nós podemos viver duas partes de nós.
nós podemos ser tudo pra nós.
e se deixamos tudo por vícios,
abdicaríamos tudo de nós.
viciar é amar aquilo que usa;
é deixar o corpo que tem;
é largar desejos e planos
e viver com o que não se tem.
quando deixamos de gostar de nós
isso pode ser visto pelos nossos atos,
pela nossa fome de alguma coisa:
o mundo, as trevas, a seca, a dor.
a vida, a bondade, fartura. amor.
nós podemos tudo, inclusive nos odiar
e isso é visto na forma com que vivemos.
que aprendemos, ou fingimos até ser.
sabe, nunca queremos ficar aqui,
e sabemos que tudo isso não presta
sem perceber o quão fácil é ser feliz,
nos enganamos com falsas metas.
ilusoes, distrações, decisões mais que erradas?
são as pontes sem pilar ou estrada.
a vida é a ilha mais cercada que existe.
e nós, tubarões do teu mar.
quantas vezes nos apegamos a algo,
que sem saber, faz nosso corpo:
beber, fumar, odiar, e matar.
tudo o que consome a carne.
tudo o que desgasta sua casa.
te tira a fé de si mesmo,
te tira a coragem da luta.
te agrega o medo do outrora
tudo que voce lutou antes daqui
todo o desejo de viver que te fez vir,
se perde no caminho e o que te resta
é o vazio que os vícios desse lugar te distraem.