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A capela, a Igrejinha e a Catedral
Como principal elemento representativo da fé cristã e presente em todos os Aldeamentos Jesuítas do início da colonização, foi construída junto à fundação do Aldeamento de Nossa Senhora de Pinheiros (1560), uma pequena capela em homenagem a santa padroeira daquela região, segundo o credo cristão. Não se sabe muito bem a data de sua construção mas estima-se que esse centro religioso seguia o mesmo estilo arquitetônico da Capela de São Miguel Arcanjo do aldeamento de São Miguel Paulista – a mais antiga igreja de São Paulo, datada de 1580. Feita de taipa, madeira e pedras, a Capela de Nossa Senhora de Pinheiros – possivelmente edificada sobre o mesmo local onde existia a Casa de Reza dos povos indígenas que ali se agruparam – era o símbolo da ocupação da Companhia de Jesus naquele e em outros tantos aldeamentos.
Naquele local foram realizados ensinamentos da doutrina cristã: rezar missas, batizados e catequeses com o objetivo de converter o “espírito selvagem do índio” à fé cristã. Segundo a pesquisa documental reunida no livro Bairro de Pinheiros (1), durante quase 100 anos a capela ficou a cargo da Companhia de Jesus. Porém, devido aos interesses políticos e religiosos da corte e à constante hostilidade entre os jesuítas e a população indígena – que se agravava desde 1611 – a administração da Capela e do Aldeamento foi entregue aos monges beneditinos em 1640. Eles, segundo atas da Câmara Municipal, foram responsáveis pela modificação do nome da capela, que passou a se chamar Nossa Senhora de Monte Serrat dos Pinheiros.
Desta capelinha, no entanto, não restaram vestígios materiais nem registros visuais. Sua existência pode ser comprovada apenas pelos documentos históricos encontrados em Atas da Câmara Municipal, reproduzidos no livro Bairro de Pinheiros de Antônio Barreto Amaral. Em 1843, os moradores da então freguesia de Pinheiros pediram à Câmara um templo para substituir a antiga capelinha, que se tornara pequena para o grande número de fiéis. O pedido foi aceito e em 1870 uma nova sede foi erguida com tijolos sobre alicerces de pedra, em terrenos do extinto aldeamento de Pinheiros.
Aquele templo existiu até o meados do século XX, quando foi demolido para a edificação da igreja atual de Nossa Senhora de Monte Serrat, inaugurada na década de 1950. Sabe-se que a primeira ermida – que pode ser observada nas fotografias que seguem – não se localizava exatamente onde está a atual Paróquia do Largo da Batata. Nas fotos que seguem, podemos percorrer o tempo e ver as rápidas mudanças que aconteceram nestas ruas em menos de um século. Como seria se ainda tivéssemos esta charmosa igreja?
*Raul Goldschmidt, 1908. Vista da pequena capela, que posteriormente foi expandida. Largo de Pinheiros, com ruas de terra. No fundo, a Rua do Comércio (atual Rua Butantã) e a Rua São João (atual Rua Paes Leme).
*Raul Goldschmidt, 1940. Vista da igreja já ampliada com a construção das duas torres, pouco antes da sua demolição. O bonde que fazia a volta.
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(1) AMARAL, Antônio Barreto; A História dos Bairros de São Paulo, o bairro de Pinheiros; Editora do Departamento de Cultura, 1969.
O Aldeamento Nossa Senhora de Pinheiros
Quem caminha pelas ruas do agitado Largo pouco sabe sobre a origem do bairro e as histórias pavimentadas sob a praça ou sob as ruas da região. Não é à toa, nada desse passado é visível aos olhos de quem frequenta Pinheiros nos dias de hoje.
Localizada em ponto nodal de convergência dos principais rios paulistas (Rio Pinheiros, Tamanduateí e Rio Tietê), a região sempre se configurou como caminho de passagem, muito antes inclusive dos portugueses chegarem por aqui. O célebre caminho do Peabiru – movimentada rota indígena que conectava a costa sudeste do Brasil ao sul do país e seguia até Paraguai, Bolívia e Peru –, cruzava a região onde hoje estão localizadas as atuais ruas Butantã, Paes Leme e Teodoro Sampaio.
