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I fell in love with Federico II when they start calling him "the Antichrist"
Faddy
No more faddy diets as humans will be fitted with ‘skin-embedded sensory devices’ They then track our breath and biometrics to the exact micronutrients and vitamins we need each day individually.
26
Alyara | Elenora
Sam e Edna nos levaram até a residência que tinham invadido para se estalar até conseguirem um lugar melhor. Faddy havia contado a Alyara que este fora o lugar aonde Gemma tinha ido meses antes em busca de aliados, e agora haviam retornado. Não existia animação para conhecer “os do norte”, como se referira o amigo, eles eram mais radicais do que os do sul. Conforme se aproximavam, o aglomerado de pessoas se fazia. E então, Gemma surgiu afobada. - Franklin! - gritou ela correndo na direção dos 4, abraçando o filho - Nunca mais faça isso, garoto! - Não posso prometer, Gemma. Ela apenas lhe enviou um olhar alerta e voltou-se para Alyara. - Querida! - ela a abraçou - Que bom que estão bem. - Faddy sabia para onde estávamos indo. - contou Alyara sorrindo - Por isso chegamos rápido. - Claro que sabia! - Gemma bagunçou o cabelo do menino - Agora venham, devem estar famintos. - Nós vamos voltar para caçar nossa refeição de amanhã, Gemma. - anunciou Edna - Já que Sam me fez perder uma coruja. - Ei, você quem quase me matou com uma flecha e a culpa é minha? - se defendeu ele. - Sim! - ressaltou ela. - Vou com vocês. - disse Faddy - Eu estou bem, mãe, sério. Gemma encarou relutante, e o olhar de Alyara era apreensivo. - Leve a Lyra para comer algo, voltamos logo. - continuou ele. - Não, eu vou com vocês! - Alyara protestou. - Não seja teimosa, Lyra. - Faddy balançou a cabeça - Iremos rápido. Já volto. Ela apenas o encarou emburrada. - Não demoro, está bem? - Faddy a tocou no queixo, trazendo seus olhos para si e a surpreendendo - Vai sobreviver sem mim por algumas horas. Ela pensou em reclamar por conta do “algumas horas”, mas permaneceu paralisada. Quando enfim ele levou os dedos para longe de seu rosto, ela pôde soltar uma última frase: - Tome cuidado. - ele assentiu pegando uma espingarda com um dos amigos, atrás de Gemma. E então, partiram deixando Alyara para trás. Gemma a levou para dentro.
*
Alyara já tinha comido, e sido levada, por Elenora, para o quarto onde ficaria. Dividindo-o com sua amiga, Colette, e Valkirie, uma das garotas da antiga toca. Colette estava desenhando algo do outro lado do quarto, com seus lápis e Valkirie nem ali estava. Alyara estava ao lado da janela, em sua cama, sentada sobre as pernas e olhando para fora. Dava para ver o campo dali, não a floresta, infelizmente. - Eles vão ficar bem, Alyara. - disse Colette um tanto entediada - Eles são os melhores. - Faddy disse que não demorariam. - Alyara mordeu o lábio inferior virando-se para ela. - Isso depende dos animais. Ela não respondeu, apenas voltou os olhos para fora. - Vamos, Faddy! - sussurrou para si mesma, passando os dedos pela estaca que Faddy tinha lhe entregado mais cedo e subindo os mesmo para seu colar. Nada. Passaram-se alguns minutos até algo estranho acontecer, uma pequena claridade? - O que é aquilo?! - ela sussurrou mais uma vez, forçando os olhos. O barulho da porta do quarto abrindo assustou Alyara, que voltou-se para a silhueta agora presente no quarto, Valkirie. - Calma lá, loirinha! - ela riu - Sou só eu. - Ela está nesta janela há muito tempo. Alyara abriu a boca para protestar, e então ouviu o barulho alto. Longe, porém alto. - O que... - Valkirie e Colette voaram para o lado de Alyara, e olharam para fora da janela assustadas. - Sem dúvidas veio da floresta. - alertou a mais velha. Alyara trocou um olhar apavorado com ambas e saltou da cama as empurrando para o lado. - Alyara, onde você está indo?! - gritou Colette. - Eu não posso deixar eles lá. - disse ela da porta. - E o que você pode fazer?! - Valkirie ergueu a sobrancelha. - Mais do que ficar sentada esperando por notícias! - e correu. Mesmo com as pernas bambas, ela correu em busca de armas e achou uma bem grande e pesada, e perigosa, numa sala, que vira mais cedo. - Onde você pensa que vai com isso, Alyara? - era a voz de Kyle, um dos guardas. - Na floresta. - respondeu ela, prendendo a arma debaixo do braço - Tem algo errado. - Nem pensar. - ele balançou a cabeça - Você nem sabe como usar essa arma. - Eu posso aprender. - Não creio que