Fabrício and Camila: I swear to be for you, home and cocoon
I love their relationship and the support Fabrício gave Camila during her transition. They built a beautiful friendship through all their differences and bickering and I’ll miss them so much. Here’s a tribute to their relationship even though probably only 6 people watched this show here on tumblr. STREAM BACK TO 15 ON NETFLIX (third and final season just came out).
Audio: mcutsbr (tiktok)
Scenepacks: ANGSTRlNA, tuitaisaque, aftesrglow (twitter) and @matinn.ae (insta/tiktok).
Me encanta pensar en el hecho de que la linea temporal en la que Fabricio y Anita estan comprometidos es una de las mejores lineas temporales. Y Anita tuvo que pasar 2 temporadas para darse cuenta. Eso es lo que llamo PROGRESO DE PAREJA.
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I love thinking about the fact that the timeline in which Fabricio and Anita are engaged is one of the best timelines. And Anita had to spend 2 seasons to realize it. That's what I call COUPLE PROGRESS.
O quintal da República Tcheca era um ótimo lugar para festas, sempre tão cheio de pessoas que mal conseguimos nos movimentar. Eles tinham uma daquelas caixas de som que conecta na tomada e a vizinhança inteira consegue ouvir a música – dou graças a deus por não morar nesse bairro. Eles geralmente disponibilizam cerveja de graça ou através de uma caixinha de doação no meio da festa, quando todo mundo já está um pouco bêbado e propenso a contribuir (para ficar mais bêbado ainda). Extremamente convidativo.
O mesmo não pode ser dito sobre o interior da casa, principalmente nos dias de semana. Ao passar pela sala, você encontra todo tipo de bagunça – computador em cima da mesa com balde de pipoca comida em cima, uns cabos passando pelo meio da sala que vão de não sei onde a lugar nenhum, shorts jogado em cima do sofá, travesseiro no chão, abadá do lado da televisão, caixas de mudança mesmo todos eles estando na casa a meses, cone de trânsito que roubaram?, cerveja vazia no chão, vassoura encostada na porta (que eu duvido que esteja sendo usada) – e isso é apenas um prelúdio do que poderia ser encontrado no resto da casa.
Não ousava me aventurar pela cozinha, apenas ia direto para o quarto de Fabrício – que, por incrível que pareça, era sempre o cômodo mais organizado da casa. Quando comecei a frequentar a casa, o lugar se parecia mais com um lixão e eu me perguntei como as outras meninas aceitavam transar com ele naquele estado. Talvez ele tivesse muita lábia, não sei. Com o tempo, passou a organizar o quarto de forma mais minuciosa, até mesmo dobrando as roupas e as colocando dentro do armário, ao invés de fazer montanhas de roupas em cima da cadeira. Uma grande mudança.
Às vezes, quando eu chegava, ainda conseguia sentir o cheiro de produto de limpeza, indicando que ele havia limpado o quarto pouco antes de eu chegar. Fabrício estava deitado na cama, com as mãos atrás da cabeça, me esperando.
– Você sabe que qualquer um consegue entrar na casa, né? Vocês nem trancam a porta – eu disse, jogando minha bolsa em algum canto.
– Se todas forem bonitas como você, vou ficar feliz.
– Idiota – revirei os olhos e ele sorriu, se levantando da cama.
A casa estava vazia, com todos os seus outros integrantes na faculdade ou em algum lugar que eu não me importava muito, porém, como dito, eles poderiam entrar na casa a qualquer hora e nos encontrar. Fechei a porta atrás de mim, nos dando mais privacidade.
Fabrício se aproximou e, ainda um pouco longe, fisguei o cós da sua calça com dois dedos e o puxei em minha direção. O movimento foi inesperado e seu corpo se chocou rapidamente contra o meu, fazendo com que ele passasse a língua pelo lábio e abrisse um sorriso.
– Você comprimenta todo mundo assim? – perguntou.
– Só os melhores.
