a abraço, dando um beijo em sua bochecha. Ele está vestido com um terno rosa totalmente brilhante, que por sorte não me cega. Sua maquiagem está tão exuberante e seu chapéu pareceu maior que o seu rosto, com um rosa parecido com a de seu terno.
- E agora, estamos abrindo a mais uma edição dos Jogos Vorazes – Ele da um berro um pouco mais alto e mais fino que seu pai dava – Nessa edição, as coisas serão diferentes. Não sortearemos ninguém, apenas escolheremos, porque são as pessoas que se alistam para participar. Iremos ter 20 tributos, e em cada distrito podemos pegar no máximo 5 pessoas, e a maior novidade: As pessoas da Capitol também podem se alistar. Bom, sem baboseiras, iremos começar agora. Primeiro pelos habitantes da nossa grande Capitol.
Então uma mulher vai até ele e entrega um papel. Ele o abre.
- E pela escolha dos idealizadores, temos 5 participantes. 1 menino e 4 meninas – E uma música tosca parecida com “Tan taram tan” começa a tocar – E eles são: Luke Snow, Charlotte Farewell, Frieda Hope Snow, que por incrível que pareça é uma descendente de Snow, Feelcy Klist, Tally Fairchild e Carter Fairchild. Algo me diz que Carter e Tally são irmãs, não?
Ele ri. Depois, foi passando de cada distrito até chegar ao 4.
- Já escolhemos da Capitol, do distrito 1, 2 e 3, e agora chegou a hora do 4 – E ele dá mais um daqueles berros insuportáveis e outra moça com um vestido com a estampa de mar entrega outro envelope para ele – E dessa vez só temos duas pessoas, um homem e uma mulher. Greyjoy O’Connor e Finnick Cubes Odair, filho dos dois vitoriosos, Annie Cresta e Finnick Odair.
O povo aplaude depois de ouvir meu nome e minha mãe está chorando e apertando minha mão mais forte e eu a abraço e agora nós dois estamos chorando e Noni corre para cima de mim e Peeta Mellark e Katniss Everdeen correm entrando pela casa. Os dois sentam do lado de minha mãe e então a abraçam e eu limpo suas lágrimas.
- Me desculpe – falo, soluçando.
- Você não poderia ter feito isso – Ela chora – Você está me abandonando.
E então a última coisa que me lembro foi de ver minha mãe cair sobre mim e eu desligar com uma seringa no peito.
-
Acordo com Peeta me sacudindo.
- Vá, acorde – Ele me sacudia mais – Os pacificadores vão chegar.
- O que aconteceu? – Pergunto.
- Me desculpe, mas tive que dar uma injeção para vocês dormirem e se acalmar.
- Como está minha mãe?
- Katniss está dando banho nela – Ele responde – Ela não está bem, Fred. Você não deveria ter feito isso.
Então eu lembro. Eu fui escolhido para os jogos. Minha mãe chorou feito uma condenada. Nos drogou para que podemos nos acalmar. Não irei brigar com eles, afinal, isso me ajudou muito. Tento me levantar, mas não consigo então Peeta me ajuda.
- Porque estou assim? E que horas são? – Pergunto.
- Você só precisar se alimentar – Ele me ajuda caminhar até a cozinha – E são quatro horas da manhã.
Uau. Sento-me na cadeira e Peeta bota uns pães com café na mesa.
- Você que fez? – Pergunto, dando a primeira mordida.
- Sim.
- Está muito bom – Delicio o pão.
- Obrigado.
Eu gosto de Peeta, ele é um cara legal e gentil. Meu pai salvou a vida dele na edição passada dos jogos. Minha mãe me contou que ele bateu no campo de força e morreu, mas com sorte meu pai o reviveu. Nunca tive trabalho de perguntar como, mas sempre tive vontade de perguntar.
- Como meu pai te salvou? – Pergunto, olhando para Peeta.
- Eu estava andando na frente, despercebido, quando Katniss berrou alguma coisa para mim, mas já era tarde de mais, eu bati no campo de força e fui lançado para trás. Daí seu pai fez respiração boca-a-boca em mim, e é só disso que me lembro.
- Ah, sim.
Katniss vem até a cozinha com uma cara de preocupada.
- Ela não está bem. Depois do banho, pediu para deitar e agora está dormindo. Você vai ter que se despedir dela dormindo. – Ela me fuzila um olhar.
- Eu preciso que vocês cuidem dela para mim – Sussurro.
- Iremos cuidar – Katniss fala – Iremos trazer Jay e Melody para cá e iremos ficar aqui até você voltar.
- Se eu voltar.
Então tudo fica em silêncio, que consigo escutar o barulho do mar de longe. Depois de tomar o café, me levanto e vou até meu quarto. Abro o antigo guarda-roupa e pego a roupa que já tinha deixado preparado para se eu fosse para a arena e visto, quando batem na porta e ouço Katniss berrar de lá:
- Os pacificadores vieram te buscar.
Vou até a cozinha.
- Já vou.
E corro para o quarto de minha mãe. Ela está dormindo de lado, e a coberta está até ao seus seios. Dou um beijo em sua testa e saio, quando avisto uma pessoa com uma roupa tão extravagante que me da vontade de rir, que está praticamente pulando quando viu os amantes desafortunados. Dou um abraço em Peeta e Katniss.