dará certo. - Bem, eu não pedi sua permissão, Kyle. - disse ela tentando passar, mas foi barrada. - Não posso deixar que passe. - reforçou ele pegando a arma. - Mas eu vou passar mesmo assim. - ainda segurando a arma, ela a empurrou para cima, batendo em seu queixo, foi o momento da fuga perfeita pelo corredor. Pessoas se assustaram ao vê-la com a bazuca, mas pouco ela importava, continuou correndo. - Alyara! - Elenora gritou, mas não a interrompeu. Alyara correu pela cidade fantasma, depressa e sem medir forças, ou falta delas. Antes mesmo do primeiro clarão e barulho estridente ou sentir o chão tremer, ela já estava em frente da floresta. Quando enfim, estava pronta para entrar, pela qual correra tanto para alcançar, faróis brilharam atrás dela, fazendo o contorno de sua sombra. Virou-se encontrando Elenora. - Você é maluca, garota? - Elenora saltou com alguns guardas. - Preferia que eu os deixasse morrer? Ela não respondeu, e Alyara não ficou para ouvi-la, apenas continuou correndo, entre as árvores, e conforme se aproximava o som, o cheiro e o barulho se amplificavam. Haviam muitos guardas ali, cerca de uns 20, e eles estavam procurando por algo, provavelmente por Sam, Faddy e Edna, que não estavam ali. Tinham soltado bombas, o solo estava queimado em alguns pontos à frente, dava pra ver por conta das lanternas que eles tinham presas nos ombros. Ela continuou ali abaixada, até sentir uma mão agarrando seu braço. Pensou em gritar, mas teve a boca bloqueada pela mão de Elenora. - Shhh! - pediu ela levando o dedo indicador da outra mão aos lábios. Alyara não disse nada, apenas se manteve calada enquanto os guardas passavam. - Temos que achar Edna, Sam e Faddy antes deles. - Jura? - Alyara a encarou - Onde estão os seus guardas? - Nos espalhamos. - ela respondeu - Agora venha comigo, vamos procurar também. Ainda abaixadas, elas se moveram pelas árvores. Seguraram-se em um dos galhos depois do impacto quente, cegante e barulhento. Elenora olhou para o céu alerta e voltou-se para Alyara. - Temos pouco tempo. - alertou ela apontando para o céu - Daqui a pouco começará a clarear e será pior para nós nos escondermos. Vamos. - O que eles estão fazendo aqui? - quis saber Alyara - Como nos acharam? - Se tratando do Renê, nada me surpreende. - de onde estava, ela percebeu um movimento em uma das árvores. Alyara a seguiu. Com a proximidade, identificaram Edna. - Meninas? - ela saiu das sombras e se uniu a elas - Eu perdi os meninos, eles estão escondidos, provavelmente. - Viram vocês? - quis saber Elenora. - Acho que não. - ela negou - Estávamos caçando e ouvimos uma explosão, tentamos correr mais vimos os homens fardados, eram muitos e vieram depressa, nos escondemos e eles começaram a soltar mais bombas... Ouviu-se um alvoroço atrás de nós, e os primeiros tiros começaram. - Faddy e Sam! - me desvinculei delas e disparei sem destino certo. - Alyara! - as duas gritaram, e ela as ouviu correrem atrás dela, mas sua atenção estava voltada para a correria em volta da floresta. Quando Edna e Elenora a acharam novamente, ela já estava fazendo o inesperado. - Parem! - todas as luzes se voltaram para ela - É a mim que vocês querem, não aos meus amigos. Me levem. - Não! - foi o grito de Faddy, que apareceu junto de Sam, que segurava o braço, aparentemente ferido. Os guardas se voltaram para os dois prontos para atirar. - Não! - ela gritou de volta desesperada, quase se rasgando - Por favor, não! Por Deus, não atirem neles, por favor, por favor! - ela implorou - Sou Alyara Pepper. - ela jogou sua arma no chão aos meus pés - Seu líder me quer. Renê Carlson. Levem-me então. Palmas foram ouvidas, e os guardas se viraram. A sombra caminhou, caminhou, caminhou... - Ora, ora! - era ele, ela reconheceria aquela voz arrepiante de qualquer lugar - Nos encontramos mais cedo do que imaginei, menina. Você pode até ter me expulsado da sua mente, mas eu ainda posso assombrá-la pessoalmente. Os guardas não a deixariam chegar até Faddy, então se conteve e apenas encarou a imagem de Renê saindo das sombras, como um monstro vindo à tona. - Você é muito tola, minha querida. - ele riu. - Não se aproxime dela! - gritou Faddy - Venha me pegar, eu era o alvo dos seus guardas. - Vocês não me interessam. - Renê tocou uma mecha do cabelo dela, e a pele do queixo. Faddy, se contorceu de nojo, ela percebeu. - Temos assuntos para resolver antes de eu atirar na sua cabecinha loira.