Por esta mesma rota os portugueses subiram a Serra do Mar e chegarem ao planalto paulista, onde foi fundado o Pátio do Colégio em 1554. Forçados a deixar seu território, os indígenas que ali habitavam se deslocaram para outras regiões, assim formando as principais cidades e bairros da região metropolitana: São Miguel Paulista, Santo Amaro, Pinheiros, Carapicuíba, Barueri e M'boy Mirim. Parte desse grupo, aproximadamente mil indígenas do tronco tupi-guarani, se instalou na região próximo ao Rio Pinheiros – Pi-iêrê em tupi, que significa "derramado", em alusão ao transbordamento das águas que alagavam suas margens. Pouco tempo depois, sob a ordem da Coroa Portuguesa e sob o comando do Padre José Anchieta, foi fundado o Aldeamento da Nossa Senhora da Conceição de Pinheiros, em 1560.
Importante dizer que esse grupo que se instalou na região – se afastando do contato com os primeiros invasores – não viveu em uma aldeia (o que caracteriza seu próprio sistema de vida) e sim em um aldeamento. Aldeamento eram àquelas comunidades indígenas configuradas para receber a missão jesuíta, ou seja, um sistema de doutrinação onde o catolicismo e a cultura portuguesa eram impostos de maneira a eliminar a presença de suas culturas originárias. Pode-se dizer que em um primeiro momento, o apagamento da cultura indígena representava o sucesso dos aldeamentos geridos pela Companhia de Jesus e a continuidade da política de exploração e colonização da Coroa Portuguesa.
Evidente que durante os primeiros anos houveram muitos conflitos e tensões entre a população indígena e os jesuítas, que desejavam sobretudo convertê-los em bons cristãos. A certa altura a Companhia de Jesus não mais exercia um papel funcional para o projeto colonial, que almejava em um segundo momento a soberania dos colonos e a exploração da terra e da mão de obra indígena. Dessa maneira, toda a região de várzea de Pinheiros foi doada ao bandeirante Fernão Dias, conhecido como caçador de esmeraldas e que praticava brandamente a captura e escravização dos indígenas. Com a expulsão permanente da Companhia de Jesus da colônia, a tutoria religiosa do Aldeamento ficou a cargo dos Beneditinos, que em 1640 mudaram o nome da capela principal da aldeia, a apadrinhando de Nossa Senhora de Monte Serrate, nome da atual matriz existente na Igreja.
Os próximos anos foram marcados por uma perda gradual de suas identidades como grupo, intensificada entre 1730 e 1750 com diversas medidas advindas de Portugal, especialmente a partir da publicação do Diretório dos Índios. Neste conjunto, as principais medidas eram a proibição da língua geral – o nheengatu, uma mistura entre tupi e português que permitia a comunicação entre os povos – a obrigatoriedade do ensino de português e costumes cristãos, a alteração dos aldeamentos em vilas, a proibição da escravização e o incentivo de casamentos entre colonos brancos e indígenas. Frente a isso, muitos acabaram adaptando suas formas de vida ao catolicismo e a cultura imperial, em prol de sua própria sobrevivência. Pouco a pouco, os nativos do Aldeamento de Pinheiros se miscigenaram a ponto de não em poucas gerações não existir sinal de sua existência por ali, apenas uma pequena comunidade que, no início do século XVIII, contava apenas com 21 homens e 24 mulheres. Segundo as anotações do botânico e viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, que passou pela Vila de Pinheiros em 1819: "não existe mais nesta aldeia um único descendente guaianás. A população foi renovada e aniquilada".