Antes que eu sorrisse com minha própria resposta, ele me beijou vigorosamente. Uma mão pela nuca, enganchando os dedos por meio das mechas de cabelo, e a outra na base do pescoço, apertando à medida que subia. Senti uma leve pressão em minha cabeça por causa da asfixia e ele puxou meu cabelo para trás, fazendo-me uma boneca em suas mãos. Arqueou a sobrancelha, mostrando que tinha o controle, e me soltou.
– Talvez a gente pudesse fazer algo diferente hoje – se sentou na beirada da cama, com as pernas abertas.
– Gostei da ideia.
Forcei os olhos, como se tentasse ler sua mente. No que estava pensando? Um fetiche novo? Posição nova? Um brinquedo? Tinham algumas coisas que eu também queria tentar e quem melhor do que ele? Estávamos experimentando coisas juntos a meses, confiávamos um no outro. Coloquei minha mão em seus joelhos e fui descendo pela inclinação das suas coxas. Fabrício me encarou sério.
– Algo que não seja sexo – completou e tirou minha mão de perto de sua intimidade.
O que? Meu semblante era de absoluta e total confusão. O acordo era sexo, apenas isso. Transavamos quando estávamos com tesão e depois voltávamos a nossa vida comum, com nossos amigos, faculdade e problemas pessoais; não falávamos sobre outra coisa e, sempre que nos encontrávamos, tínhamos um objetivo em mente.
– É que toda vez que a gente tá junto, a gente só transa. Achei que pudéssemos ver um filme ou... sei lá – coçou a nuca, como se tivesse perdido a coragem do que estivesse propondo.
Revirei os olhos.
– A gente só tá transando, não precisa fazer coisas pessoais.
Falei porque sabia que, se fizéssemos alguma coisa que me faça enxergar qualquer afeto na relação, irei me apegar. Não posso. Fabrício é um tipo específico de homem galinha que dá em cima de qualquer mulher que apareça em sua frente, sendo capaz de extraviar livros do xerox apenas para conseguir uma transa – aliás, foi assim que começamos a flertar. Gostar dele apenas faria com que eu sofresse, fosse agora ou no futuro, e eu mereço muito mais do que ficar correndo de qualquer garoto que queira pegar todas as minhas amigas.
Nos encaramos por alguns segundos, ambos com semblante austero. Peguei minha bolsa do chão e sai do quarto, caminhando com a cabeça erguida até fora da casa. Ele estava sozinho e havia me escolhido como step, coisa que não sou. Gosto de transar e isso era benefício mútuo, qualquer outro entendimento me causaria sofrimento.
Na mesma tarde, Fabrício se encontrou com Anita. Mandou um SMS pedindo para que ela fosse à República Tcheca quando terminasse seu trabalho de artes na faculdade. Ela poderia ajudar, não? Eram melhores amigos, sabiam tudo um sobre o outro e, atualmente, ela estava em um relacionamento sério. Era a pessoa ideal para solucionar aquele problema. Claro, também havia pedido sua ajuda para ficar com Luiza no ensino médio e tudo havia sido um desastre... mas era um novo homem. Estava maduro, e dessa vez tudo daria certo. Não era certo que ficasse com Luiza, iriam morrer infelizes.
Anita disse que em meia hora tudo estaria pronto, mas apareceu depois de duas horas. Acabou usando a cola errada para fixar o projeto e, se não conseguisse ajustar a moldura, jamais daria tempo de secar e fotografá-la no dia seguinte. Poderia parecer que não, mas arte era um trabalho árduo.
Nessa hora, já haviam outros transeuntes dentro da casa, mas todos conhecidos dela. Comprimentou as pessoas conversando na sala com um aceno de mão de "oi" geral, seguindo para o quarto de Fabrício. Eles se cumprimentaram com um abraço e ela se sentou na ponta da cama, pegando o travesseiro fino do amigo e colocando em seu colo, para apoiar os cotovelos. Passou o olhar pelo quarto e voltou a encarar o amigo.
