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o capítulo novo de a prisioneira sai sexta essa semana :)
24
~ Alyara ~
Apenas um monte de feno separava Alyara e Faddy. As coisas tinham ficado estranhas desde mais cedo, se tivessem trocado mais de seis ou sete palavras, seria muito. O frio da noite atacava sua pele sob o tecido ainda úmido da blusa, que grudava-se ao seu corpo. Era desconfortável. - Lyra! - chamou Faddy com uma voz diferente, mais baixa que o normal. Ela remexeu os ombros e roçou as unhas nas palmas. - Fale. - respondeu ela em murmuro surdo. - Está tremendo. - disse ele agora parecendo preocupado - Estou ouvindo seus dentes batendo. Ela cobriu suas mãos com as mangas da blusa e surgiu de trás da montanha de feno se debruçando. Faddy estava deitado com a cabeça apoiada na mão, estava a fitando agora porém sem sorrisos, apenas uma passeada de olhos. - Estou, na verdade. Ela passou a mão pelo cabelo embaraçado e caminhou até ele, e se ajoelhou ao seu lado. - Pode ficar aqui comigo, se quiser. - disse ele batendo seus dedos na perna da garota. - Acha que estamos perto deles? Ele sentou-se. - Espero que sim. - ele enfim sorriu. - Estou pensando na Collete e no Sam. - Eles vão ficar bem. Alyara assentiu e segurou a mão dele, o fazendo fechar os dedos em volta dos dela. Ela o sentiu relaxar e um olhar como o da noite da morte de Liam foi repetido. - O importante é que estamos juntos. - confortou ele. Ela assentiu novamente e deitou-se sem largar a mão dele, e o queixo de Faddy repousou-se no ombro da garota. Uma sensação amenizante. Faddy tocou a orelha de Alyara com sua boca e sussurrou em seu ouvido. - Assassina! Alyara abriu os olhos imediatamente e soltando a mão do amigo, o deu uma cotovelada e saltou contra o feno encontrando Renê debruçado. - Sai da minha cabeça, seu monstro! - Eu? - ele riu - Veja bem. Faddy não demorou a surgir morto diante de seus olhos, junto com a neve, o vestido e os corpos. Tudo ali. - Não é real! - gritou ela evitando olhar para Faddy - Você só está me assustando. - Eu sou bem real, e você devia começar a questionar quanto aos seus sentimentos, jovem Pepper, quanto menos pessoas ter em sua vida, menor será a perda. De um em um, seus amigos serão mortos. Não podem fugir pra sempre. - Que tipo de ser frio você é? - Frio? - ele a encarou com olhos fuzilantes - Meça suas palavras. O assassino aqui não sou eu. Quem iniciou essa guerra foram todos vocês, mas a principal você sabe quem foi. Formada, não é? Aberração desde o nascimento. Alyara abaixou os olhos para as mãos sangrentas, e incrédula por meio minuto, sentiu os olhos arderem. Ela fechou os olhos e os abriu novamente, sua visão estava vermelha. O rosto do homem era de total terror. - Veja só sua verdadeira natureza. - ele mostrou a ela seu reflexo - Essa é você. Alyara franziu os olhos em desconhecimento, voltou-se para o homem e quebrou o espelho com as mãos. - Me deixe em paz! - gritou ela com uma voz desumana. E para descontar-lhe as ofensas, o empurrou com toda a força fazendo-o cair no chão. Ele por fim desapareceu e cacos de vidro cheios de lodo e sangue negro, tomaram seu lugar. Gelo corria nas veias dela e agora, ela podia ver.
*
Alyara acordou com o rosto molhado de suor, instintivamente passou a mão pela testa e sentou-se. Estava sozinha com o monte de feno. Ainda estava escuro mas logo amanheceria. - Faddy! - gritou ela com uma voz recém-acordada, porém em profundo desespero. Ele imediatamente apareceu. - Lyra! - ele jogou-se em sua frente e agarrou as mãos dela - O que houve? Ela soltou as mãos de Faddy e o abraçou forte o suficiente para ela sentir a proximidade calorosa dos dois, mas ela queria se segurar a algo. A dor era levada e só importava estar ali, caso contrário tudo viria à tona e seria insuportável. - Por que não me conta o que aconteceu? - pediu Faddy enquanto tentava confortá-la. - Foi ele. - disse ela engasgada - Ele não me deixa em paz. É o mesmo pesadelo, começa diferente, mas sempre termina igual. - Renê não pode te machucar, ele não está aqui. Ela se desfez do abraço e olhou nos olhos de Faddy. - Ele está em todo lugar. - disse ela - As pessoas que invadiram o nosso esconderijo e a toca, as que estavam nos perseguindo e mataram toda aquela gente. São todos como o Renê. É como se não existisse lugar no mundo que ele não possa nos encontrar, ele sempre nos acha. - Mas não vamos deixar ele vencer. - Faddy tocou o rosto dela - Isso é uma promessa! Ela assentiu com os olhos trêmulos. - Não acha que devíamos falar sobre o que aconteceu hoje? - indagou ela repentinamente - No lago? - Quando essa guerra acabar nós resolvemos isso. Ela assentiu e fechou os olhos sentindo o calor em sua bochecha. - Eu vou ficar aqui do seu lado, ainda pode dormir mais. - E se ele entrar de novo. - Eu te acordo e fica tudo bem. Ele recolheu a mão e se recostou no monte de feno, ela sorriu tristemente e fechou os olhos.
