Ficar dois meses sentada numa cadeira de hospital, saindo apenas uma hora por dia por insistência das enfermeiras, fitando Vasily desacordado, não era exatamente a coisa mais fácil do mundo. Principalmente porque a última coisa que havia dito ao vampiro era que o odiava. É claro que não era verdade, só estava cansada das implicâncias e brigas bobas o tempo todo. Pareciam um casal de idosos. É ela só queria que ele acordasse para poder dizer que não o odiava. Queria sorrir de novo, porque não o fazia desde que fora avisada que ele estava no hospital.
Depois de alguns dias no hospital, Evye acabara pegando o costume de falar com Vasily, pensando que talvez isso ajudasse em alguma coisa. Quase não havia mais o que falar. Já havia contado coisas que geralmente não contaria, inventado história, lido livros inteiros. Falava das pessoas que vinham visitá-lo, que não eram muitas, reflexo das poucas relações que o vampiro tinha. Já havia, também, buscado vários tipos de seres. Bruxas, anjos, demônios, ninguém ousava meter os dedos no homem que o tal demônio havia espancado. Ninguém além de Evye, que cansara de ir bater na porta do rapaz possuído,esperando encontrar o culpado por aquilo.
Aquele tempo ali era extremamente entediante, por isso sempre estava com alguma coisa na mão. Um livro, o celular, o computador, qualquer coisa servia. O bloco de notas e o lápis tornaram-se seu objetos preferidos. Daquela vez, como em todas as outras, estava desenhando Vasily. O rosto de que se lembrava, não o de olhos fechados e mais pálido que o habitual. Um sorriso singelo, os olhos brilhantes, o Vasily que ela queria ver de novo.













