Nascer no Brasil: A doula e a realidade obstétrica brasileira
A aula inaugural da turma 2019-2020 realizada no auditório da escola Joaquim Venâncio foi aberta a outras pessoas interessadas na doulagem.
Inicialmente a coordenadora Janaína apresentou a cartilha criada para apoio a gestante escrita em parceria com a Defensoria Pública.
Em seguida a pesquisadora Silvana Granado (ENSP/Fiocruz) apresentou os dados e informações obtidas a partir da pesquisa Nascer no Brasil realizada em 2018, uma quantidade significativa de conhecimentos sobre a realidade da violência obstétrica no Brasil.
Pesquisa densa e detalhada sobre a realidade do parto a partir do relato de diversas brasileiras. Difícil escolher parte do que foi ouvido ao longo da explanação. A sensação era um misto de incomodo e desvelamento. Ainda não sou mãe e no meu círculo social tenho poucas amizades próximas que passaram pela experiência da gestação e da maternidade. E , até então, não havia discutido e compartilhado questões e conversas com aquelas do meu contato cotidiano.
A violência obstétrica é silenciosa e profundamente enraizada entre as práticas médicas. Chegou o dia de conhecê-las, chamá-las pelo nome, esclarecer que, parte do que é considerado um auxílio a parturiente é, na verdade, um protocolo, uma convenção, uma prática rotineira que violenta seu corpo e sua cria.
Penso em quantos lugares passei, nas aulas de ciência e biologia durante o ensino médio, nos atendimentos de saúde em ginecologistas, e mesmo nas formações feministas e não obtive informações tão precisas e abertas. A educação sexual fica restrita a métodos de contracepção e ignora todas as demais questões que envolvem a saúde da mulher.
Além disso, só contempla o gênero feminino, não é comum falar de contracepção e gravidez para homens, o que os exclui de todo debate desde o início. Saber sobre os nomes dos procedimentos, os tipos e formas com que são realizados é combater a reprodução das práticas tão invasivas e agressivas.