*
- Lyra! - chamou Faddy - Lyra, acorde! Ela abriu os olhos. - Está na hora de irmos. - ele a ajudou a se levantar, mesmo que ainda sonolenta - Já estamos aqui há muito tempo, não podemos ficar parados. - Ok, vamos - ela passou a mão pelos olhos, e logo em seguida deu de ombros. Eles seguiram pela lateral do celeiro que um dia poderia ter tido muitos animais, mas na noite anterior fora o quarto deles. Ela se manteve perto, enquanto Faddy checava o perímetro. - Limpo. - avisou ele fazendo um movimento com a cabeça, para que ela o seguisse. - Eu sei que não é o momento adequado, mas... - ela relutou, mas soltou - As coisas vão ficar estranhas agora que a gente se beijou? Ela pôde ouvir um ar sarcástico na risada baixa dele. - Como pode não ficar estranho com você falando como se fosse o pior pecado no mundo? - disse ele sem se virar, estava a ouvindo, mas também estava atento. - Bem. - ela engoliu em seco - Foi estranho. Digo... Ficamos presos em uma dispensa por tanto tempo e você nunca tentou me beijar. - Lyra! - ele balançou a cabeça admitindo, ainda de costas para ela - Eu sempre gostei de você. - Você o que?! - indagou ela brava. - Eu tinha ciência do que prometi aos seus pais, te proteger, isso inclui te proteger de garotos com segundas intenções. De mim. Alyara tocou seu ombro e o impulsionou para que se virasse para ela. - Desde quando? - ela o fitou. - Desde quando o quê? - ele também tinha os olhos presos nos dela. - Desde quando você... Gosta de mim? - Antes de descermos. - respondeu ele, receoso. - Como me escondeu isso todo esse tempo e por que eu não percebi? - Porque você estava ocupada demais me fazendo muitas perguntas e digamos que eu sou bom em guardar os meus sentimentos. Faddy sorriu de lado para ela, que retribuiu da mesma forma. - Está bem. - ela apalpou seu ombro - Mas não faça mais isso. - Seria tão ruim assim perguntar se você não sente o mesmo? - indagou ele a pondo contra a parede de madeira, a segurando pela cintura. Ela apenas o encarou, próximo de seu rosto, mas não disse nada, encarou os lábios dele, e empurrou os ombros dele levemente para trás. - Você ainda não concluiu sua missão, soldado. - Certamente que não. - ele retomou sua vasculha. - Para onde estamos indo, afinal? - Território dominado. - disse ele - Precisamos de armas para prosseguir. - Fale a minha língua. - Não acha que só existem pessoas como nós no mundo, acha? - ele se voltou para ela. - Não. - ela balançou a cabeça - Já ouvi vocês dizendo que Renê é um Renegado e eu me lembro vagamente da Elenora falando sobre isso quando vocês me mostraram aquele vídeo maluco. - Isso. - ele assentiu a olhando sobre o ombro - Há grupos, uma espécie de guarda que anda junta, entende? - Mais ou menos. - São 7. - começou Faddy, se encostando em uma das paredes, Alyara se aproximou - Os sobreviventes, que são basicamente os seres humanos restantes, seus ancestrais eram do século XXI, não são muito amigáveis e nada confiáveis. Os refugiados, que vivem como se o mundo não estivesse explodindo ao redor deles, já passamos por esses lá atrás, eles ajudam os que podem e vivem nos seus vilarejos em busca de alguma paz. Os poderosos são basicamente os soldados do Renê, nasceram para a guerra e estão espalhado por aí, em busca de alguma luta para lutarem. Os rebeldes são praticamente adolescentes crescidos, eles tem todas as características libertinas e fora da lei, se é que me entendem, são brigões e irritadinhos. Os traidores são os exilados de suas “raças”, como chamamos, podem vir de qualquer uma. Os Renegados foram os “esquecidos” por muito tempo, e então veio o Renê e decidiu que era hora de caçar nossa raça, eles matam por prazer e acham que de alguma forma, nos exterminando poderão viver sem temores, mas cá entre nós, eles são os verdadeiros causadores de tudo isso, antes de Renê, não existiam esses ataques, e então, ele apareceu na nossa amada, Inglaterra. E nós, bem, você sabe. - Não entendo