Fernand Deligny, "Wander Lines", Monoblet, Novembro de 1976

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Fernand Deligny, "Wander Lines", Monoblet, Novembro de 1976
~ serviços alternativos de correios ~
intervenção urbano poético postal / distribuição de cartões-postais à Tereza / ruas de Itaparica/BA.
fotografias_ Kelvin Marinho.
dia cinco # o que ruiu de uma missão jesuítica, quando a Bahia dava à luz o Brasil, hoje é soberania gameleira
Podemos notar nos textos de Walter Benjamin, uma diferenciação clara entre dois tipos de experiência, pois são dois termos diferentes em alemão: Erlebnis, a vivência, o acontecimento, uma experiência sensível, momentânea, efêmera, um tipo de experiência vivida, isolada, individual; e Erfahrung, a experiência maturada, sedimentada, assimilada, que seria um tipo de experiência transmitida, partilhada, coletiva. A grande questão para Benjamin não estaria tanto no depauperamento da experiência vivida, da vivência, menos ainda na sua destruição, como em Agamben, mas na incapacidade de transfomá-la em experiência acumulada, coletiva (Erfahrung), ou seja, de transmiti-la. Benjamin relaciona diretamente a questão do empobrecimento da experiência – que não deve ser confundido com sua destruição – com a perda da capacidade narrativa. Para o autor, mais do que a experiência propriamente dita (em termos de vivência), era a arte de narrar que estaria em vias de extinção.
Paola Berenstein Jacques, em Elogio aos errantes.
Como acaba um amor? - Como, então ele acaba? Em suma, ninguém - exceto os outros - nunca sabe nada a esse respeito; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida segundo a eternidade. O que quer que aconteça com o objeto amado, quer desapareça ou passe à região Amizade, de qualquer maneira não o vejo nem mesmo desvanecer-se: o amor que acabou retira-se para um outro mundo, à maneira de uma nave espacial que pára de piscar: o ser amado ressoava como um estrondo, ei-lo repentinamente surdo (o outro nunca desaparece quando e como esperamos). Esse fenômeno resulta de um imperativo do discurso amoroso: não posso eu mesmo (sujeito enamorado) construir ate o fim minha história de amor: sou seu poeta (o recitante) apenas quanto ao começo; o fim dessa história, assim como minha própria morte, pertence aos outros; a eles cabe escrever esse romance, narrativa exterior, mítica. ... No transcorrer de uma vida, todos os "fracassos" de amor se assemelham (e com razão: todos eles procedem da mesma falha). X... e Y... não souberam (puderam, quiseram) responder à minha "demanda", aderir à minha "verdade"; não mexeram uma vírgula em seu sistema; para mim, um não fez senão repetir o outro. E contudo X... e Y... são incomparáveis; é em sua diferença, modelo de uma diferença infinitamente renovada, que extraio a energia para recomeçar. A "mutabilidade perpétua" (in inconstantia constans) que me anima, longe do esmagar todos os que encontro sob o mesmo tipo funcional (não responder à minha demanda), desloca com violência sua falsa comunidade; o errar não alinha, faz rebrilhar: o que se repete, é a nuança. Continuo assim, até o fim da tapeçaria, de uma nuança a outra (a nuança é o último estado da cor, aquele que não pode ser nomeado; a nuança é o Intratável).
O Navio Fantasma (Errância) - Fragmentos de um Discurso Amoroso - Roland Barthes
Errância
Só porque
erro
encontro
o que não se
procura
só porque
erro
invento
o labirinto
a busca
a coisa
a causa da
procura
só porque
erro
acerto: me
construo.
Margem de
erro: margem
de liberdade.
(Fontella, Orides; Errância)