A filha da delegada.
Na sala, onde os minutos pareciam horas, tive de ouvir insinuações, aturar conspirações, e por em risco de verdade, a minha família. O perigo não era se envolver com o tráfico, ou dever uma grana preta pra eles. Todo mundo sabe que envolver a polícia no meio é que era sujeira. Claro que eu “não sabia de nada”, assisti toda a cena e de brinde ainda fitei a filha da Dra. Eu continuava a ouvir, e A linda, sentada ao lado da mãe, sorria e confirmava todos as lições de moral que ela lançava direto a mim. Fui idiota sim, e mesmo antes desse lance todo da grana, eu ja tinha sido chamado, ela ja queria falar comigo. Pois sim, a cidade achava que eu traficava. Expliquei quem eu era, e a filha dela sorria, resmungava sobre o que me falavam, e a filha sorria. Sei que parece besteira, mas ela ainda irá ser minha, sabe, ela precisa ser minha. O tempo passava e eu tinha que ouvir. Já falei sobre ter ido na sela né? Pra completar, queriam que eu ficasse, pra eles, sou um drogado que já não tem mais nada pra fazer, fugi dali na mente deles, vou pra uma reabilitação escrever sobre a filha e me redimir de tudo que fiz. Vou largar o cigarro, as espinhas vão sumir, o cabelo vai colorir. Sou loiro, magro, pardo, e completamente viciado em mulheres. A ponto de aprecia-las sem usa-las, sexo são momentos, calor, afeto, isso que leva a relação. O mistério se tornou minha corda pra encher os olhos da filha dela. Nem sabia seu nome. Ainda. Glória que a delegada quando disse que o ensinamento estava nos livros, usou Luiza como exemplo e logo descobri seu lindo nome. Pareceu luzes em meus ouvidos. E isso não deveria ser romântico. Ela cruzou as pernas, abaixou a face e olhou pra mim, consegui então senti-la, linda, seus olhos brilhavam como quem sabia, eu era inocente, puro e só mais um drogado que sabe viver a vida. Ela ia me dar sermão, mas eu queria, e como queria. Me levante, falei com os outros guardas, ouvi milhões de conselhos e saí, quase aos tapas da mãe dela. Não é que foi interessante? Parecia que eu tinha usado pó de tão eufórico que me encontrava. Fumei diversos cigarros depois, lembrando de seu rosto sorrindo como quem levei uma baita bronca e como quem tinha respirado novamente de mim, algo que não respirava a dias, e ja se sufocava. Eu te quero Luiza, e quem dera se sua mãe fosse quem fosse, a filha da delegada é minha, foi-se tarde. “A filha da delegada.” Parte 2, Contos e Mil farsas. Willians Souza Poeta











