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Nesta e na próxima postagem trataremos aqui um pouco sobre escalas musicais passando pelas escalas formadas apenas por notas naturais e também chegando nas escalas com notas acidentadas.
Nas postagens anteriores chegamos à conclusão de que existem sete notas musicais: DÓ - RÉ - MI - FÁ - SOL - LÁ - SI. E que essas notas são representações, ou seja, rótulos para determinadas faixas de frequência.
Vimos também que quando juntamos várias notas simultaneamente fazemos um acorde que, diferentemente de nota, é composto por vários sons simultâneos.
O que vale a pena lembrar é que existe uma série de possibilidades de sons entre uma nota e outra. Por exemplo, tomemos um Lá 440Hz. Após um Lá sempre vem um Si, e esse último vamos assumir que é um Si 493,88Hz. Entre esse Lá e esse Si existem 53,88Hz, ou seja, 53,88 outras possibilidades de sons separando essas duas notas. De fato nosso ouvido não é capaz de discenir todas essas frequências com grande nitidez [motivo pelo qual aliás agrupamos as frequências em faixas e damos um rótulo às suas médias] mas conseguimos sim perceber que existe um caminho percorrido e que por volta da metade do caminho, aproximadamente 466.16 Hz, podemos concluir que existe uma outra nota, e essa nota chamamos de nota com acidente. [Os valores em Hertz das frequência foram referenciados por esse link].
A esses acidentes podemos dar dois nomes: Sustenido [#] ou Bemol [b].
O primeiro é pra subir [sentido ascendente], e o segundo é para descer [sentido descendente]. Mas descer e subir no quê exatamente?
Nesse ponto precisamos pensar em escalas, que na verdade é como se fossem escadas onde cada degrau é uma média dessas faixas de frequências que conseguimos identificar auditivamente, e conforme mais agudo o som maior a sensação de altura.
Esse efeito pode ser constatado em desenhos animados por exemplo. Sempre que vemos um personagem cair, a cena é enriquecida com o acompamento de um som agudo que vai em direção ao grave, sentido descendente. Se a cena é o contrário, o principio sonoro é o mesmo só que no sentido invertido, do grave para o agudo, sentido ascendente.
E começam os nomes difíceis
Então até o momento tinhamos apenas a escala natural: Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si. A essa escala natural daremos o nome de escala diastêmica, que seria a diferenciação entre os sons de maneira segmentada.
“La teoría es el resultado de la observación hecha a una práctica. Los griegos crearon normas para hacer música, el sistema tonal, que determinaba las formas y posibilidades técnicas de la música. En sus comienzos, se definió una armonía musical compuesta por siete asuntos distintos: las notas, los intervalos, los géneros, los sistemas de escala, los tonoi, la modulación y la composición de melodías. Hacían una distinción entre el movimiento continuo y el diastémico para definir tanto las notas como los intervalos, o distancias relativas que las separan.”
[disponível em hagaselamusica]
Quando fazemos a confirmação de uma nota, chamaremos a escala de escala diatônica: DÓ - ré - mi - fá - sol - lá - si - DÓ. Ou seja, precisamos sempre começar e terminar a sequência em uma nota específica. Isso nos faz pensar que se só precisamos estabelecer uma referência, essa escala pode começar por qualquer nota desde que termine na repetição da nota inicial
[DÓ - ré - mi ... DÓ] ou ainda [RÉ - mi - fá ... RÉ] e assim por diante...
Mas e onde ficam os acidentes nessa história toda? Ficam numa outra escala, a escala cromática.
{Ascendente} Dó Dó# Ré Ré# Mi Fá Fá# Sol Sol# Lá Lá# Si Dó
{Descendente} Dó Si Sib Lá Láb Sol Solb Fa Mi Mib Ré Réb Dó
Note que os acidentes sempre pegam o nome da nota anterior independente se estamos indo de trás pra frente ou de frente pra trás, fazendo com que o som tenha um nome duplo ou seja:
Outra observação importante é que inicialmente vamos pensar que não existem ainda Mi#, Si#, Fáb e Dób [fenômeno conhecido por enarmonia] pois o som dessas notas coincidem com os sons de notas naturais, assim para não bagunçar os nomes que damos às notas naturais deixamos de lado esses acidentes.
{ascendente} ... Lá Lá# Si (Si# = Dó) Dó# Ré ...
ou ainda
{descendente} ... Sol Solb Fá (Fáb = Mi) Mib Ré ...
e assim nos demais casos...
Um bom exemplo da escala cromática é quando visualizamos o teclado de um piano, onde essa coincidência de nomes é representada pelas teclas pretas do teclado:
Imagem disponível nesse post que trata do mesmo assunto.
Em se tratando da escala diastêmica, já podemos nos desprender das grandezas númericas do Hertz, e começar a classificar musicalmente essa distância entre os sons, utilizando os termos tom e semitom [ou 1/2 (meio) tom].
Tom é uma palavra muito usual para diferenciar um som de outro. Podemos dizer que em cada tom cabem 2 semitons.
Começamos a partir de agora a pensar na escala cromática como sendo a visão em close das notas, separando-as por semitons e passando por todos os sons disponíveis na música ocidental. E temos a escala diatônica como uma visão mais panorâmica dessas notas.
E como já percebemos, é tudo muito cheio de detalhes, então aqui vai mais um: mesmo a escala diatônica sendo uma escala formada pelas maiores distâncias possíveis entre as notas, nos casos Mi-Fá e Si-Dó temos naturalmente a distância de semitom. Ou seja, na natureza os sons que nós classificamos como Mi é separado do som que chamamos de Fá pela distância de um semitom. O mesmo acontece com o caso Si-Dó. Podemos perceber isso na imagem a cima, onde no teclado do piano não existem teclas pretas as separando.
Modos Gregos [os modernos]
Antes de continuarmos nos acidentes vamos fazer um pequeno desvio. Podemos fazer música usando somente as notas naturais e, mesmo assim fazê-las parecer completamente diferentes. Conhecemos isso como música modal [vamos realmente ignorar por enquanto o conceito de transposição, ele será tratado futuramente].
Quando fazemos a definição de uma nota principal [diatonismo] temos por obrigação começar e terminar a escala nessa mesma nota. Mas como na natureza a distribuição de tons e semitons não são iguais, a sonoridade dessas escalas varia grandemente. Sendo assim, quando definimos uma escala por cada uma das notas naturais, temos os sete modos gregos:
Jônio - começando por Dó
Dório - começando por Ré
Frígio - começando por Mi
Lídio - começando por Fá
Mixolídio - começando por Sol
Eólio - começando por Lá
Lócrio - começando por Si
Obs.: Classifiquei como modernos pois na história da música temos outros modos musicais oriundos da grécia que antecedem o assunto aqui tratado.
Aqui um bom exemplo dessas sonoridades:
Ainda pensando nos modos gregos, temos dois modos principais na música ocidental, o Jônio e o Eólio. Esses dois modos tornaram-se a base de toda a música que ouvimos atualmente, e passarama a ser chamados de “modo maior” [Jônio] e “modo menor” [Eólio].
Mas agora já podemos fazer uma pausa no assunto e continuarmos na próxima postagem.