Importante dizer que, apensar da triste história de dominação e aniquilamento dos povos que habitavam o território durante o período colonial, hoje os povos originários do Brasil – que contam atualmente com cerca de 305 diferentes etnias – continuam resistindo e lutando pela preservação e respeito de seus modos de vida. Além de resistir, os povos originários existem não apenas em suas comunidades e reservas, mas também no tecido urbano, basta observar. Hoje a população indígena no Brasil – apesar de suas dificuldades – segue crescendo e se configurando como o principal grupo que luta pela proteção da natureza frente a preocupante perspectiva de futuro que enfrentamos.
Memória na cidade: um território em disputa
Não é preciso muito para observar que São Paulo é construída sem descanso sobre a promessa do progresso e da novidade. Aqui não há espaço para refletir sobre o passado e a memória da cidade, e nesse sentido, o apagamento tornou-se uma importante ferramenta para a construção do novo, pois sem memórias e senso de pertencimento, esquecemos. Esquecemos que por debaixo do asfalto existem rios, esquecemos qual era a avenida, casa ou comércio que existia neste ou naquele espaço antes de serem como conhecemos. Esse esquecimento facilita para que outros rios continuem sendo asfixiados e outras casas, ruas e comércios continuem sendo derrubados.
Em nossa sociedade e principalmente no contexto urbano, a preservação do passado está intrinsecamente ligada ao que chamamos de patrimônio, seja ele material ou imaterial (artístico ou cultural). Em sua origem, a palavra patrimônio é formada por dois vocábulos greco-latinos: pater e nomos. Pater significa chefe de família ou, em um sentido mais amplo, antepassado. Nomos refere-se à lei, usos e costumes relacionados à origem, tanto de uma família quanto de uma cidade. Dessa forma, podemos associar patrimônio às heranças materiais ou imateriais deixadas como legado de uma geração para outra.
Normalmente construídos em homenagem à algum acontecimento ou personagem histórico, o monumento é a forma mais comum de patrimônio que encontramos em espaços urbanos. É possível identificar uma natureza afetiva neles, pois atuam na defesa contra o apagamento e a efemeridade da existência, assegurando um tempo e preservando uma determinada história.
O trilho do bonde e o próprio território do Largo da Batata configuram um pequeno recorte que leva a essas infinitas reflexões. A escolha de preservar o trilho como elemento arqueológico na nova configuração e arquitetura da praça, reflete um interesse em iluminar e iniciar um debate sobre a história do bairro. Porém é preciso fazer muito mais do que apenas instalar um trecho de bonde para se preservar a memória de um local e de um determinado grupo. É preciso pensar em ativá-lo em forma de ações educativas e de formação ao público, ou no mínimo, é preciso haver informação sobre sua existência e história. Sem este cuidado, a população seguirá não se relacionando com seus espaços e permitindo que mais memórias sejam apagadas dia após dia para a construção do novo, e o trilho – assim como tantos outros espaços, elementos e monumentos na cidade – seguirão sendo ruínas desarticuladas e mortas.
O Largo como centro cultural
Desde suas origens mais remotas, a região do Largo da Batata se caracterizou como local de passagem. Ao longo dos diversos momentos históricos, esse fluxo de pessoas se transformou, adequando-se às diferentes circunstâncias sócio-espaciais que se sucederam. Atualmente a população que frequenta o espaço corresponde sobretudo a trabalhadores que realizam um típico movimento pendular: de manhã vêm das ditas “cidades dormitório” à Oeste em direção ao centro e no fim da tarde retornam aos seus lares. Durante a noite percebe-se um público bastante diferente, predominantemente jovem que se reúne nos bares ao redor do Largo.
Antes da reforma que se estendeu de 2001 a 2013, a imagem do Largo da Batata era a de um lugar problemático, degradado e caótico. Tal percepção, contudo, apresenta um forte viés ideológico. Segundo Flávio Villaça, trata-se de um movimento especulativo em que as classes altas abandonam determinada região, a qual passa a ser ocupada pelas classes mais populares. Essa “decadência” justificaria as obras de requalificação e a consequente gentrificação do espaço urbano. A chegada da estação do metrô corrobora para este processo uma vez que não apenas melhora a questão da mobilidade, mas também traz consigo uma imagem de modernização e exclusividade.
