O PRAZER DA ESCURIDÃO
Fugir parecia a única opção. Deixar pra trás o passado, o medo, e o nome que não me pertencia mais. Eu só queria paz, uma chance de começar de novo, longe de tudo que me lembrava dor.
Mas então ele apareceu.
O tipo de homem que não pede espaço — ele o ocupa. Seu olhar frio e minucioso, tinha o poder de silenciar o ar ao redor. Em pouco tempo, ele virou minha fuga em prisão, minha liberdade em cativeiro. Cada palavra sua era uma ordem disfarçada de carinho, e cada toque, uma promessa perigosa que eu não sabia se queria ou temia cumprir.
Eu deveria odiá-lo. Deveria lutar contra as mãos que me prendem, contra o domínio que me sufoca. Mas quando ele me olha daquele jeito — como se enxergasse o que nem eu mesma consigo encarar, tudo dentro de mim se desmonta. É como se minha resistência fosse feita de vidro, e bastasse uma única palavra sua pra me fazer quebrar.
A dor se mistura ao desejo, o medo se torna um vício, e eu já não sei mais onde termina o controle dele e começa a minha rendição. Há algo nele que me consome e me acalma ao mesmo tempo, uma contradição que me destrói e me completa.
Logo eu, que um dia quis liberdade, agora imploro silenciosamente para que ele nunca me solte.
Porque a verdade é cruel e doce: eu não quero escapar. Quero afundar mais fundo nele, nas sombras que ele criou para mim, no martírio que, de alguma forma obscura e inexplicável, aprendi a amar.
Ana Luiza