o por quê dessa divisão toda. - Finalmente, alguém me entende! - ele fez uma gracinha, apenas para relaxar um pouco. Ela sorriu e continuou o seguindo, agora não havia mais a parede do celeiro, apenas os montes de lixo e a ausência dos Lyspectros. Ou quase. Eles seguiram pelos montes, e então, Alyara parou e chamou por Faddy, atrás dela. Mesmo com um aperto no peito, ela se aproximou do animal imóvel no chão, perto de um dos montes. Ainda com o coração na boca, ela se abaixou e o tocou, a pele estava quente, algo que ela não esperava. - Está muito quente! - olhei para Faddy de pé em minha frente. - Bem, isso é péssimo. - ele se agachou ao meu lado - Lyspectros são seres frios. - Ele está morto?! Ele a afastou e virou o corpo do animal, o deixando de barriga para cima. - Não tem sangue, nem qualquer hematoma. - disse ele angustiado - Algo “fritou” eles. - Obra humana? - indagou ela. - Desumana, na verdade. - respondeu Faddy - Ninguém fere os vigilantes, eles cuidam de nós sempre. - Acha que foi o Renê? - Independente de quem for. - Faddy se levantou junto com ela - Temos que sair daqui antes que nos fritem também.
◆◇
Feliz dia das mulheres amores :))
devido há alguns contratempos, me pronunciarei sobre gf e void, na próxima semana (8 de março), pulem muito carnaval amores!! :)
oi gente, boa noite, só passei rápido para anunciar que a sequência de disturbia se chama void e que já comecei a escrever ela. notícias quentinhas virão sexta-feira ;)
Epílogo: Lynor Peyton
12 de outubro de 2015
Dream - Imagine Dragons
Estamos todos vivendo em um sonho Mas a vida não é o que parece ser Oh, tudo está uma bagunça E todas essas tristezas que tenho visto Elas me levam a acreditar Que isso tudo está uma bagunça Mas eu quero sonhar Eu quero sonhar Deixe-me sonhar
[ 2 semanas antes ] Eu e Lindy caminhamos até nossa mesa. Lindy estava animada com a distribuição dos convites para o aniversário dela, vínhamos programando o que faríamos nos próximos dias. Nunca concordava com a companhia de Jorge Amstrong, Tina McCorling e Branson Dollie, mas Lindy insistia em se sentar com eles durante o almoço, e como era somente naquele horário, eu engolia. Os três mal desgrudavam de seus telefones, eu tinha o meu em mãos, mas para ajudar Lindy com nosso trabalho de biologia, ela, por sua vez, tinha os olhos divididos entre o computador e sua agendinha no colo. - O que acha de fazermos as unhas às 15:15 e depois irmos pegar nossos vestidos, Lyn? - Acho ótimo! - sorri escondendo minha frustração - Podemos ir naquela lanchonete antes de voltarmos para a sua casa, meu tio me deu um ticket gordo para torrarmos lá. - Eca, Peyton! - disse Tina com nojo - Lindy, amor, preserve seu corpo. Imagine não caber no vestido maravilhoso que você arranjou. Não coma essas porcarias! - Tina está certa, Lyn, não vamos comer gordura até o fim do mês, se lembra? Lindy sempre fora esperta em suas respostas rápidas. Tina tinha passado a mão pela própria barriga depois de perceber que estávamos mais esbeltas do que ela, e não precisávamos tomar comida líquida para isso. - Claro, como eu tinha me esquecido?! Lindy bateu sua perna contra a minha de baixo da mesa. Bati de volta. - Tina! - chamou Jorge entusiasmado - Brain Hirtz está solteiro! - Puta merda! - ela agarrou o braço de Jorge olhando fixamente para a tela do celular - É a primeira vez no ano que o Hirtz está solteiro. - Aproveite e o convide para o meu aniversário, Titi, vou deixar um quarto aberto. - Você... Isso é sério, Lindy? - Vá logo antes que a Vanessa Piranha resolva consolá-lo. Tina se levantou depressa levando Jorge com ela. - Jura, Lindy? - Branson a encarou - Você tinha que oferecer o quarto pra ela transar com aquele otário?! Branson saiu irritado, tudo que fizemos foi rir dele e revirar os olhos diante do papelão. - Quando ela vai dar o primeiro passo antes que o gostosão dê? - E você se importa com eles, por acaso? Negou ela rindo. - Eu me importo com o ticket