A obsessão, ou a loucura por constrangimento, é, sem dúvida, uma das mais tremendas desgraças que poderão atingir o ser humano. Constitui provação, na maioria dos casos de expiação, resgate doloroso e humilhante daquele que, no passado ou mesmo na existência vigente, andou ultrajando a Lei do Criador com atos criminosos contra o próximo. A obsessão é o desespero que envolve a criatura, a alucina e deprime, sujeitando-a às mais deploráveis consequências, até a queda moral e mesmo o suicídio. O maior antídoto contra a obsessão, porém, é a prática dos mandamentos da Lei de Deus. Aquele que a esses mandamentos observa, com as virtudes adquiridas, estará imunizado contra as investidas obsessoras dos infelizes a quem o ódio inveterado, o despeito, a inveja ou a vingança jungiram às trevas. A ação obsessora, contudo, somente será exercida se o obsidiado, pelas suas qualidades morais inferiores se igualar-se, vibratória e moralmente, ao seu antagonista desencarnado. Sua cura, como vemos, será difícil pois que exigirá reformas morais acentuadas, e a reforma do caráter de uma criatura é obra de séculos, não de dias ou de meses, como muito de nós vimos presumindo
Algumas vezes, para que haja ensejo de o obsidiado procurar renovar-se moral e mentalmente, em busca de cura, o obsessor pode ser constrangido a afastar-se. É a misericórdia do Alto em ação salvadora, abrangendo os litigantes. Se porém o obsidiado conserva-se relapso e não se aproveitar o ensejo bendito para se melhorar, e se o obsessor, nesse espaço de tempo, por sua vez, não tomar resoluções regeneradoras que o convençam de que é preciso perdoar e esquecer o passado, porque a vingança perpetua o crime sem consolar o vingador e remediar o passado, a aproximação dos dois adversários far-se-á novamente e, frequentemente, tornar-se-á mais violenta do que o era antes. Daí poder-se-á concluir que são dois criminosos em litígio, duas almas infelizes que se punem e castigam, pois o obsessor é tanto ou mais desgraçado do que o obsidiado, e que ambos sofrem porque querem sofrer. A bondade do Alto, sempre atenta, socorre geralmente essas duas ovelhas transviadas. Mas, raramente é entendida. Comumente, então, o litígio continua no mundo espiritual, espraia-se em situações inconcebíveis aos seres humanos cujos sentimentos equilibrados jamais passaram por este estágio de trevas. Do mundo espiritual retornam os litigantes, então, à reencarnação: são irmãos consanguíneos, são país e filhos ou mãe e filhos que se detestam, cujo lar é o inferno em que estagiam, mas cujas vidas atadas no ergástulo da convivência diária e do dever, tendem a modificar-se, marchando para a reconciliação necessária, porque a lei que rege os Espíritos, filhos de Deus, é o amor e progresso, que impelem a perfeição.
Convém que estas coisas sejam ditas aos homens para que, algum dia, venham eles a aprender que será mais fácil e meritório amar que odiar, perdoar que vingar, esquecer as ofensas que sofrer indefinidamente, recordando-as, evitar a obsessão, portanto, do que praticá-la ou sofrê-la, pois, repetimos, uma vez sendo-lhe dado livre curso, ela exigirá séculos para se extinguir.
Livro Drama da Bretanha/ por Yvonne A. Pereira/Charles. Pgs 89-90.