~~ Edna cutucou seu ombro, de onde estavam eles não podiam vê-las. - O que foi? - indagou se voltando para ela. - Está vendo aquilo? - ela apontou e Elenora forçou os olhos para ver o que ela estava vendo. - A bomba não detonou. - reparou - Por que não detonou como as outras? - Talvez tenha sido programada. - Merda! - praguejou Elenora - Mande um rádio para a Gemma, agora. Alyara está o atrasando, ela não se entregaria. Avise que Renê está aqui com os guardas. Vamos contra-atacar. Edna assentiu e se afastou. Elenora aproximou-se da bomba, de fato, tinha sido programada. 5 minutos. - Aguenta firme, Pepper. - a segurou firme, o dispositivo cabia na sua palma. Quando Edna retornou, faltavam 2 minutos e 30. - Quando faltar meio segundo. - avisou - Esteja pronta para correr quando eu lançar, e torça para eu não acertar nenhum guarda. Edna assentiu e as duas manteram os olhos no cronometro. ~~
- Eu não sei onde os meus pais estão. - disse Alyara, arrastado. - Ah, eu não me importo com Laurent e Reese, minha cara. - ele sorriu - Estou mais intrigado com você. Ela permaneceu imóvel, mas desviou os olhos quando os dedos dele alcançaram a corrente em seu pescoço. - Aqui está. - ele puxou a corrente em sua direção, fazendo Alyara bater as mãos e braços contra o peito dele - Essa é a sua kriptonita. Ele a sufocou, forçando a corrente, que agora se fechava em volta do pescoço. Alyara sentia o ferro se fechar. Faddy assistia de longe, a garota que amava batendo as mãos contra o homem enquanto tossia e perdia o ar, a pele ficando vermelha, os olhos arregalados... - Talvez o prazer maior seja vê-la morrer em minha frente. Mesmo com a situação, ela se concentrou, esquecendo a falta de ar e sorrindo. - Você vai perder essa guerra. - ela se engasgou - Não importa quantos tenham que morrer, nós vamos ganhar. Nada mais saiu, ela apenas fechou os olhos, enquanto as lágrimas desciam. O som ensurdecedor se fez, fazendo com que Renê a largasse. O impacto, foi grande e a jogou longe assim que ela agarrou sua bazuca, que a pouco estava no chão. Abriu os olhos com os braços de Faddy a puxando para cima, deveria ter ficado inconsciente por alguns segundos, até enfim ser alcançada. Ao encontrar-se de pé, ela aceitou os braços de Faddy em torno de seus ombros, a puxando. Somente quando segurou firme a arma, de pé, foi que percebeu que Sam tinha um dos braços sobre os ombros de Elenora, e Edna os seguia depressa, dando cobertura. Estavam todos ali. Estavam quase chegando à toca, seus pés tocaram o asfalto, mas o corpo de Sam não aguentou e despencou, contra o chão. Elenora se jogou ao lado dele, caindo de joelhos e tentando reanima-lo, mas ele encontrava-se inconsciente e pálido, tinha perdido sangue demais. - Sam! - gritou ela tentando levantá-lo - Sam! Pelo amor de Deus, acorde! Samuel! Faddy o tomou nos braços, mas assim que se levantou, com as mãos de Elenora ainda em seu pescoço, sentido a pulsação dele, os guardas os alcançaram. Alyara e Edna tomaram a frente, empunhando suas armas para eles, a bazuca e o arco e flecha. - Atirem! - ele gritou sedento, de uma distância pequena. Atiraram. Mas nenhuma bala os acertou, apenas voaram no ar e quicaram contra a pele