One shot, you only have last chance, u know? // POV // Plot 2
Encarando-se no espelho do dormitório de um dos participantes, uma última vez, Guk tentou não deixar que seu nervosismo falasse mais alto do que todo o brilho daquela produção que havia em si agora. As vestes em tons de vermelho e preto, consistiam em uma jaqueta com algumas fivelas com falsa abotoadura, uma camiseta preta justa por baixo, uma calça de... Um material do qual Zelo havia comentado consigo sobre o nome, mas que ele, mesmo com todo o esforço do mundo, não se lembrava qual era, coturnos e, bom, agora que Himcham havia lhe estendido o que o líder daquele grupo, sentiu estar esquecendo, logo complementou sua produção: brincos. Estes que tinham formas de lanças curvadas e que apesar de parecerem chamativos demais, eram uma das partes mais discretas de toda aquela vestimenta.
Entrariam dali dez minutos. Tudo já estava arrumado, combinado, orquestrado. Haviam pessoas importantes para ele, na plateia e ali consigo, naquele instante. Ren estava junto de sua turma, para Deus sabia o quê, mas cuja coisa não se prendia tanto aos pensamentos de Kook. Estava ciente de que não podia se distrair, que não podia vacilar, que não podia deixar o orgulho que ostentara desde o instante em que soubera que fariam aquela bendita apresentação para toda a SIA, tornar-se despedaçado por um simples erro seu ou de sua equipe.
Um dos seis meninos cotados para aquela em especial, parecia afobado atrás de... Bom, Bang não ouvira direito. Apenas deu as costas, pigarreando, tentando não deixar que seus sentimentos confusos chegassem aos outros. Como líder de toda aquela obra, era sua função cuidar e zelar dos mais novos, dos que acreditavam que ele poderia tocar aquela pequena trupe, da forma correta e não menos que perfeita.
Respirando fundo, Guk começou a cantarolar suas partes na música que ele mesmo compunha e ensaiara com os outros rapazes. Haviam duas fases na melodia: uma em que ele fazia seus típicos raps e então, entoava o refrão. Tratava-se de algo simples de entender, mas que possuía uma profundidade extrema para pessoas tão sensíveis quanto o próprio autor daquela canção: um tiro, uma chance. Sem cabimento para erros, sem perdão para imperfeições e sem pensamentos sequer no fracasso, por mais iminente que o mesmo fosse. Ele, eles tinham uma única chance de fazer direito no agora, para que não precisassem provar muita coisa mais no depois.
Sentindo uma mão tocar-lhe o ombro, o mais velho dentre os seis, virou-se nos calcanhares, rapidamente.
-- Tem uma pessoa lá fora, querendo te ver. -- Disse. Era JongUp, que parecia ser o mais calmo entre todos ali. Até mesmo sua voz estava munida de uma tranquilidade quase que palpável. Comentara algo sobre ele ficar um pouco mais relaxado, porque todos os outros precisariam dele, Kook, bem e disposto. E enquanto Guk apenas assentia, com um sorrisinho de canto de olho, passando pela penteadeira onde Daehyun parecia dar os últimos retoques em sua aclamadora produção, estendeu o braço para um cigarro solto, tomando-o entre os dedos, aproveitando para pegar também seu isqueiro.
Tentaria fumar antes de pisar naquele bendito palco.
Entretanto, seus planos foram por água abaixo quando viu aquela face inconfundível, assim que afastou a porta do quarto. Seu sorriso tornou-se um pouco maior, enquanto sentia seu coração acelerando-se de forma selvagem dentro de seu peito.
Ele estava lá. Radiante, fabuloso como sempre. Seu melhor amigo, fiel escudeiro, confidente, namorado. Não disse o que faria, não parecia nem mesmo vestido para uma coisa que fosse fácil de discernir, apesar de Kook ter ciência do curso do rapaz. Ren apenas retribuiu-lhe o sorriso, aproximou-se em mais alguns passos e envolveu a cintura do maior, tomando cuidado para não se machucar com as fivelas que haviam na altura do peito dele.
Um "boa sorte" foi murmurado e abafado, já que o loiro estava com o rosto escondido. Meio bobo com a situação, Guk riu nasalmente, respirou fundo e enquanto continha a respiração, procurou abandonar um beijo cuidadoso no topo da cabeça de seu amante. Talvez ele só tivesse ido até lá porque o corredor estava consideravelmente vazio, afinal, todas as atenções estavam voltadas para os pátios da Academia.
-- Obrigado. -- Respondeu enfim, apertando-o um pouco em seus braços.
Então, o inesperável veio. A porta do quarto, atrás de si, fez-se aberta. Um dos responsáveis pela organização do evento, conhecido até mesmo por seu pai, estava por passar pelo portal, quando, alguns segundos antes, Ren procurou puxar a nuca do namorado, trazendo-o para si. Guk estava disposto a retribuir o gesto, mas, infelizmente, pela visão periférica, antes que sequer pudesse pensar em fechar os olhos, reconheceu quem vinha lá.
O staff ficou estático por alguns segundos, mas finalmente, voltou-se para por cima de seu ombro, chamando os outros membros. Ren havia recuado, mas Guk continuava com os braços ao redor do menor. E logo que estava para dizer ao namorado, que precisava ir, o loiro se adiantou mais uma vez e assentiu, em silêncio, como se já imaginasse o que tinha de fazer.
Engolindo em seco, Kook procurou relaxar os ombros, enquanto, meio distante de si, ouvia a voz do staff repassando as coordenadas. Os olhos delineados de Bang, por sua vez, estavam fixos na silhueta loira, frágil, de feições femininas, que se afastava. Queria poder ter continuado ali, com ele. Fazendo ir embora, tanto suas preocupações, quanto as que ele provavelmente gostaria de discutir consigo...
Novamente, palavras não ditas - apenas olhares que relevam o propósito e tema das mesmas - aconteceram. Mas fosse lá como fosse, Bang apenas voltou-se para o responsável pelo encaminhar deles, até o palco.
Um pouco menos tenso, Guk seguiu com sua turma para as dependências do evento organizado pela Academia. Havia gente demais e BoA estava muitíssimo à vista, obrigado. Tanto era que a imagem da professora foi o que correu por sua espinha, deixando que uma sensação gelada ficasse por ali. Significava apreensão, medo, quase tanto quanto significava felicidade, um sentimento de "eu farei valer a pena".
Afinal, já estava mais do que na hora de Kook Bang Guk mostrar ao que veio e pelo que por mais alguns anos, certamente, continuaria vindo e fazendo por onde.








