Li livros
Vi peças
Ouvi músicas
Assisti filmes
Marotenei séries
Declamei poesias
Mergulhei nas danças
Mas
Nada disso
me preparou
para viver
sozinha
esse turbilhão

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Li livros
Vi peças
Ouvi músicas
Assisti filmes
Marotenei séries
Declamei poesias
Mergulhei nas danças
Mas
Nada disso
me preparou
para viver
sozinha
esse turbilhão
Oiê, bom te ver por aqui!
Sou Mariza, tenho 32 anos e sou casada. Gosto de ler e escrever. Se você escreve dá um like aqui pra eu te visitar também 😘
Neste post tem todas hashtags onde ficam meus textos, fique a vontade 💜
Meu coração flutua num mar de agulhas no paieiro. Procurando fagulhas sem se aprofundar, feito navio costeiro. O medo paralisa e é um rasgo no casco. Sem saber ancorar, navego o raso.
Deslizo os dedos nas curvas suaves do seu cabelo. Busco seu rosto para encostar no meu. Respiro seu cheiro de suas bochechas. Sinto o gosto de pasta de dente da sua boca na minha. Meu corpo todo responde ao estímulo de te tocar. Minha alma e mente se entregam ao vazio de apenas pensar em nós e finalmente encontro minha paz. Todos os dias quando volto pra casa me sinto bem.
Notas de um amor tranquilo.
Chorei escondido ontem enquanto todos dormiam e hoje durante o banho. Chorei tão intensamente que meu corpo tremia. Durante a insônia afundei a cara no travesseiro para não acordar ninguém com os soluços e no banho coloquei minha playlist o mais alto que pude. Gritei as músicas tristes como se as letras fossem minhas. Temia que qualquer um me visse desabar assim porque não saberia responder o porquê. Não há nada específico acontecendo. Afinal, já aconteceu tanto que nem sei mais dar nome pra essa dor latente e constante que carrego no peito.
Passou dias a vagar sem rumo
Passou semanas sem teto com frio, fome e desespero
Pediu a muitos ajuda pra voltar ao prumo
Ninguém deu bola pro seu apelo
Certo dia resolveu gritar no semáforo
Ninguém ouviu
Ninguém parou
Ninguém agiu
Ninguém sequer olhou
Havia perdido tudo
Até o direito de existir
Cansada demais concordou com o mundo
Mas não daria a ele o gosto de não perceber seu fim
Subiria no prédio mais alto se tivesse forças
Como não tinha, andou até o meio da passarela
Facilmente se esgueirou pelas frestas
Afinal, havia muito que desaparecia aos poucos
Minguando primeiro a mente depois o corpo
Se pendurou olhando pro asfalto
Aí se lembrou que a queda não duraria nada
Que a perícia seria rápida demais
Que o trânsito, dali a pouco, voltaria ao normal
Então voltou o corpo e esperou
Esperou alguém notar
Viu quando o primeiro carro freiou
Assistiu de camarote o engarrafamento se formar
Ouviu o vozerio aumentando aqui perto
E as sirenes gritando ao longe
Sentiu o peito acelerado
Ficou satisfeita com finalmente ser notada
Sorriu e aproveitou esse momento raro em sua vida pra se despedir
O corpo leve pareceu pesado
Voou rápido de encontro ao chão frio
Um estrondo
Sonhos escorreram de suas veias
Visível demais pra ser ignorada foi noticiada
Um eco ressoou contando sua história
A sociedade que a tornou invisível chorou sua falta
Percebeu, mesmo que brevemente, sua falha
Nosso fracasso escancarado no noticiário
(ou o que para nosso trânsito?)
A voz falha
E a respiração falta
A letra treme
E o peito geme
A lágrima rola
E a alma acorda
Um misto que senti
Na espinha
E na linha
A dor sempre me despertou
E de olhos abertos
Sangro no papel.
A escrita sempre me salvou
E de peito aberto
Recuso o tom pastel.
Pela pele exala o suor
Pela boca escapa o gemido
Os olhos se encontram
Esqueço como respirar
Enquanto meu corpo se entrega e treme
Agarro os lençóis sob mim
No ápice do amor minhas coxas te abraçam
E imploram pra que você fique imóvel
Finalmente volto a respirar
Um riso escapa dos meus lábios
(que te procuram)
Então pego seu rosto para trazê-lo até minha boca
Como quem quer retribuir.