deles. Alyara e Edna abaixaram suas armas surpresas e um tanto chocadas, não entenderam até ouvirem a voz de Gemma. - Perdão, Renê! - anunciou ela acompanhada de vários dos seus, incluindo Colette e Valkirie - Mas essa área é nossa agora, e não é bem-vindo aqui. Ele, tão surpreso quanto os outros, recuou. - Vai ter volta, Collins! - ele rebateu - Vai ter volta para todos vocês! Vai se arrepender, Alyara! Ganhou um inimigo para o resto da vida! - Vá para o inferno, desgraçado! Ele riu enquanto os guardas recuavam. - Você está muito ferrada, menina! - Chega de ameaças. - se pronunciou Gemma, atirando uma bomba contra eles, ela explodiu longe, próxima dos guardas que já estavam correndo dali - Corram como covardes! Todos se foram. - Mãe, o Sam... - ela apressou-se e com a ajuda do guarda, com quem andava para cima e para baixo agora, o guarda o levou dali e Elenora o seguiu, branca como um papel e nervosa. - Está bem? - Gemma se aproximou de Faddy e tocou seu rosto. - Estou. - respondeu ele com os olhos fechados enquanto ela passava as mãos trêmulas por sua testa, afastando os fios negros molhados de suor. Eles se abraçaram e Gemma voltou-se para Alyara. - Me dê isso. - ela entregou a bazuca - Foi muito corajosa, querida, mas não faça mais isso, está bem? Alyara assentiu em silêncio. - Como fez aquilo? - indagou ela enquanto Gemma caminhava de volta para a toca - Era para termos sido atingidos por aqueles tiros. - Proteção. - disse ela apontando para o ar - Blindamos toda a área, como fizemos antes com o som na outra toca, reforçado agora, nenhuma arma inimiga pode acertá-los daqui. Não houve mais nada depois disso. Gemma se foi, deixando apenas Faddy e ela ali. - Faddy, me desculpe por... Ele não a deixou completar, a envolveu e apertou contra o seu peito com os braços em sua volta. Ela respirou contra a roupa molhada dele, aliviada por estar nos braços dele, por poder tocá-lo depois de achar que nunca mais poderia fazê-lo. Ela sentia as lágrimas dele molhando seu rosto, estava amanhecendo agora. Ela quis se afastar, mas foi no pensamento, pois o aperto dele não afrouxava, pelo menos não nos primeiros minutos, que pareceram horas. Ele a soltou, mas ainda tinha as mãos leves em seus braços. - Eu tive tanto medo de te perder hoje. - disse ele piscando rapidamente. - Está tudo bem agora. - ela deu dois passos para frente e passou os polegares pelas bochechas dele, limpando os rastros das lágrimas - Eu estou bem, você está bem. Ele forçou um sorriso. - Lyra, eu preciso te dizer algo, algo que eu já devia ter te dito antes, mas eu tive medo. - sua testa tocou a dela, e as respirações relaxaram ambos - Eu tive medo da sua reação, que se afastasse... Eu devia ter dito antes... Eu... não aguentaria te perder, nunca. Lyra... - Eu também te amo. - ela sorriu passando os dedos pelo rosto dele - Eu te amo, Faddy. Lágrimas também desciam dos olhos dela agora, coragem brotou em seu peito e suas mãos seguraram seu rosto, o beijando. Um beijo diferente do primeiro, e não pelo fato dela ter tomado a iniciativa, e sim por ter sido cheio de paixão, por serem lábios conhecidos. E o mundo ao redor dos dois sumiu, aquele era o abrigo de ambos, eram a casa um do outro.
