Equipe 9 - Vitória Vasconcelos e Roberta Freitas
Sete Minutos no Paraíso
– O que você está dizendo? – Erik franziu a sobrancelha, confuso com a proposta de Sibéria. – Simples: vamos para o armário brincar de “Sete Minutos no Paraíso”. – Replicou óbvia. – Você nunca teve adolescência? – Sete minutos no paraíso? – Acho que isso responde a minha pergunta. – Sibs rolou os olhos, mas manteve um sorriso arteiro no rosto. Aquilo seria muito divertido. – Nós vamos para esse armário aí, bem atrás de você. – Apontou com a cabeça para o closet e Christiansen desviou o foco dela para olhar melhor o espaço que ela apontara. – Você poderá fazer o que quiser, nós ficaremos sete minutos lá dentro. Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. – Ok. – Erik balançou os ombros, concordando, e já tinha suas mãos nas maçanetas das portas quando Sibéria o puxou em sua direção. – Eu ainda não terminei, apressadinho. – Sibs levantou uma bandana e, com a outra mão, girou o dendo indicador no ar, alertando que ele deveria ficar de costas para que ela pudesse amarrar o pequeno tecido sobre seus olhos. – Sibéria… – Não me faça querer desistir, Christiansen. – Ela pôs as mãos na cintura e fingiu uma expressão brava. Erik suspirou, derrotado, e cedeu a sua vontade. – É a minha única exigência, juro. Bem, essa e o seu total silêncio. – Proferiu e o detetive riu nasalmente. Não tinha condição alguma de negar algo àquela mulher se ela estivesse se pondo ao seu inteiro dispor como naquele momento. Sibéria posicionou a venda nos olhos de Erik e amarrou com um nó, garantindo que ele não fosse se desfazer. Então ela começou a fazer alguns movimentos descoordenados em frente ao detetive para ter certeza que ele não via nada e, quando teve, o chamou para entrar no closet. – Me dê sua mão. – Christiansen esticou o braço em sua direção e ela o agarrou, conduzindo-o ao armário que não estava a mais que três passos de distância deles. – Fique parado aqui, querido, só um momento. – O posicionou próximo aos cabides e abriu mais um sorriso ao ouvir o barulho de um carro estacionar do lado de fora da casa, e recordar o que estava prestes a fazer. – Eu só vou pegar um coisa que esqueci, não demoro. – Mas… Sibéria não teve tempo de ouvir o que Erik tinha a dizer pois já estava correndo pelos corredores da casa em direção à sala de estar. “O quê” não era bem a questão à respeito do que Sibs estava indo buscar, mas sim “quem”. E se ela conseguisse mesmo fazer aquilo dar certo, era bem provável que algumas cabeças rolariam naquela noite. Talvez até mesmo a dela. – Não ria, não ria, não ria. – Sibs repetia para si mesma como um mantra ao ver a maçaneta da porta principal ser insistentemente girada até conseguir ser aberta. – LOGAN! – Céus, ela precisava se controlar. O detetive olhou ao redor, confuso. Não costumava ser recebido dessa forma ao chegar em casa. Tinha quase cem por cento de certeza que estava alucinando. – Está falando comigo? – Existe outro Logan nessa casa? – Sibéria rolou os olhos. Ela já sabia que ele seria mais difícil de dobrar. Strauss mantinha sempre um pé atrás com ela pois já sabia com que tipo de mulher ele convivia. – Não posso me entusiasmar em saber que não ficarei mais sozinha nessa casa? – Disse aproximando-se do homem e ofereceu ajuda para ele retirar o sobretudo. – Nem se entusiasmar, nem ser prestativa. – Logan franziu o cenho em sua direção e saiu em direção à cozinha. “Louca”, foi o que ele pensou. Num momento Sibéria era um doce, no outro era mais azeda que uma laranja verde. Era bipolaridade demais para um homem só lidar. – O que você está aprontando? – Perguntou ao vê-la se sentar num banco que ficava em frente a ele. Sibéria precisaria ser rápida, Erik não ficaria lá em cima eternamente. – Então, como foi? – Questionou casual, ignorando totalmente a pergunta de Logan. – Como foi o quê? – Strauss revidou, apoiando as mãos no balcão e a encarando cético. Ele queria saber onde Sibéria queria chegar com toda aquela falsa socialização. Algo ali estava muito errado. – Seja lá o que você estivesse fazendo. – Eu só fui dar uma volta. – Ele arqueou a sobrancelha e Sibéria murmurou um “hm”, ainda decidindo qual seria seu próximo passo. – O que você quer, afinal? – O que eu quero? Por que você acha que eu quero algo? – ela levantou do banco lentamente, se aproximando do detetive. Aquele era o caminho certo para convencê-lo, ela sabia. – Eu só estou puxando assunto. Anda sendo um tédio por aqui. – Você não faz o tipo que puxa assunto sem querer algo em troca. – Você é muito desconfiado, senhor Strauss. – Sibéria sibilou, rodeando o pescoço do homem com um braço enquanto brincava com a gola de sua camisa utilizando a mão do outro. – Aprimorei ainda mais essa habilidade depois de te conhecer. – Então você não vai