âA eternidade que mora em vocĂȘâ
Eu te amo como quem ama o pĂŽr do sol que nunca se repete. Te amo com a delicadeza de quem sabe que tudo Ă© finito, que cada instante Ă© uma linha que se apaga no vento, e ainda assim, escolhe escrever mil vezes o mesmo nome na areia, mesmo sabendo que o mar vem.
VocĂȘ Ă© o poema que o universo escreveu em silĂȘncio, costurado nas entrelinhas dos meus dias. Tudo em vocĂȘ tem o cheiro de casa, de abrigo, de eternidade disfarçada de abraço. E ainda assim, carrega a beleza triste das coisas que sabemos que podem partir, das flores que murcham mesmo depois de terem sido perfeitas em sua breve primavera.
Se eu pudesse, congelava o tempo no instante exato em que seu olhar encontrou o meu. Naquele segundo, o mundo inteiro parou de girar â e talvez ainda esteja parado, porque desde entĂŁo, tudo que Ă© fora de vocĂȘ me parece borrado, distante, quase irreal.
Mas amar vocĂȘ Ă© tambĂ©m saber que o amor mora no risco, no abismo, na incerteza. Ă carregar no peito uma saudade que Ă s vezes dĂłi mesmo quando vocĂȘ estĂĄ aqui â saudade do agora que escorre, do toque que passa, do sorriso que dura menos que o suspiro que o acompanha.
VocĂȘ Ă© minha tempestade e minha calmaria. Meu refĂșgio e meu vendaval. Meu amor Ă© feito de contradiçÔes, de medos, de desejos que nunca se saciam, de promessas que o tempo nĂŁo ousa quebrar, porque sĂŁo feitas nĂŁo de palavras, mas de pele, de olhar, de silĂȘncio que grita.
E se um dia tudo acabar â se o universo se desfizer, se os relĂłgios pararem, se a vida me arrancar de vocĂȘ â que fique escrito, nos livros que ninguĂ©m lĂȘ, nas estrelas que ninguĂ©m alcança, que eu te amei. Te amei de um jeito tĂŁo inteiro, tĂŁo absurdo, tĂŁo desesperadamente bonito, que se o amor fosse matĂ©ria, haveria de pesar toneladas.
E talvez, quem sabe, seja esse o segredo: amar Ă© carregar um pedaço da eternidade no peito, mesmo que doa, mesmo que arda, mesmo que um dia acabe. Porque, enquanto dura, o amor â o verdadeiro â Ă© tudo o que somos. E tudo o que seremos, enquanto o universo permitir.