Eu sempre achei que eu não deveria me importar com certas necessidades internas de amar como pareço que amo; ou sobre como escrever sem um objetivo nos dá certa liberdade que escorrega. Eu nunca, nunca tentei me entender tanto como agora enquanto sofro em poucos goles essa forte bebida da distância; que crucial se dissipa e interfere toda minha vista emocional; pois não é uma distância destas em que é impossível que nos vejamos, mas pior, é esta em que te assisto ir e vir, em que me irrito ao vê que não me olha mais, ou que se esconde dos olhares pra que eu não veja-te que anda me encarando, e se andares, pois nem mais acredito que há amor, me fizeres duvidar. Eu sempre achei que não deveria insistir, ou que é um papel completamente inútil querer voltar a ter um vínculo que sabemos que jamais iremos ter. Há uma completa insegurança, pois não conseguiremos nem nos fazer de uma amizade qual eu adoraria me banhar; me deixaste somente a graça das lembranças dos momentos em que os sorrisos eram mais constantes que estas tuas caras e bocas disfarçadas de uma sensação de não me conhecer. Ah como eu deveria te esquecer, só que o dever não me atraiu, nunca atraiu, e por mais que eu ainda desejasse não lembrar, se menos espero, surge teu nome e as coisas boas que fizemos junto a tudo que nós temos atualmente que é somente uma faísca de desconhecimento e introspecção; eu vi, eu vi que se fechou no teu mundo; que se abrigou em outros corpos, não tem problema; a felicidade te merece tanto quanto tu dela também, só que o que eu não admito, sinceramente não admito, é que me evite como evitas como se o que tenho amado fosse mais algo ofensivo que discreto, quando verdadeiramente tudo tem sido sublime e lindo. Afinal, eu confesso o quão bom é sentir o que sinto; e o quão vivo eu me pareço quando afirmo a mim mesmo que te amo incondicionalmente ou morreria por você. Não deveria exagerar, ou apelar pra comoção quando se trata de te convencer que estarei aqui conforme prometido; escrevo estas palavras e me alivio como quem expulsa um animal indesejado do quarto; pois internamente pareço um recém nascido indefeso, frágil e perigoso se tratando de quem que a criança é. pois não sei de quem sou, se meu ou se mais teu, se minhas feridas curam ou se elas não passam de cicatrizes que machucam mais que quando as cometi. Meu peito se enche de um orgulho que me deste quando partiu; eu, querendo resgatar uma amizade que se estampa do amor e tu: sentindo essa saudade que só eu quem investi; uma saudade que não é vista por mim e que parece-me inexistente. Queria dizer que te amo, mas agora meus olhos quem fogem dos teus pois desta vez não os vejo vindo rumo aos meus; agora, sou eu quem não desejo mais te olhar pois não o encontro me encarando prontamente pra sorrir e me embebedar; agora sou eu quem não procuro pois não o vejo procurando-me, sou eu, quem definitivamente sinto, é um alívio que agride, que me invade, e certamente esquecerei gradativamente, por quê se pra te amar bastou um segundo, esquecer certamente irá durar o tempo em que permaneci amando, que cai entre nós, foram tantos.