

#dc comics#batman#bruce wayne#dc#dick grayson#dc universe#tim drake#batfamily#batfam#dc fanart



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sou as lágrimas que derramo
os gritos sem som
o suor nas mãos
a angustia no peito
o ar que falta em meus pulmões
sou eu a que não escuto
a que mente
e pressente nesses dias sujos
o mal do mundo
a que corre, a que discorre, a que dita, a que acredita
a que te evita
sou o autoconhecimento que persigo
(e ao mesmo tempo fujo,
porque dói demais me entender
e saber que não sou mais do que isso)
- vitoria (quemetransborde)
“não há outra como você”, ele me disse
não queria falar sobre isso de novo,
mas acho que preciso falar acerca da solidão que sinto
sobre o que entendi e me disseram ser drama.
sobre a minha inseguraça.
recebo e aceito o pouco que me dão. acho suficiente porque nunca tive mais que isso. meus amores vem e vão. ficam e falam que não há outra como eu (”por onde você andou esse tempo todo?”), e depois de um tempo foram embora. (“a história da preterida agora?”). e me repito: talvez não me aguentaram, não me quiseram. e me disseram: você não se abre, não fala, não demonstra, não age. aí que me ponho a pensar: se tento falar, se despedem. se me calo, nem me pedem pra ficar. porque sempre ganhei pouco demais pra dar muito e me fechei no meu casulo. pra abrir, precisa de persistência, mas não queria ser assim, porque causa impaciência.
queria ser como as outras: tão fácil, tão rápido, tão simples. pra elas, não demora pra chegar e demora pra sair. recebem flores, jantares, amores. não se sentem só. pra mim, a foda de fim de semena. a não assumida, a ferida aberta que não se cura quando me vejo sendo escondida. ficam por tempos e me enrolam, ou se vão tão rápido que nem lembro se realmente estiveram aqui.
e pode me chamar de dramática ou lunática.
nem queria falar sobre isso de novo,
mas preciso explanar do que pra mim é tão pouco
(e do que queria sentir muito).
- vitoria (quemetransborde)
trechos para deus #1
vou te escrever em letra minúscula, por mais que seja um nome. vou te escrever sem parágrafos, sem palavras difíceis e sem muitas rimas. vou te escrever, porque não consigo falar. vou te escrever só para te informar que já faz um tempo que eu entendo, por mais que não pareça. sei que em algum momento eu vou estar melhor do que agora. e depois não mais. virão altos e baixos, e sei que irei achar que são mais baixos do que altos. mas depois tudo vai estar bem de novo, porque houve um tempo bom antes e irá ter um tempo bom depois. porque se fosse pra ser fácil, sinto que nem deveria estar aqui. e se essa é a vivência da minha (e para) evolução, tenho que me fazer constante nessa jornada, procurando alcançar o melhor de mim, mesmo que seja na descida, para que assim possa haver uma subida. porque no final tudo vai ficar bem.
canceriana
eu sei que tenho muito amor pra dar. você me disse isso uma vez: principalmente pra família e amigos, mas tem receio de se envolver em amores por medo de se machucar. tenho tanto amor que meu peito, logo que se esvazia, já volta a encher quando tenho que me despedir. a saudade me martela, me dói o corpo e me enche de memórias. queria parar no tempo ou voltar pros momentos em que fui mais feliz. ouvi dizer que sou 8 ou 80. se entra, que seja pra ficar. se vai embora, que seja pra nunca mais voltar (mas se eu pedir perdão, escuta de coração). e vai doer quando partir, mas eu me acostumo depois de um tempo. desculpa ser tão intensa em alguns momentos e tanto faz em outros. intensidade é a minha palavra favorita, mas é a que mais me faz querer fugir. você chama de drama, eu chamo de proteção. se me tem nos braços, que me cuide, se me tem nas mãos, que não me use.
a vida
e eu descobri que a vida é perder amigos. são despedidas sem saber se vão voltar a se ver. são as gotas da chuva que batem no rosto no dia frio em que você esqueceu guarda-chuva. são amores doídos que vêm e que vão. é sua casa cheia no domingo e vazia no resto da semana. são as lembranças da sua família barulhenta, e a saudade do barulho quando já não estão mais por lá. é o esquecimento, é a dor, é angustia. mas é a felicidade depois de tanta esperança.
ensino médio e meus traumas durante e pós
toda hora a minha cabeça martela a mesma frase: “eu não tenho beleza, talento ou inteligência”.
nunca me olhei no espelho e gostei do que vi. e quando me elogiavam, eu só queria dizer para que parassem de mentir. o garoto que eu gostava olhava para a minha colega bonita e nunca para mim. foi no ensino médio que caiu a ficha de que eu não era capaz de entender um movimento uniformemente variado de física ou fazer uma conta de logaritmos de matemática. me senti um lixo. achei que nunca seria capaz de entender isso, e mesmo tendo estudo tanto para reverter essa situação, eu sempre me fodi. meus amigos só pegavam no caderno um dia antes, enquanto eu no mesmo dia em que o professor dizia que teria prova, já começava a estudar. mas não adiantava. lixo, lixo, lixo, lixo. minha cabeça só dizia isso. achei que tinha algum talento na escrita, mas o português me veio com três socos na boca do estômago quando eu não consegui escrever uma redação e a entreguei em branco. a professora me disse com desdém: “você se superou agora, vitoria”.
achei que ia mudar alguma coisa na minha vida quando o ano mudou. prometi a mim mesma que tentaria não me sentir uma incapaz vendo os outros passarem nas universidades e eu ficando para trás.
não consegui cumprir essa promessa, porque toda hora martela na minha cabeça: “eu não tenho beleza, talento ou inteligência”.
- vitoria
eu tô ficando para trás
e meus amigos estão indo pra faculdade. me sinto um caco quando me olho no espelho e não me sinto capaz. fico tão feliz pelos outros e tão triste pela minha falta de realizações. mas a vida é assim mesmo: talvez não fosse para ser agora para mim e para os outros sim.
(só espero que um dia seja)
- vitoria