Diante dessa realidade, a nova praça logo se tornou palco para diversas ocupações culturais e artísticas, passeatas e manifestações políticas, muitas vezes críticas ao violento processo de especulação imobiliária que pressionou e inviabilizou o comércio popular que ali se estabelecera, desde os tempos do primeiro “Mercado Caipira”. Iniciativas como “A Batata Precisa de Você” e “Batata Memo” buscam desconstruir essa memória falseada, associada à “ideologia da degradação”, num esforço para valorizar e recuperar as verdadeiras raízes deste local tão cheio de vida cuja história particular ajuda a contar a história da cidade de São Paulo como um todo.
fonte: “Largo da Batata: transformações e resistências”, dissertação de Daniel Ávila Caldeira.
Requalificação
A reforma do Largo da Batata inaugurou em São Paulo um inovador sistema de parceria entre os setores público e privado para financiamento de melhorias urbanas. A Operação Urbana Faria Lima foi implementada em 1995, quando teve início a venda dos Certificados de Potencial Adicional Construtivo (CEPACs). De modo simplificado, esse sistema permite vender ao mercado imobiliário o direito de construir edifícios acima do limite de altura estabelecido para a região. A verba obtida é então revertida pela prefeitura em investimentos para a cidade. Num primeiro olhar, esse artifício parece muito promissor. Na prática, contudo, cria-se um ciclo vicioso em que se acumulam investimentos imobiliários em áreas privilegiadas da cidade, que já dispõem de infraestrutura e acessibilidade.
Em 2001 a prefeitura lançou um concurso público em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) para a “Reconversão Urbana do Largo da Batata”. O projeto escolhido foi elaborado pela equipe coordenada pelo arquiteto Tito Lívio Frascino e destacava-se por apresentar um conjunto de soluções de fácil aplicação. Deste modo, criou-se uma imensa área livre ligando a Igreja Nossa Senhora de Monte Serrat até o terreno da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia. Propôs-se ainda a criação de um novo terminal de ônibus e a conexão entre as ruas Baltazar Carrasco e Sumidouro.
Durante o processo de construção houve uma série de ocorrências que atrasaram as obras, dentre as quais podemos destacar: o acidente na obra da estação Pinheiros do metrô; a descoberta de objetos de importância arqueológica sob os edifícios demolidos; e a retirada dos trilhos do bonde, desativado na década de 1950. As obras da estação Faria Lima tiveram início em 2004 e sua inauguração se deu em 2013.
Alvo de muitas críticas, a reforma foi acusada de ter tornado o local vazio e árido, com vegetação incipiente. Por outro lado, a experiência do vazio é extremamente incomum numa metrópole tão densa quanto São Paulo. O vazio pode ser opressor, mas também pode ser percebido como um convite para a ocupação e criação de um espaço público de fato, através de ações que atribuam sentido ao meio urbano e aglutinem a população em torno de manifestações culturais.
fonte: “Largo da Batata: transformações e resistências”, dissertação de Daniel Ávila Caldeira.
Mobilidade
Ao longo do processo de estruturação da metrópole paulistana, a região do Largo da Batata sempre se destacou como um local de muita vitalidade, caracterizada tanto como zona de passagem quanto de permanência. No ano de 1908 o bonde, que já circulava em outras regiões de São Paulo, passou a ligar o bairro de Pinheiros até o Largo de São Bento, no centro da cidade. Antes disso esse era um árduo trajeto, visto que um relevo íngreme separava ambas regiões. Tal conexão só se tornou possível com obras de aterramento dos trechos de brejo da Rua Teodoro Sampaio, permitindo a instalação dos trilhos.
Na década de 1940 as estradas percorridas por ônibus se tornam cada vez mais mais numerosas. Nos anos 60 o então Largo de Pinheiros já era um centro nodal de irradiação e convergência de linhas. Foi apenas em 1957 que Pinheiros passou a ser atendido também pelo transporte ferroviário. A Estrada de Ferro Sorocabana inaugurou um ramal ligando a Vila Leopoldina a Jurubatuba, acompanhando a Marginal Pinheiros.