poder dizer que eu nunca te ensinei nada… – Respondeu a moça, já beijando o pescoço do policial que mantinha o corpo parado. Sibéria correu os lábios com leveza pela pele de Logan, que não resistiu por muito tempo às carícias inesperadamente gostosas que a mocinha do Rye estava disposta a dar. Ele logo agarrou a cintura de Sibéria, o que fez a moça olhar para ele, e então a beijou. O beijo era nada calmo, num ritmo que expressava perfeitamente o fulgor entre os dois. Logan empurrou Sibéria até a pequena mesa, fazendo questão de roçar cada mínima parte de seus corpos antes de sutilmente erguê-la até que estivesse sentada sobre o móvel. Seus rostos, tão próximos um do outro, não deixavam de se tocar. Uma das mãos de Sibéria estava na nuca de Logan, e a outra em seu cabelo, puxando devagar o começo de seus fios. – Sibéria. – Logan sussurrou ao que quebrou o beijo, a respiração quente batendo contra os lábios tentadores dela. – Caralho. – Era única coisa que ele conseguiu acrescentar. Sibéria riu, sabendo que já estava a um passo do que queria. Do que esperava conseguir. Logan foi para frente, procurando os lábios da mulher novamente, mas não encontrou. Era hora de ser audaz. Se continuasse enrolando ali em baixo e desfrutando da agradável companhia de Strauss, acabaria distraída - e, pior, Erick acabaria cansando de esperar no armário vendado feito um pateta. – O quê? – Logan perguntou, confuso ao vê-la virando o rosto sempre que procurava por mais um beijo. – Sabe, senhor Strauss, eu estava pensando… – Sibéria o afastou para o lado, pulando da mesa e ajeitando suas roupas. – É sempre o mesmo sexo e… – Como assim o mesmo sexo? – Ele tinha o cenho franzido mais uma vez. Até que o detetive ficava bem com caretas ofendidas. Sibéria achou fofo, no mínimo. – Ei, não disse que é ruim – Ela se defendeu. – Muito pelo contrário. A verdade é que... eu queria fazer uma brincadeira. – Mordeu os lábios, lançando um olhar doce por baixo dos cílios. O detetive estreitou os olhos, sentando ele mesmo na mesa em que Sibéria se encontrava. Havia se encabulado com a ideia, ela notara, mas era de praxe que a moça esporadicamente aparecesse com ideias mirabolantes. – Você não prefere que eu simplesmente arranque todas as suas roupas e te foda encima dessa mesa aqui? – Strauss ofereceu, tocando com suavidade um dos braços de Sibéria. Uma suavidade completamente contrária às palavras ditas por sua boca, é claro. – Eu deveria ter atendido a porta já nua. – Sibéria ponderou, pensativa. - Seria mais fácil de barganhar com o senhor. – Talvez. – O sorriso que pintou os lábios de Strauss não tinha nada de inocência. – Nós podemos subir até o seu quarto? – Ela pediu. – Eu realmente gostaria de tentar algo novo. – Não. – Por que não? – A indignação assumiu o tom de Sibéria. Todo aquele comportamento acelerado era culpa do tempo. Ela tinha certeza que se demorasse mais dois segundos toda a brincadeira ia acabar com final trágico. – Será divertido. – Ela chegou mais perto de Strauss, tocando seus braços de leve. – Eu prometo. Logan hesitou. Mas, uma piscada depois, Sibéria começou a percorrer os lábios na curvatura de seu pescoço. E logo os dois estavam subindo as escadas com as bocas ocupadas demais para perguntas serem feitas. – Shh… – Sibéria sibilou, rouca, ao pé do ouvido do detetive. – Eu preciso que você faça um silêncio absoluto agora. – Pediu ao arrancar outra bandana de um de seus bolsos e ajustá-la sobre seus olhos, como fez com Christiansen. – Que tipo de brincadeira você está tramando, huh? – Logan soou baixo, divertido. Sibéria estava agindo de modo tão espontâneo que era impossível não se deixar levar pelas suas peripécias de momento. E, bem, ele nunca havia se decepcionado com o que a moça fazia entre quatro paredes. – Considere nosso segredinho. – Ela ditou, sorrindo contra a boca dele. – E cale a boca, por favor. A porta do quarto foi aberta e eles entraram em quietude. Logan apenas seguia os passos de Sibéria, divagando mentalmente sobre o que ela queria fazer. No meio tempo, a moça do Rye abriu espaço no closet para que os dois detetives ficassem um de frente para o outro, mas não notassem suas presenças. Ela segurava a risada enquanto dava a entender que eles poderiam avançar em sua direção. E foi aí que aconteceu. Sibéria havia se abaixado bem no momento que eles se aproximavam e os dois acabaram esbarrando as bocas um no outro. Erik foi o primeiro a se afastar, assustado por ter sentido uma barba áspera e desconhecida arranhar seu rosto. Já Logan foi o primeiro a arrancar a venda, sendo seguido pelo colega de trabalho. Os dois tinham faces furiosas estampadas nos rostos quando ouviram uma risada ao longe. Sibéria já havia corrido dali, sabendo que aquela brincadeirinha não ficaria em pune. – SIBÉRIA!












