Elizandra
Me chamo Elizandra Letícia Vieira Terra, tenho 19 anos e sou nascida no Rio de Janeiro, mais especificamente em São Gonçalo, apesar de ter vivido a maior parte da infância no Complexo da Maré. Minha família se mudou para Brasília quando eu tinha 7 anos de idade por conta da intensa violência da região em que eu morava.
Eu não tive o sonho de cursar Medicina desde criança, acredito que tenha sido algo que foi se construindo em mim com o passar do tempo. Quando eu tinha 11 anos passei por um processo de saúde que me deixou bem debilitada e me impediu de frequentar a escola, com isso, o lugar que eu ficava a maior parte do tempo era em casa e no hospital. No hospital, eu passei a conhecer os pacientes, os médicos e a equipe de saúde e desenvolver afeto por muitos deles.
O meu processo de saúde e o dos outros pacientes me deixava curiosa, e eu comecei a pesquisar mais sobre o corpo humano, a sua fisiologia e como as doenças funcionavam, o que me fascinou.
Além da vontade latente de poder cuidar e ajudar de alguma forma aquelas pessoas e amigos que eu sempre encontrava pelos corredores do hospital, nas salas de espera, nos laboratórios de exame. Cada história que eu ouvia nas salas durante a espera pelos atendimentos era como se um mundo se abrisse para mim.
Com isso, no começo do Ensino Médio, comecei a pensar em cursar Medicina, porém para mim, isso era algo impossível. Pois eu venho de uma família muito humilde, estudei a vida inteira em escolas públicas e não me considerava um gênio, como era o senso comum sobre as pessoas que ingressavam no curso. No entanto, apesar das dificuldades, decidi acreditar nesse sonho e me esforçar bastante para conquistá-lo. Assim, o resultado veio por meio do Programa de Avaliação Seriada e eu não poderia estar mais feliz e certa da minha jornada na Medicina quando recebi a notícia da minha aprovação.
Assim, como paciente do Sistema Único de Saúde há muitos anos, considero a disciplina imprescindível no curso de Medicina, bem como, desejo ser uma profissional que atuará nele futuramente, impactando positivamente os espaços que estou inserida.