- Vocês prometem que irão cuidar dela?
- Prometo – Os dois falaram juntos.
Solto um sorriso. Pela primeira vez eu estava gostando de Katniss Everdeen. Saio pela porta e então Peeta a fecha. E essa foi a pior despedida de todas. Uma mulher um pouco mais baixa que eu começa a falar.
- Vamos, vamos. Não podemos perder tempo, é apenas 4 horas daqui a Capitol – Ela falou, mexendo em seu cabelo vermelho que chegava ao joelho – E antes que eu me esqueça, Grey, esse é Freddie, Fred, essa é Greyjoy. Vocês serão parceiros de distrito nessa edição.
- Olá – Digo estendendo a mão – Tudo bem?
Ela me ignora, e depois sai andando. Um homem que aparentava ter uns 23 anos passa seu braço pelo meu ombro.
- E aí, cara. Serei seu mentor e mentor da menininha brava – Ele ri.
- É... Legal – Solto um sorriso leve.
Vamos andando enquanto temos vários pacificadores em nossa volta, e todo mundo olhando. Freddie, sou eu. Escuto algo de longe. Um cara loiro, com o corpo sarado vem em minha direção. O estranho é que ele passa pelos pacificadores e ninguém nota ele. Ele continua berrando meu nome, e agora está 6 metros de distância a mim. Sua expressão é confundível, não dá para saber se ele está rindo ou chorando, quando ele me abraça. Meu filho. Ele fala em meu ouvido, e ninguém continua a notar ele. Paro.
- Se-se-seu filho? – Gaguejo – Cara, eu estou indo para os Jogos Vorazes, sem brincadeiras.
Então ele para de me abraçar, e finalmente vejo seu rosto. Pelo primeiro momento, eu empalideço. E então eu o reconheço. Uma vez, minha mãe tinha me mostrado um retrato de meu pai, eu seu casamento. Minha mãe disse que eles se casaram no distrito 13, antes da revolução começar (ou não). E então Maxxie, meu mentor, me puxa.
- Qual é? – Ele diz, rindo – Não está tão frio para você congelar.
Meu pai está vivo? Não, não estou. Irei te explicar depois. Eu te amo. Okay, tudo coisa da minha cabeça. Quando fomos para trás do Edifício da Justiça, tem um trem esperando por nós. Primeiro Grey, ou Joy, entra, e depois minha estilista entra. Entro no trem junto com Damien quando a porta se fecha, e o trem começa a andar.
- Vocês querem ouvir dicas, descansar?
- Descansar – Respondo.
- Dicas – Grey fala depois de mim.
Vou para um quarto, quando vejo meu pai sentado na cama.
Meu filho...
- É, olá pai – Choro.
Não chore. Bom, deixe eu te explicar. Sou eu, seu pai, Finnick Odair. Sim, estou morto. Só você pode me ouvir e ver. Super estranho, porque nem eu sei como posso fazer isso. Bom, eu irei te ajudar nos Jogos Vorazes, se precisar de alguma coisa.
- Incrível – Continuo chorando.
Ele se levanta e vem até a mim. Ele me abraça e depois limpa minhas lágrimas.
Se você continuar chorando, eu vou chorar junto.
Suspiro.
- Vou tomar um banho.
Tudo bem. Vou até o banheiro e tiro minhas roupas, e entro na banheira. Tinha uns botões na parte superior na esquerda da banheira, então aperto em Ligar, Espuma e Flores. Então vem uma mistura de espuma, água e pétalas de rosa sobre meu corpo nu. Boto a água para quente, e então vou para debaixo da água. A espuma sobe sobre meu cabelo, e então volto para cima. Banheira em trem, wow. Ensaboo-me quando Damien bate na porta. Enrolo-me na toalha e abro, quando ele me joga na cama. Ele sobe por cima de mim e ele tenta me beijar, mas desvio. Ele segura meu rosto.
- Ei, se acalme – Ele ri.
Ele tenta me beijar de novo, porém mordo sua língua, e ele sai gritando de cima de mim.
- Você não deveria ter feito isso – Ele retruca, berrando – Não deveria.
Meu pai já foi embora. E mais essa agora. Meu mentor tentou me agarrar.
- Filho de uma puta – Xingo.
Coloco uma roupa e saio. Vou até o outro vagão onde minha estilista e Grey estão comendo. Quando entro, observo que Damien também está ali, com a boca sangrando. Dou um sorriso direcionado a ele. Sento em uma cadeira a frente a Greyjoy, e a mesa está gigante com coisas que parecem deliciosas. Pego uma fatia de bolo, em forma de peixe, e coloco em meu prato, e então, começo a comer. Damien se levanta e sai indo para outro vagão, e dou uma gargalhada alta.
- O que houve? – Grey pergunta.
- Nada – Respondo.
E então vou para meu quarto.
-
Acordo com minha estilista, Marie, me chamando.
- Rápido, rápido – Ela diz, dando pulinhos de leve – Chegamos a Capitol.
Levanto correndo e vou até a janela. A galera vibrava e gritava e assoviava e pulava e se estapeavam e eles estão loucos? Espere, Capitolianos não estão loucos, eles são loucos.



















