EUROPA JÁ TEM UMA LISTA VERMELHA DOS ESCARAVELHOS QUE AJUDAM AS FLORESTAS
Quase um quinto (18%) dos escaravelhos europeus que regeneram as florestas estão em risco de extinção, por causa do declínio das grandes árvores por toda a Europa, concluiu um novo relatório da UICN e divulgado nesta segunda-feira, dia 5 de Março.
Estes escaravelhos, que dependem da madeira morta pelo menos em parte do seu ciclo de vida, – como a vaca-loura (Lucanus cervus), o maior escaravelho europeu – ajudam a decompor e a reciclar nutrientes nas florestas, assim como os fungos. Também são uma importante fonte de alimento para aves e mamíferos e algumas espécies até são polinizadoras.
A 5 de Março foi apresentada a nova Lista Vermelha Europeia sobre os Escaravelhos Saproxílicos, feita pela União Internacional de Conservação da Natureza (UICN), com a ajuda de cerca de 80 especialistas. Este projecto, financiado pela Comissão Europeia e por um programa LIFE, avaliou o estatuto de conservação de 693 espécies (436 no ano de 2008 e 257 durante 2017).
Segundo a Lista Vermelha, 17,9% das espécies destes escaravelhos na Europa estão ameaçadas.
Para quase um quarto das espécies na Europa (168 espécies, o que representa 24,4%), não existe informação científica suficiente para avaliar o seu risco de extinção. Por isso, a proporção de espécies ameaçadas poderá ser entre 13,5% e 37,9%. Além destas, outras 89 espécies (13%) são consideradas Quase Ameaçadas.
Quanto às tendências populacionais, 89 espécies têm vindo a diminuir, 229 estão estáveis e 25 espécies estão a aumentar. Para 345 espécies não se conhece qual a tendência.
“O elevado número de espécies em risco de extinção reflete as pressões que temos efetuado sobre estes seres vivos e os seus habitats, enquanto que a falta de informação apresentada é um reflexo da falta de conhecimento que temos sobre eles”, contou ontem à Wilder.
“Se não soubermos sequer que eles existem, onde estão e como estão, é impossível realmente preservar estas espécies.”
Causas do declínio e conservação
Devido à sua dependência de madeira morta ou em decomposição, a perda de árvores na Europa é a principal causa do declínio das populações destes escaravelhos, salienta a Lista Vermelha.
Outras grandes ameaças incluem a urbanização, desenvolvimento turístico e o aumento na frequência e intensidade dos incêndios florestais na região do Mediterrâneo.
“Algumas espécies de escaravelhos precisam de árvores antigas, que levam centenas de anos a crescer, por isso os esforços de conservação precisam de se focar em estratégias a longo prazo para proteger as árvores antigas nas diferentes paisagens da Europa, para garantir que os serviços de ecossistemas vitais destes escaravelhos continue”, comentou Jane Smart, directora do Programa Global de Espécies da UICN, em comunicado.
E os escaravelhos em Portugal?
João Gonçalo Soutinho lamenta que Portugal seja um “mau exemplo para a conservação destas espécies”. “Não temos informação sobre quantas espécies existem, onde estão e como estão a nível de conservação.”
Mas a falta de informação não é o único problema. “Continuamos a apostar em medidas de gestão que não favorecem a sua conservação, como o abate de árvores de grande porte e limpezas florestais que removem toda a madeira morta existente.”
Além disso, recorda, os “incêndios que temos sofrido nos últimos anos são também identificados pela equipa coordenadora desta Lista Vermelha como uma das maiores ameaças na bacia do Mediterrâneo e por isso estes resultados podem ser bastante piores por cá”.
Saiba aqui o que pode fazer para ajudar os animais que regeneram as florestas.
Descubra aqui como pode criar refúgios para os escaravelhos.
Leiam o artigo na íntegra na Wilder.