◇◆
25
~ Faddy ~
Andamos o dia todo, e finalmente estava escurecendo. Havíamos passado pelo domínio dos sobreviventes e dos traidores. Agora, atrás de um monte de lixo, observávamos os rebeldes fazendo barulho e bebendo em volta de uma fogueira há uma distância razoável de onde estávamos. - Por que não podemos apenas passar e fingir que eles não estão lá? - indaguei, olhando para Faddy de soslaio. - Porque eles não são como os outros, vão arranjar problemas com a gente invadindo. - Mas não vamos invadir. - Alyara balançou a cabeça - Só queremos passar. - Eles não vão entender assim. - Vamos ter que esperar eles pegarem no sono, então? - ela franziu o cenho - Não. Vai demorar muito, não podemos ficar matando tempo aqui, você mesmo disse. - E o que você sugere que façamos? - quis saber ele. - Me dê sua mão. - ela estendeu sua mão para ele, que estranhou. Quando o olhar dela insistiu pelo passo do amigo, ele aceitou. Ela se levantou depressa, e ele a puxou de volta. - Está maluca?! - Para de ser medroso, Faddy! Ele riu. - Eu não estou com medo. - Eles nem vão nos ver, estão bêbados! - Ok! - pestaneou Faddy - Vamos. Ainda de mãos dadas, ele a deixou o guiar. Estava tudo certo, até... - Ei! - ouviram alguém chamar, um garoto pela voz - Vocês! Ambos se viraram, e um garoto com duas garrafas na mão, as estendeu para os dois. - Bebam com a gente! - o garoto sorria como um doente - Temos salgadinhos também. - Obrigado amigo, mas estamos com pressa. - recusou Faddy. - Jordan! - gritou outro, esse parecia mais sóbrio - Não são dos nossos, volte para lá. O outro se retirou, deixando as garrafas na mão do outro. - Dizem que recusar bebida de outros grupos é falta de educação. - esse tinha um sorriso cínico no rosto. - Nós realmente só estamos de passagem. - Faddy empurrou Alyara discretamente para trás - Nosso grupo não está longe. - Mutantes. - ele riu com tom irônico. - Algum problema? - Alyara enfim se pronunciou cruzando os braços. - Sua garota é bem atrevidinha, não é? - ele deu um passo na direção dela, e Faddy o impediu. - Não se aproxime dela. O outro gargalhou. - Seu namoradinho está mesmo com ciúmes, loira. - ele soltou um ronco, semelhante ao de um porco - Ok, vocês são mais interessantes do que quaisquer outros mutantes com quem já estive. - Não diríamos o mesmo de você. - Alyara! - Faddy a advertiu. O sorriso dele sumiu, mas algo nos olhos do poltrão, aliviaram Faddy. - É o seguinte, monstrinhos. - ele abriu os braços - Eu deixo vocês passarem e não teremos problemas, com uma condição. Os dois não responderam, apenas esperaram pela proposta do outro. - Vão aceitar as bebidas e eu vou ter uma dança com a sua garota. - Não. - Faddy foi duro. O rebelde franziu o cenho. - Sim, está bem. - Alyara disse por cima das palavras de Faddy. - O que?! - ele a encarou, um tanto irritado. - Ora, não se preocupe comigo. - Alyara pegou a garrafa da mão do rebelde e a levou aos lábios, era sua primeira bebida alcoólica ingerida. Ele a fitou angustiado, esperando uma reação ruim à primeira golada. - Você está bem?! - Estou. - ela deu de ombros e se voltou para o bombadinho. - Vamos? - Faddy a viu sorrir e revirou os olhos. Ele tomou a mão dela, e Faddy os seguiu, se recostando em uma parede. A mão do rapaz desceu para a cintura de Alyara, a puxando para perto e o moreno desviou os olhos, não querendo assistir àquela cena. Estava perdido nos seus pensamentos, mas seus olhos hora ou outra, voltavam-se para ver a menina dançando com o rebelde. - Amigo, você precisa disso. - Jordan, o mesmo de minutos atrás apareceu batendo em seu braço com uma garrafa, cheia até a metade. - Você não está errado. - ele aceitou dessa vez, e o álcool desceu um tanto leve, não era tão forte assim. - Eles parecem estar se divertindo. - disse Jordan. - Deve ser mesmo divertido. - Faddy disse com a garrafa encostada no lábio inferior - Eu devo estar parecendo um palhaço para eles. - Ela sabe, cara. - O que? - ele se voltou para Jordan. - Ela sabe que você gosta dela, está te fazendo ciúme. - ele riu - E está funcionando. - Não está não. - Faddy negou virando a bebida - E não está funcionando. Eu estou bem. Eu nem gosto tanto assim dela. - A-ham. - disse ele pausadamente recolhendo a garrafa vazia, que nem mesmo Faddy tinha reparado - Pelo menos ela gosta de você também, ou ela nem estaria tentando. Jordan se retirou, e antes que Faddy tivesse a chance de pensar sobre, Alyara estava do seu lado, junto com o rebelde com quem tinha dançado uma música. - Não precisa mais ficar chupando dedo parceiro, Aly liberou vocês. O estômago de Faddy se revirou e ele achou que vomitaria quando ouviu o bombadinho chamar sua amiga de Aly. - Você viu como o Hankie dança bem. - ela sorriu se recostando no braço forte do garoto. - Belos apelidos, estão bem íntimos mesmo! - ele respirou fundo segurando um riso de irritação - Mas agora temos que ir, Lyra. - Vejo vocês por aí, casal. - ele riu se retirando. - Eu não gostei dele. - disse Faddy. - Nem imagino porquê. - Alyara riu e tomou a frente, saltitante. Faddy apenas riu da situação, que de fato fora cômica.