que temos que torrar. - Isso mesmo! - ri, e percebi Vincent chegando com seu amigo - Sabe o que devia fazer? Lindy balançou a cabeça. - Convidar o gato do Martin para a sua festa. - Eu vou convidá-lo. - ela deu de ombros pegando minha garrafinha de água. - Tipo, agora, Lindy. - O que?! - a garrafa parou a meio caminho de sua boca. Ele sentou-se grudado a ela, enquanto ela bebia mais água do que uma pessoa normal devia. - Lindsey. - apenas observei a cena - Eu ouvi algo sobre uma festa? Quando enfim a garrafa deixou sua boca, ela voltou-se para ele. - Meu aniversário. - respondeu ela - Está convidado. Estendi um convite a ela, que o passou para Vincent. - Seria muito bom se você fosse. - Farei o possível. - ele assentiu. - Acho melhor você ir. - soltei. Os dois se voltaram pra mim com os olhos arregalados e surpresos. - Ou vai perder a diversão! - contornou ela, se sentindo vitoriosa. - Claro. - ele assentiu confuso. Lindy e eu nos encaramos discretamente enquanto ele saía. - Tchau, meninas! Lindy acenou, eu apenas mantive meus olhos em seus movimentos. - Eu te mato, garota! - murmurou ele. Ela fechou o computador e guardou a agenda enquanto se levantava. - Vou para a minha aula agora, nos vemos depois da escola? - Sim. - respondi terminando meu biscoito. Com a saída de Lindy, voltei-me para o que estava me angustiando desde que tínhamos entrado ali. Denyel. Ele comia sozinho em uma mesa distante, mas trocava mensagens incessantes, desde que eu tinha encontrado papéis estranhos na gaveta de sua cômoda e fotografias da Lindy e sua família em sua mochila, eu havia começado a ficar de olho nele. Eu tinha medo do que ele tinha em mente. Tínhamos terminado há alguns meses, e por vezes senti pela nossa separação, mas o sentimento dentro de mim agora era medo puro. Eu tinha que proteger minha amiga. Quando ele se levantou para sair. O segui. Ele foi até a sala da diretora, me espreitei entre os armários para que ele não me visse. Rosamund fechou sua sala, e uma conversa se iniciou lá dentro. Me aproximei e pus minha orelha contra a parede para ouvi-los. - Está tudo sobre o controle, Carey. - ouvi Denyel dizer - Jackson já está preparando seu primeiro ataque, vai ser no aniversário dela. Precisamos de você. - Eu irei ajudar. - respondeu a diretora - Eu e a Fell somos próximas, ela vai confiar em mim, tenho certeza. - Consegui algo para você. - não pude ver o que era, apenas ouvi - Ele vai gostar de material fresco na mesa dele. - O que eu já te falei, menino Halder? - seu tom foi autoritário - A marcada é minha, cuide do seu. Tive que me esconder atrás de um armário com a chegada de alguém, alto e encapuzado. Com o recuo, perdi a conversa deles. A entrada do vulto preto permitiu que eu me aproximasse mais, e pudesse ver por uma greta da porta. - Não sabíamos que viria assim tão cedo. - Quis surpreendê-los. - era uma voz estranha, nunca tinha ouvido antes - O mestre me mandou aqui. - Por que a fantasia, amigo? - indagou Denyel debochado. - Primeiro, não sou seu amigo. - o outro puxou a cadeira e se sentou - Segundo, meu papo não é com você, Halder, é com ela. - Comigo? - Rosamund cruzou os braços - Ora, qual o problema, homem? - O mestre me mandou para trazer um aviso, se quiserem saber vão ter que ficar quietos e me deixar falar. Não houve um murmuro sequer enquanto ele falava. - Serei eu quem atropelará a menina, você agirá comigo, Rosamund. - continuou ele - Vou precisar que desligue a mente dela e não a permita reagir ao choque do carro. Não podemos falhar. Nosso dever não é matá-la, apenas deixá-la inconsciente, o resto é com o Wilvarn. Nada dos outros. - Pois bem, estou de retirada. - disse ele se levantando e puxando o gorro para cobrir o rosto - Mandem saudações para a minha adorada filha, logo, logo a verei novamente. Cobri minha boca e corri dali, tentando disfarçar meus passos. Pai? Aaron era o pai de Lindy. A não ser que... Meu Deus! Christopher Fell estava de volta.