– Que quarto arrumado – ela comentou, num tom que não se conseguiria afirmar como crítica ou surpresa.
– Arrumei hoje cedo – admitiu, para qual ela cerrou as sobrancelhas. – Por que tá me olhando assim?
– Tá esperando alguém especial? – sorriu sugestivamente.
Fabrício desviou o olhar. Estava. Não, tinha estado. Ela havia aparecido, trocado algumas frases e ido embora, sem que eles assistissem a um filme ou qualquer outra dessas coisas que você faz com a menina que está interessado. Por que? Tinham tantas meninas que gostariam de ir a um encontro com ele. Por que parecia que ela o evitava? Que ele mudava todo o seu mundo para mostrar que podia ser a pessoa ideal mas, mesmo assim, ela não se aproximava.
– Eu tô tentando – coçou a nuca e se sentou do lado da amiga –, mas acho que ela não quer nada sério comigo.
– É por que você é mulherengo – Fabrício tombou a cabeça. – O que tem? É verdade.
Era mesmo verdade. No terceiro ano da faculdade, Fabrício já tinha perdido a conta de quantas mulheres já havia dado em cima – e, pela liberdade da sexualidade feminina efervescente no período universitário, muitas delas haviam entrado em seu jogo pela pela própria libido. Era apenas sexo, sempre.
– As garotas flertam com o cara mulherengo, ele tem a lábia, fazem do jeito certo, mas elas não apresentam ele pra família, sabe? Elas querem o garoto bonzinho – isso o fez lembrar de Luiza e Douglas.
– Eu posso ser bonzinho – refletiu sobre suas palavras. – Ok. Talvez não "bonzinho" – fez aspas com a mão –, mas eu posso ser o cara certo.
Ele poderia, por ela. Arranjaria um jeito de falar que também merecia ser levado a sério em seus sentimentos; não queria apenas sexo, queria mais... queria tudo. Anita balançou a cabeça em afirmativo, tentando dar força para o amigo, mesmo que não soubesse se ele queria realmente aquele desdobramento. Poderia se machucar com o que descobrisse.
Dois dias depois, a República Tcheca estava fazendo uma festa em sua residência. Era quinta-feira, considerado o dia mundial de festas universitárias para todos os estudantes da UFCAF. Dessa vez, sem brigas, a festa estava em solo masculino, mas com todas as integrantes da República das Imperatrizes presentes. A música era alta e convidativa, chamando a atenção de qualquer estudante que passasse pela rua e procurasse por festa.
Os jovens dos mais diferentes cursos pegavam suas cervejas no tanque lotado de gelo e conversavam encostados nas paredes. Entre eles, Fabrício. Consegui avistá-lo de longe. Ele parecia ter esse brilho natural em que tudo convertia para si, o ar mudava em sua direção e a luz pegava apenas nele, deixando todos os outros mal iluminados. Pensei em me aproximar mas quando vi se inclinar para frente, percebi que estava conversando com uma garota.
Já havia visto-a antes. Fazia biologia? Química? Alguma coisa naqueles prédios mais afastados. Ela era bonita. Era uma de suas ficantes ou estava dando em cima dela exclusivamente nessa festa? Fabrício podia dar em cima dela, claro, não havia nada de errado nisso. Não tínhamos nada casual e muito menos sério, nem deveria ligar para quem ele dá em cima. Ciúmes? Jamais.
Quando me dei conta, já estava na frente dos dois. Fabrício arqueou a sobrancelha, esperando que eu dissesse o que estava fazendo ali.
– Tão te chamando por causa da maçaneta do banheiro.
A maçaneta era um dos problemas na casa; apenas os moradores sabiam exatamente o jeito de abri-las, o macete que permitia que a porta não precisasse ser arrombada. Assim, ele poderia ter dito para eu chamar qualquer outro garoto para lidar com isso, enquanto ele continuava flertando, ou para que a pessoa se virasse e mijasse na grama, algo assim. Ele não o fez. Foi em direção ao interior da casa e eu o segui.
