Este projecto tem um anexo digital que consiste num conjunto de vídeos e animações que complementam o livro físico. Os conteúdos digitais funcionam com a câmara de realidade aumentada Vuforia a partir de imagens-alvo impressas no livro e está dividido em 6 momentos.
A aplicação android está disponível para download de forma gratuita.
1. Nós não estamos algures Originalmente este projecto mixed-media, ou exercício de comunicação poética, incluía projecções de diapositivos (preto e branco, e cor) e de filme (Super 8; preto e branco, e cor; sem som), envolvimentos, acções, interpretação de poemas, improvisação musical, reprodução de música e de textos gravados. A duração era variável e foi apresentado no Clube de Teatro 1º Acto, em Algés, em Dezembro de 1969. Para o representar seleccionei dois filmes Happy people e Havia um homem que corria (ambos a cor; sem som), quatro diapositivos a preto e branco com os dizeres barricada, atenção, difícil poema e d’amor e um poema, Difícil poema de Amor, de Luiza Neto Jorge. Apresento-o encasando um desdobrável assimétrico numa página dupla, impressa a cheio, com o diapositivo «barricada» cortado ao meio. Portanto, lê-se «barri» na página da esquerda, depois o desdobrável com um frame de cada um dos filmes de um lado e um poema de Luiza Neto Jorge do outro, e por fim na página da direita lê-se «cada». As imagens-alvo são as duas metades do diapositivo «barricada» («barri» / «cada») e a animação tem duas partes que correspondem a cada uma das metades e se sobrepõem com o virar do desdobrável central. O conteúdo de ambas é igual mas o alinhamento e a escala diferem. Ao mostrar os conteúdos em diferentes planos e em diferentes escalas procuro envolver o leitor, fazendo interagir, espreitar, escolher e descobrir.
2. Ultimatum Foi um envolvimento mixed-media adaptado de Almada, Um Nome de Guerra com projecção de diapositivos e filme e som gravado, de duração variável. Apresentado na Experimental Intermedia Foundation, Nova Iorque, em Junho de 1983. Desenvolvi quatro animações tipográficas curtas em torno da palavra ultimatum. Inicialmente a inteção era associar três das animações à primeira página (37) e a quarta ao seu verso (38) mas devido a um percalço com a primeira imagem-alvo, optei por colocar todas as animações tipográficas associadas à segunda. Durante a execução do projecto três das imagens-alvo previstas nas planificação revelaram-se desadequadas, uma delas foi a primeira página ultimatum. Apesar de ter a classificação máxima (cinco estrelas) na base de dados Vuforia, alto contraste e assimetria nos pontos de reconhecimento, a câmara de realidade aumentada não consegue reconhecer o alvo.
3. Do Vazio à Pró Vocação Exposição com curadoria de Ernesto de Sousa, integrada na Expo AICA 72, na Sociedade Nacional de Belas-Artes entre Julho e Agosto de 1972. Participaram Alberto Carneiro, Ana Vieira, António Sena, Carlos Gentil-Homem, Eduardo Nery, Fernando Calhau, Helena Almeida, João Vieira, Lourdes Castro, Nuno de Siqueira. O caracter particularmente provocatório de uma obra, “um mural de jornais do Alberto Carneiro, destinado ao público escrever o que lhe desse na real gana”[1], resultou em inúmeras queixas e a direcção da SNBA acabou por retirá-la da exposição. Esta composição é a carta que Ernesto de Sousa escreveu a Carlos Gentil-Homem contando o episódio mas sem espaços, acentos ou pontuação. Foi inspirada na instalação Pre Texto em que o visitante era convidado a criar os seus próprios textos e a partilhá-los. A imagem-alvo disponibilizada na pasta partilhada online não corresponde à impressa no protótipo do livro porque só posteriormente à impressão é que percebi que não era reconhecível pela câmara Vuforia. Acrescentei um padrão (também da autoria de Ernesto de Sousa) no pé da página para que a leitura aconteça sem problemas.
[1] Ernesto de Sousa, carta a Carlos Gentil-Homem, 26 de Julho de 1972.
4. Objecto de/para meditação Consiste numa vídeo demonstração da montagem e funcionamento de um objecto destacável do livro. As instruções também se encontram impressas e funcionam como alvo do vídeo. Este objecto que se desdobra infinitamente segue o artigo Alerta para um Manifesto (originalmente publicado em Panorama «Vida Mundial» n.º1885, 30 de Outubro de 1975, pp. 45–46) e pretende desafiar o leitor a agir criativamente. A distância entre a tela do vídeo e as páginas impressas permite ir “consultando” as fotos e o vídeo em simultâneo.
5. Mandalas Estas mandalas integraram a instalação A Tradição como Aventura na Galeria Quadrum, Lisboa, em 1978. No livro animam-se num padrão caleidoscópico. A tela está muito próxima das páginas impressas e portanto não é possível contemplar ambos os estados (estático ou animado) simultaneamente.











