Nossas necessidades básicas são cercadas de utensílios para uso diário. Tais objetos, sempre presentes no cotidiano, fazem parte de nossos costumes e por vezes, de tão arraigados, muitas vezes passam despercebidos de sua história e importância, pois nos caracterizam como grupo.
Dentre estes utensílios a autora os contextualiza através de pinturas históricas, assim retratando as diferenças das vestes de acordo com cada grupo étnico, considerando indígenas, negros e mestiços do século XVII. Adiante utensílios como arco e flecha, cuias, cestos em palha, potes, cerâmica marajoara, esteiras, redes, chapéus, lenços, turbantes, suas supostas origens e influências oriundas de outros continentes.
Para além dos utensílios apresentados, suas feituras, o hábito da costura caseira, apresentada por pinturas de diferentes estilos e período, ilustradas tanto por Wellington Virgolino (1984), quanto por Alfredo Volpi (1920), sendo visível diferença de técnica de pintura, cultura, porém enfatizando que o hábito de coser atravessa tempos.
Adereços também fazem parte de nossos hábitos, indicando classe social, gênero, etnia e assim nos são relembrados os adornos decorativos e de proteção dos nossos cangaceiros nordestinos, como chapéus de couro e luvas. No contraponto, as cartolas, que quanto mais altas, mais enfatizavam o poder dos industriais. Na sequência de curiosidades, a rede indígena adaptada para escravizados levarem os senhores, sendo possível através das imagens identificar adaptações dos usos, reinterpretação, instigando discussões sobre o que seja apropriação cultural.
Virando páginas, penas para chapéus femininos e turbantes, panos da costa, adereços oriundos de lugares variados do Continente Africano ao Oriente, evidenciando muitas as influências e movimentos, assim gerando hibridismo e dificuldades em apontar suas origens.
Do chapéu de couro à leveza dos chapéus de palha, imagens de penas que adornam tanto indígenas, quanto família imperial, as referências de Candido Portinari às sandálias nordestinas, possivelmente originárias da Península Ibérica com os mouros, assim aumentando nossas profícuas dúvidas e curiosidades. Por fim, as mãos do homem produzem suas necessidades e estas se tornam, para além de arte, história.
Nereide Schilaro Santa Rosa, “Usos e Costumes”
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