Quando chegamos à porta do banheiro, ele abriu a porta com uma puxada para o lado e um empurrão. Não havia ninguém esperando para entrar e, menos ainda, para sair.
– Cadê... – antes que conseguisse terminar sua pergunta, eu o empurrei para dentro do banheiro e fechei a porta.
Ele bateu com as costas no azulejo e eu uni meu corpo ao seu, prendendo contra a parede. Não havia escapatória. Meus lábios se guiaram aos deles e, por um segundo, ele correspondeu, espremendo os lábios nos meus. Depois, sem aviso, puxou sua cabeça para trás e me empurrou levemente para trás.
– O que a gente tá fazendo? – cerrou as sobrancelhas
– Se beijando – dei de ombros. O que mais poderíamos estar fazendo? Do que ele estava falando?
– Não – balançou a cabeça e soltou um suspiro. – O que a gente tá fazendo, nós dois.
– A gente tá se pegando. Benefício mútuo.
– Não é benefício pra mim a gente transar e você ir embora depois – mordeu o lábio inferior, numa expressão de esmorecimento. Queria esconder seus sentimentos, mas todos estavam sendo exibidos bem a minha frente.
– O que?
– Eu to cansado de ser o seu passatempo. Você brinca comigo e quando cansa, me descarta. Eu quero mais que isso. Eu quero a porra de um relacionamento de verdade! Eu quero você.
– Você tá falando sério? – foi minha vez de cerrar o cenho.
Era de Fabrício que estávamos falando. Mulherengo, conhecido por ficar dando "xerox" na conta da casa para toda menina que quisesse pegar. Poderia ser apenas mais um de seus papinhos.
– Ta parecendo que eu to brincando? – arqueou a sobrancelha, como se tudo aquilo fosse óbvio – Eu não fico com mais ninguém desde que a gente ficou pela primeira vez. Eu procuro seu rosto sempre que chego nos lugares, eu vou nas festas que eu sei que você vai estar, eu limpo meu quarto pra você não achar que eu sou desleixado, eu faço lista de filmes que quero assistir de conchinha com você e sempre que eu vejo algo que me lembra você, fico querendo mandar mensagem... – suspirou. – Você sabe o quanto eu queria ficar a festa inteira abraçado em você? Segurar a sua mão quando a gente anda pela faculdade? Te beijar quando a gente se despede pra ir pra aula?
– Você não quer que só sejamos exclusivos, você quer que a gente seja público também – falei em voz alta, sem conseguir encará-lo, mais na tentativa de externalizar para entender o que estava acontecendo do que buscar uma resposta.
– Eu quero um relacionamento de verdade.
Meus olhos encontraram os seus.
– E como eu vou saber que isso não é só papinho?
Fabricio engoliu em seco e desviou o rosto. Percebi como seu olhar ficou triste, em desamparo, e sua mandíbula tencionou. Molhos os lábios com a língua e saiu do meu toque, dando um espaço entre nós.
– Você não me conhece mesmo.
Abriu a porta do banheiro e saiu do cômodo. "ESPERA!" saiu da minha boca, mas se misturou com o barulho da festa e não soube se ele ouviu. O que ele estava fazendo? Estávamos conversando. Como eu podia imaginar que ele estava falando sério? Que não era mais um joguinho desses que os cafajestes universitários fazem? Segui atrás dele e segurei seu braço, fazendo-o virar em minha direção.
– Eu já passei por desilusões amorosas demais, eu só tentei me proteger. Não achei que você queria algo sério e tentei não me envolver – admiti, em um volume acima do que gostaria, mas necessário devido a música.
– Eu quero tudo que eu puder viver com você – disse.
Não sabia o que falar, apenas afirmei com a cabeça. Ele sorriu. Me puxou para um abraço sincero, sem segundas intenções. Era bom.