O grande fluxo de pessoas que passava diariamente pela região acabou conformando um cenário caótico de casas comerciais, bares, oficinas mecânicas, casas de prostituição e muitos, mas muitos vendedores ambulantes que negociavam desde produtos nordestinos até artigos eletrônicos. A partir dos anos 50 a migração da Região Nordeste para São Paulo se acentuou, proporcionando o surgimento de inúmeras casas de forró. Algumas delas voltavam-se principalmente para o público de trabalhadores nordestinos, enquanto outras focavam no “forró universitário”.
Na década de 1970, após a abertura da Avenida Faria Lima, a prefeitura inaugurou o terminal de ônibus de Pinheiros numa primeira tentativa de “organizar” a situação. Foi nesse momento que se oficializou o nome Largo da Batata. O terminal permaneceu até o ano de 2005, quando foi desativado para dar espaço às obras de construção da Estação Faria Lima do metrô, a qual viria a ser inaugurada em 2010, mudando drasticamente o perfil do Largo num intenso processo de gentrificação. Foi também neste período que se acentuou a repressão ao comércio informal.
fonte: “Largo da Batata: transformações e resistências”, dissertação de Daniel Ávila Caldeira.
Origens
A história do Largo da Batata remonta tempos muito antigos, que precedem a chegada dos colonizadores portugueses. A região, atualmente localizada no coração do bairro de Pinheiros, fazia parte de uma importante rota indígena que ligava a costa sudeste ao sul do Brasil e também ao Paraguai: a Peabiru. Seu caráter de “centro de irradiação de caminhos” já se manifestava desde então. Seguindo aproximadamente o trajeto das ruas Butantã e Pinheiros, a Peabiru atravessava o Rio Pinheiros em sua porção mais rasa e estreita. A existência da rota certamente contribuiu para que ali se instalasse o aldeamento que daria origem ao bairro, através do qual passava um grande fluxo de viajantes e mercadorias.
No ano de 1910 foi inaugurado o Mercado de Pinheiros ou, como era popularmente conhecido, o “Mercado dos Caipiras”. Gêneros agrícolas provenientes de municípios como Cotia e Itapecerica da Serra abasteciam os bairros vizinhos. Além disso, o mercado funcionava como entreposto para locais mais distantes da cidade de São Paulo. As batatas produzidas por agricultores japoneses eram tantas que acabaram por dar o nome da região, que permanece até os dias de hoje.
Em 1927 os produtores rurais organizaram a “Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada dos Produtores de Batata em Cotia S. A.”, que, posteriormente daria origem à “Cooperativa Agrícola de Cotia” (CAC). Tamanho era o sucesso do empreendimento que logo foi possível comprar um terreno de 10 mil metros quadrados para a construção de um novo depósito. Atualmente este terreno ainda é uma propriedade privada, que permanece cercado por tapumes grafitados no Largo da Batata. Existem rumores de que será construído um shopping no local, mas nada se confirma a respeito.
As transformações urbanas que se seguiram após o período de ouro do comércio agrícola em Pinheiros fizeram com que, nos anos 60, a CAC fosse transferida para a região do Jaguaré, próximo da CEAGESP. Em 1971 um novo mercado foi inaugurado na Rua Pedro Cristi, mas este nunca alcançou semelhante sucesso. No ano de 1994, em meio a um período de forte crise econômica, a CAC vai à falência.
Na década de 1960 Pinheiros já constituía um bairro típico de classe média alta, repleto de sobrados. Alguns deles sobreviveram até os dias atuais. O crescimento demográfico mudou as feições da região, fazendo com que o Largo da Batata se tornasse o centro de comércio varejista e de serviços tal como o conhecemos atualmente.
fonte: “Largo da Batata: transformações e resistências”, dissertação de Daniel Ávila Caldeira.