*
Tinham passado pelo último resquício de campo, e agora, estavam na área que antigamente seria uma cidade grande, o chão era asfaltado, porém todo quebradiço. Haviam casas destruídas por todo canto, prédios, praças, brinquedos de crianças, parques... - O que aconteceu aqui? - Alyara olhou em volta assustada e triste. - Não achou que ficaria intacto depois das explosões, achou? - Não, mas... Porque aconteceu tudo isso, afinal? - perguntou ela, mas para si do que para Faddy. - Destino? - ele franziu o cenho - Eu realmente acredito que estejamos vivendo em um apocalipse, ou algo assim. Alyara sorriu com o comentário, mas ele sabia, era o que ela achava também. Estava escuro e silencioso, e era um tanto assustador, ela se segurou no braço de Faddy, ele não protestou. - Acha que eles vieram pra cá? - Chamamos a área de Cidade Quebrada. - contou ele - Todos nós já estivemos aqui, pelo menos uma vez na vida. - Ta, eu nunca entendi uma coisa. - disse Alyara, ainda grudada ao braço dele - Como isso aqui ficou assim há milhares de anos atrás e eu nunca ouvi sobre isso na escola ou sei lá? - Bem, não existe mais TV desde o século passado, nem rádios, e nós moramos nossa vida inteira no campo, e apenas o campo era o que conhecíamos, claro que Gemma vinha aqui o tempo todo e pegava livros pra mim, mas na época a cidade não tinha sido tomada por Renê. Ele obviamente não está mais por aqui, está a leste, em algum lugar do subúrbio, mas ele terminou a destruição natural. - Sempre ele. - Vamos ter que arranjar um lugar pra dormir. - Aqui? - indagou ela bocejando. - Andamos o dia todo, temos que descansar... Um barulho fez Faddy se agarrar a Alyara e puxá-la para trás da carcaça de um ônibus. - O que foi isso? - sussurrou ela - Pareceu uma batida. - E foi. - disse ele de volta - Tem pessoas caçando aqui. - Mas o que caçariam aqui? - Precisam passar por aqui para ir até a floresta mais próxima. - Mas faz horas desde que passamos pela última floresta. - Como eu disse. - ele olhou para ela - Temos que dar um jeito de sobreviver. Ouviram novamente, desta vez um som mais próximo e baixo, como um tropeço e pedras rolando, definitivamente tinha alguém ali. Faddy se esgueirou, abaixado atrás de uma das rodas dianteiras do veículo, e deu uma olhada. - Tem alguém ali, os passos estão muito perto. - disse ele baixinho, Alyara quase não ouviu. Ela pôs a mão sobre a dele, e com o corpo entre a roda e as pernas de Faddy, ela se levantou um pouco para ver mais. Uma flecha voou no ar, e não demorou para que ela surgisse correndo. - Samuel, mas que merda! - ouviram aquela voz familiar praguejando. - O que eu fiz?! - mais uma voz conhecida. - Tinha uma coruja ali, porque saiu sem mim, que droga! - Eu não preciso de uma babá! - gritou ele. Faddy e Alyara, imersos em felicidade, se levantaram. - Sam! - chamou Faddy, enfim vendo-o. Edna se uniu a ele, sorrindo. E animados, eles correram na direção dos dois, bem ali do outro lado da rua. Alyara, passou os braços pelos ombros da amiga, enquanto ao seu lado, ela via Faddy e Sam do mesmo jeito. Tinham voltado para casa enfim, estavam vivos e bem, e nada mais importava.
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