Sinto um frio que se instala adentro.
Minha mão que tentou te agarrar agora parte em sangue, parte em pedaços, de parte em parte.
O frio da lâmina atravessou os meus dedos e penetrou minha pele, cortando o mal que ela desejava fazer. A justiça veio para quem tanto necessitava. Alguém terá que pagar pelo erro do homem, não há nada melhor que o próprio homem para isso.
Eu queria que ela acertasse meu braço, na verdade eu queria muito que ela acertasse meu pescoço, eu ansiava pelo sangue escorrendo por minha pele, pingando no chão e melando minhas mãos, abraçar ela nos últimos suspiros com vontade de dizer que a amava e sujando seu vestido preto, tocando seu rosto tentando sorrir ao ver que ela sorria também. Eu teria vivido para isso, e me faria uma morte desejada.
Agora mesmo sinto saudades do momento de adrenalina em que estávamos, eu havia te feito algo ruim e estava disposta a me acertar com uma faca, eu que já havia começado aquilo, me vi na possibilidade de morrer por um bom motivo. Quis entrar na brincadeira e senti sem nem sentir. A faca mexeu rapidamente e cortou sem nem ver.
Eu fiquei admirado, impressionado e curioso, aliás, o que vai acontecer agora?
Já não era uma discussão era um ataque. E ataques não cessam sem uma guerra.
Não pude conter o frenesi, não estava disposto a esfaquea-la de volta, mas estava disposto a fazer com que ela continuasse com o esfaqueamento. E não queria só um ou dois eu queria morrer. Ser esfaqueado até a morte.
Mas ela não estava mais querendo brincar. Ela não faria isso por mim, eu não mereço morrer.
Terei de sofrer vivo, aqui.