Vencedores e perdedores
Can you hold me - NF ft. Britt Nicole
Coloque seus braços em volta de mim Deixe seu amor me cercar Estou perdido, estou perdido Se eu não tiver você aqui Se eu não tiver você, não tenho nada Você pode me segurar? Você pode me segurar? Você pode me segurar em seus braços?
Corremos para os bosques, onde fomos tomados pela escuridão total. Nate acendeu o decodificador e o entregou pra mim. A primeira flecha veio como uma abelha zunindo cortando o ar perto de mim. Aumentamos a corrida. Uma chuva de flechas voava à nossa volta, e naquele escuro somente um milagre nos faria não ser acertados por alguma. Como conseguiam nos ver ali? Eu mal conseguia ver Nate. Percebi um movimento na escuridão à nossa frente, e logo, várias lanternas e lampiões se acenderam. Conforme nos aproximávamos, a luz se tornava mais cegante, haviam muitas pessoas que eu não conhecia ali, ou pelo menos não associava rostos, mesmo com tanta luz, meus olhos não conseguiam focar em ninguém. Até ouvir a voz dos meus pais. - Lindy! - ouvi o grito de minha mãe e corri para abraça-la, meu pai se uniu ao abraço. Fechei os olhos agradecendo em silêncio por eles estarem bem. - Não acredito que estão aqui! - apertei seus ombros - Eu amo vocês! Nos afastamos, mas suas mãos permaneceram em meu rosto, eles me olhavam como se eu fosse uma joia preciosa. Meu sorriso sumiu quando notei Trina ao lado de Will, eu não esperava por ela ali. O que ela tinha ido fazer ali?! Ela tinha vindo me buscar? Não, eu não ia embora! Ignorei esse fato enquanto Crystal, próxima de Dominic, que tinha um dos braços em torno de seus ombros, vinha em minha direção acompanhada de Will. A abracei forte. - Obrigada! - agradeci aliviada. - Eu disse que íamos te achar. Ela tirou de dentro da blusa o meu colar e o pôs no meu pescoço. - Isso é seu. - ela tocou meus ombros - E com você deve ficar. - Obrigada por cuidar dele. Seu sorriso foi o que tive de cumprimento. Will se aproximou, um tanto rubro, e diferente de qualquer expressão que eu já tinha visto vir dele. - Bom termos você de volta, Lindy. - É ótimo te ver bem desse jeito, Will. - Ora! - ele me abraçou, me pegando de surpresa. Passei minhas mãos por seus ombros e relaxei meus ossos contraídos dentro de mim. De soslaio, percebi Vincent sendo o próximo na fila de abraços. Assim que soltei Will, corri para ele quase o derrubando. Meus braços pareciam sufocá-lo, mas eu estava nos braços dele, e mesmo que me desmanchando em choro, não queria sair dali nunca mais. Segurei seu rosto e o beijei com toda minha saudade e preocupação acumulados. - Me desculpe, me desculpe, me desculpe... - Pelo que está se desculpando, Vince? - balancei a cabeça. - Foi tudo culpa minha, se eu tivesse ficado com você... Não devia ter te deixado. Sozinha. - A culpa não foi sua. - toquei seu rosto - Eu te amo. Ele sorriu. - Eu também a amo. - era a primeira vez que eu o ouvia dizer. Quis beijá-lo novamente, mas havia muitas pessoas nos olhando, então apenas deixei que ele passasse os braços à minha volta enquanto nos aproximávamos de Finick para ouvi-lo. - Estamos de partida! - anunciou ele - Nossa missão foi um sucesso. Os carros nos esperam no fim do bosque. Todos se alvoroçaram e começaram a se virar para continuar o percurso para fora dali, mas nossa vitória foi interrompida por palmas, e aquelas palmas... eu reconheceria em qualquer lugar. - Isso foi emocionante! - cínico - Todo esse calor familiar... Que lindo! - Você perdeu, Jackson. - disse - Aceite isso. - Bem, vocês vieram à minha casa, entraram e sequer me cumprimentaram? Isso é extremamente desrespeitoso! - Não nos ensinam bons modos para tratar ratos, Archer. - se pronunciou Trina. - Ora, ora. - ele sorriu deliciado - Veja só se não temos uma debanda aqui, uma traidora. - Nunca fui uma aliada para você. - Garotinha malcriada! - ele a advertiu. Seus Najos apontaram suas armas para nós, fizemos o mesmo. Alyssa estendeu meu arco que estava em seu ombro e minhas flechas, e fiz questão de apontá-lo para Jackson também. - Tal mãe, tal filha. - disse ele irônico - Foi você quem a ensinou, Trina? Ele gargalhou, e de relance, voltou-se pra mim. - Ah! - suas sobrancelhas