Por fim inspirei fundo. Cada centímetro dos meus pulmões sendo absurdamente preenchidos pelo ar quente da vida adulta, e então decidi recomeçar. Não que eu de fato soubesse pra aonde a gente vai quando precisa ir embora de si mesmo, mas ainda assim continuei. Uma boa olhada no cômodo. Uma boa olhada na vida, tudo aparentemente igual. As mesmas camisas enfileiradas, as mesmas canecas no porta louças, a mesma calçada, a mesma rua, a mesma casa, as mesmas contas, as mesmas preocupações, o mesmo caos. Mas eu não. Eu não era mais a mesma pessoa. Não queria as mesmas camisas, nem a mesma estrada, que levava sempre pro mesmo lugar, pro mesmo caos e preocupação de sempre. Então respirei fundo e recomecei. Algumas batidinhas frenéticas da unha no mármore da cozinha, um copo de coragem e pronto! Um passo de cada vez, um laço de cada vez. Depois disso ouvi Caetano, Catedral, Frejat, tomei uns drinks, chorei um pouco. Eu não era o primeiro coração partido na história da humanidade, havia um milhão de músicas sobre isso. Todo mundo sofre, e tá tudo bem.
Ciceero M.











