Nós terminamos em dezembro. Quase dez anos de casamento acabando pouco antes do Natal. Uma década de lembranças cabendo numa mala e duas sacolas pretas. Ele saiu, não disse nada. Bateu a porta e seguiu a diante. Depois disso arrumei o quarto, dei uma boa olhada no espaço vazio no guarda-roupas e decidi que o vazio também é importante. Dez anos de muitos planos, vontades e sonhos compartilhados e que por algum motivo agora não faziam mais sentido. Depois disso passei duas semanas sem comer, chorei por quarenta minutos ininterruptos numa sexta-feira e por mim também segui a diante. Fiz amigos, conheci outros caras, mudei a cor do cabelo, fiz duas viagens e simplesmente fui viver. Depois percebi que a gente sempre acaba seguindo em frente, porque quando a vida aperta é o que da pra fazer. Quando o carro quebra, quando a bateria do celular acaba, quando a gente sai do emprego dos sonhos ou até mesmo quando o amor da nossa vida, não é o amor para a nossa vida. É o que a gente faz. É tudo o que a gente pode fazer quando a saudade bate. Tem dias que a gente faz escândalo, tem dias que a gente faz um drama, eu hoje fiz brigadeiro. Vai entender.
Ciceero M.