saltaram - Olhe o que temos aqui. O meu colar. - Ele é meu! - o corrigi com clareza. - Achei que tinha aprendido algo comigo, patinha. - Pare de me chamar assim, isso já está me irritando. - Oh! - ele fingiu pena - Está bravinha? Inibi minhas lágrimas. - Deixe minha filha em paz, Jackson! - Como pude me esquecer de você, Emely, e seu namoradinho. Você é uma vergonha! Quis xingá-lo e o encher de flechas, mas seus arqueiros ainda nos tinham na mira. Aproveitando sua distração, Alyssa murmurou atrás de mim, não movi nem um pouco meus olhos para que eles não percebessem. - Há um explosivo que não detonamos. - avisou ela. - Onde? - indaguei entredentes. - Está pendurado sobre a porta de entrada, dá para atirar se chegar mais perto. - Mas como vou sair sem que atirem? Me virei inevitavelmente, e contra as minhas costas, Alyssa segurava uma granada entre seus dedos. - Você... - Sorri. - Vim preparada para contratempos. Assenti e me voltei para frente. - Eu jogo, você corre. Cutuquei Crystal, que passou o aviso sem palavras para Nate e Will. Olhei para eles de soslaio e para Vincent, ao meu lado, com meu olhar alerta. Ouvi o click que a granada fez quando Alyssa levantou a trava e a lançou, imediatamente explodindo. A fumaça subiu, e puxando Vincent comigo, disparamos os seis, nos embrenhando no matagal para que não nos vissem. Nos abaixamos em um arbusto quando encontrei uma boa posição para a porta de entrada. - O que exatamente estamos fazendo aqui? - indagou Dominic. - Alyssa disse que tem um explosivo sobre a entrada. - apontei para a construção procurando pelo explosivo - Eu vou detonar ele. - Mas não pode errar. - alertou Nate. - Eu sei. - respondi finalmente o encontrando sobre uma carreira de tijolos, sua cor vermelha fez meus olhos brilharem - Me deem cobertura. Me levantei e caminhei para mais perto, posicionei o arco e a flecha. Eu não podia errar. Lembrei dos meus treinamentos com Nate e Crystal, de toda a tática de mira, eu podia ouvi-los falar na minha cabeça. Firme. Concentração. Inspirar, expirar, soltar. Arco perto do corpo, rosto na altura flecha. Firme. Concentração... Atrás de mim, ouvi alguém arfar e barulho de armas. Eu ouvia Crystal, Will, Dominic, Vincent e Nate lutando. Tinham nos achado, era agora ou nunca. Inspirar, expirar, soltar. Inspirar, expirar, soltar. Inspirar, expirar... A flecha voou certeira e o explosivo detonou. Era um explosivo inflamável, imediatamente a fachada da entrada ficou em chamas, não demorou para que o fogo se alastra-se. Houve tumulto e barulho depois disso. Senti Vincent segurar meu braço me trazendo de volta para a realidade, eu ainda não acreditava no que tinha feito, eu tinha acertado! - Vamos, Lindy! - recuamos e ao fazê-lo, percebi os corpos de 4 jovens Najos. Nos escondemos nas árvores enquanto os Najos restantes e o próprio Jackson retornavam praguejando. Eu tinha incendiado o império dele. Sorri diante de sua derrota derradeira. Voltamos para nosso grupo maior e novamente abracei meus pais. - Está tudo bem, está tudo bem. - os acalmei - Temos que ir! Me uni aos outros e corremos guiados por Finick e alguém que eu não conhecia. As árvores se fechavam à nossa volta, e eu me sentia cada vez menor ali. Quando alcançamos o campo aberto, demos de cara com caminhonetes enormes nos esperando. Carros fortes. As portas se abriram e começamos a pular para dentro dos carros. No carro destinado para mim, uma mulher de cabelo grisalho abriu a porta, puxou o capuz da cabeça, e ao fazê-lo, notei que ainda continha mechas escuras, de um cabelo negro no passado. Minha mãe e Trina se sobressaltaram atrás de mim assim que ela puxou o capuz. - Mãe?! - era a minha avó, ótimo, família reunida! - O que foi? - seu olhar severo as encontrou - Acharam que eu ia ficar de fora só porque estou velha e enferrujada? Minha mãe pareceu animada, Trina não. - Vamos, menina. - ela estendeu sua mão para me ajudar a subir. Aceitei sua mão forte e fui puxada para dentro da caminhonete. Me sentei em um dos bancos e esperei pelos outros, a maioria subia nas caçambas. Engoli em seco e olhei pela janela, a fortaleza de Jackson em chamas. Finalmente, eu tinha minha liberdade de volta.
