Não posso dizer muito sobre ela pois não pude me concentrar muito em sua beleza, porém mais alta que eu, com meus 1,73, morena, cabelos lisos que quando a vi, se amarravam entre sí e desenhavam a orelha perfeitamente. Bom, se não fosse pior, era justamente a filha da delegada, que, me mandou chamar por suspeita de algumas besteirinhas ai que andei fazendo.
Quando cheguei na sala foi inevitável não nota-las, claro que a delegada ja é bem mais velha, só que de início eu fiquei na dúvida: quem é a Dra.? Logo sentei e ela cumprimentou a todos menos a mim, senti o gosto de deboche na sua cara, imaginei que seria seu jeito e sentei, como um rato culpado sendo pego vivo na ratoeira.
Olhei pra filha dela e logo recebi um olhar de rejeição como quem diz, minha mãe verá.- logo virei.
Sobre perguntas e mais perguntas eu acabei tendo que ver as selas do complexo, no qual, eu quase fiquei preso. Não havia contado sobre isso mas veja bem.
Um quarto, que devia ter seus 20 por 20, era como um vão, feitos dentro dele seis quartos muito bem confortantes, camas de cimento, grades bem reforçadas e claro, a impossibilidade de fuga era 100%. Observei tanto que o senhor que me acompanhava logo berrou.
- nem adianta, impossível fugir.
Desconcertado, eu, logo desconversei, - Não nem nisso pensei, moço, só to vendo como isso é imundo.
Eram suas primeiras gargalhadas, quando brincando fechou as grades como quem quisesse me assustar. Fingi susto, brinquei com ele e logo fiz cara de repulso.
Voltamos a sala e antes mesmo de saírmos do vão, assistindo o chão e olhando pros pés da porta avisto pernas dentro de uma ajustada e lisa calça jeans, com certeza, era o desenho de coxas mais perfeito.
Filha, filha filha. Como faz isso com o pai?
Coloquei uma das mãos em minha nunca e quando ia sorrir ironicamente ela sorriu, direcionando-se para mim e berrando algo com seus amigos de trabalho.
Ela também será delegada, provavelmente vai trabalhar e comandar isso aqui tudo no lugar da mãe.
Não nego que a imaginei casada comigo e eu dormindo na casa da Dra. que pecado em? Pena que é ficção, historinha de livro, contos românticos, tipo de romance que toda mãe leria.
Eu estava concentrado em sua filha, era o que eu faltava dizer quando ouvia os gritos da delegada, resmungando sobre como estou sendo uma péssima influência social.
Tive a privacidade invadida, fui moralmente pisado, e bom, devo lembrar, estou pensando em sua filha.
Devo entristecer ao saber que ela era casada, não tinha filhos porem casou-se, que puta de um azar, agora terei um ex chato pra aturar bêbado na porta de minha sogra.
Mas tenho tempo, ela só não pode engravidar.
Assim a filha da delegada me prendeu, algemou meu coração e sequestrou toda minha lucidez.
Ja tinha visto ela antes, foi em um carro, tarde de sábado, 16h, passei e de dentro avistei um sorriso estonteante, com ela logo gritando “oxe, que foi”. se fosse outro esnobava né, iludi-me.
Agora estou aqui, falando dela, criticando ela e enchendo de culpa, por ter encarcerado meu pobre coração aposentado. e de brinde, um conto a mais. foi-se tarde.
“A filha da delegada.”
Parte 1, Contos e Mil farsas.
Willians Souza Poeta