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Fiquei na sala de estar com Vincent. Ele tinha trazido um copo d’água, e agora estávamos conversando sobre as coisas que Jackson tinha feito conosco. Contei à ele sobre a Srta. Rosamund, Cedric e Denyel. Rosamund estava morta, agora de verdade, e Cedric preso; mas ainda tinham Denyel, Giamon e Pete vivos e soltos, e ainda torturando mais três adolescentes perdidos por algum lugar em Portland, ou perdidos por outras nacionalidades. - Fico feliz que agora esteja conosco. - Eu também. - sorri deitando minha cabeça em sua mão - É bom sentir calor depois de passar dias congelando. Ele beijou nossos dedos unidos e se aproximou, soltou minha mão e ajeitou a manta sobre meus ombros, se mantendo perto. Repentinamente, Trina entrou no cômodo. - Precisam de alguma coisa? Não olhei para ela. - Tenho que ver o Dominic. - disse Vincent se levantando e arrumando a manta novamente - Já volto. Depois de um selinho, ele partiu. Trina se sentou na mesa em minha frente e fui obrigada a olhar para ela. - Oi. - disse ela singelamente. - O que está fazendo aqui? - indaguei - Como nos achou? - Tenho amigos próximos. - respondeu ela vendo a marca em minha mão - Deve ter sido um grande susto pra você. - Foi. - franzi o cenho para ela - Ninguém me avisou que eu tinha uma família amaldiçoada. - Lindy. - Depois do que fez... Não devia ter voltado. Só por que você está usando uma roupa legal, ajudou a me tirar daquele lugar e não apareceu antes para me levar pra Dublin, acha que eu vou te perdoar? - Não quero te perder de novo. Expulsei minhas lágrimas e ri. - Não vim te levar embora, filha. - Não! - a adverti - Não me chame de filha, eu não sou sua filha. Ela assentiu. - Tudo bem. - ela remexeu seus ombros - Você vai continuar morando com a Emely e o Aaron, sei que tem planos para o próximo ano, não quero atrapalhá-los. Mas eu quero ajudar. - Então me ajude em uma coisa. - disse me levantando - Fique longe de mim e da minha família de verdade. Saí sem hesitar.
Crystal
Meu pai estava em uma reunião à porta fechadas, quase parecia que a casa estava vazia, não fosse pelo número de pessoas no andar de cima. Depois de um banho para tirar o óleo do meu rosto e meu cabelo, e cuidar do meu ombro em especial, que tinha sido esmagado pelas mãos do Rajão, eu me sentia ótima, tirando a dor que ainda latejava na minha garganta e o ombro. Arrumei a barra do meu vestido, que estava dobrada e desci para a sala, esperando que ela estivesse tão vazia e silenciosa como o resto da casa. Mas não estava. - Dominic? - me aproximei do sofá onde ele estava e me sentei na poltrona de frente para ele - Achei que já tinha ido. - Eu não iria sem me despedir. - Claro. - sorri para ele. - Olha, eu sei que vou parecer apenas mais um cara querendo mérito depois de bancar o herói, mas eu quero pedir desculpa. Eu fui injusto com você. Fui cruel, egoísta por ignorar o que você sentia... Você é uma das garotas mais incríveis que eu já conheci. Peço perdão pelas vezes em que eu te tratei mal, por todas as coisas ruins que eu disse e fiz, por tudo. Eu sei que pedir perdão é a parte fácil quando você não é a pessoa ferida, mas acredite, eu realmente sinto muito. Quase te perdi essa noite, e isso me fez pensar em como eu jamais seria o mesmo sem você no mundo, assim como não sou o mesmo Dominic que conheceu na Majestic. Não precisa me perdoar, eu não mereço um pingo de perdão seu porque eu sou o maior fracassado de Portland com uma reputação péssima e uma ficha, que se a polícia visse me levaria preso na hora. E por mais que eu tenha toda essa imundice em mim, por favor, pelo menos diga que não sairá da minha vida, mesmo que me odeie pra sempre. Eu preciso de você, Crystal, mais do que eu jamais precisei de alguém na minha vida. Procurei em sua expressão qualquer vacilo, mas ele estava aberto bem ali na minha frente. Ele disse que precisava de mim, eu não sabia o por que daquilo, mas eu não podia simplesmente fechar os olhos para tudo que tinha acontecido entre nós dois. Eu tinha visto o lado bom nele antes, e estava vendo agora. - Eu não te odeio, nunca odiei. - sorri para ele - Desde que eu te conheci tenho esses sentimentos estranhos por você, Dominic, e tudo se amplificou depois que Greg e eu terminamos. Você sempre esteve ali, foi quem me mostrou que eu precisava de momentos de diversão no meio de tanto caos. Quem ouviu meus lamentos. - Você estava comigo em um dos piores momentos da minha vida, quando meu avô morreu. Era o mínimo que eu poderia fazer. - James tinha muito orgulho de você, Dom. - contei a ele - E devia ter mesmo, é um Perseguidor e Domador de Feras excelente. Seus olhos brilharam. - Talvez nós dois sejamos péssimos nisso. - franzi o nariz - Preciso de um tempo... Pra pensar em tudo isso, agora que as coisas estão mais calmas. Eu vou te perdoando aos poucos, já ganhou sua porcentagem hoje. - Não tem como eu ganhar um bônus nessa porcentagem. - Vamos ver. - sorri novamente - Ainda não estou convencida. - Eu gosto de você, Crystal. - ele tocou minha têmpora acariciando meu cabelo - E odeio não conseguir falar o que quero. Prometo trabalhar nisso. Sorri em resposta. - Pode ficar esta noite se quiser. - Eu quero. - ele assentiu tirando a mão de onde estava - Mas não posso. Falta pouco para o dia amanhecer, não vou preocupar minha avó. Mas nos veremos mais cedo do que imagina. Apenas assenti curiosa. Meu coração disparou quando ele se inclinou, fechei meus olhos, e senti o toque suave de seus lábios em minha bochecha. E então, se foi. Sorri sem palavras, ele tinha levado todas elas. Suspirei aliviada, eu estava feliz de verdade.
Lindy
Tinha largado a manta em algum lugar da casa, mas eu não me lembrava ao certo onde. Achei Nate em seu quarto depois de procurar ele na sala de armas e na biblioteca. Eu precisava falar com ele antes de ir. - Nate, posso entrar? - perguntei batendo na porta entreaberta. - Pode. - consentiu ele passando a mão pelo cabelo molhado. Aparentemente todos tinham tomado banho, menos eu. Ele se sentou na cama. Fiz o mesmo. - Eu sinto muito por tudo que aconteceu. - Não tem que sentir, Nate, não foi culpa sua. - Foi pelas minhas mãos, Lindy. - Porque o Denyel estava na sua cabeça. - insisti - Me diga como poderia ter fugido disso? Ele abriu a boca querendo palavras para àquilo, mas nada saía de seus lábios. Vi seus olhos tremerem e se encherem de água. - Ei, eu acredito em você. - me aproximei abraçando seus ombros - Só queria que tivesse me contado, não queria ver o Denyel esfregando isso na sua cara. Ele enxugou as lágrimas que estavam molhando sua calça. - Eu odeio ter feito aquilo, eu volto para aquela noite todos os dias, eu sinto tudo de novo. A angústia, a tentativa de rejeição, a faca afundando no peito daquela garota. - ele soltou o ar que estava o sufocando - Eu vejo minhas mãos lotadas de sangue, e eu olho para você, e lembro do seu desespero, seu horror, e foi minha culpa, eu... Eu estraguei sua festa, eu acabei com a sua vida, eu... Eu me odeio tanto por isso. - Ei, ei. - tentei acalmá-lo o puxando para um abraço - Está tudo bem, já passou, Nate. Só... Ponha tudo pra fora. E foi o que ele fez. - Ninguém amava a Lynor mais do que eu. - disse - E se tem alguém que merece pagar por isso, é o Denyel. Ele só limpou as mãos dele com as suas, era o que ele queria, ele a queria morta, eu ouvi ele dizendo que ela sabia demais. Mas o que? O que ela ouviu, ou viu, ou achou que fez com que ele quisesse mata-la? Nate respirou fundo e me olhou. - Se achássemos alguma coisa que incriminasse o Denyel... - me levantei e comecei a rodar pelo quarto. - Ele tem a faca, Lindy, com as minhas digitais! - Mas ainda podemos pegar ele. - disse - Estamos falando de Denyel Halder, ele sempre deixa algo para trás. - Não se meta nisso, Lindy. - pediu ele se levantando e segurando meus ombros, me trazendo de volta para o lugar que eu ocupava antes - Eu sei que quer provar que eu sou inocente e que o responsável pela morte da sua amiga foi o Denyel. Mas no fim das contas apenas provas reais podem incriminar, Lindy, e pessoas normais não acreditam em coisas sobrenaturais, por que elas não devem existir para eles. O som da sirene da polícia me fez gelar. Nate ficou pálido em minha frente, como papel. Denyel tinha feito, tinha o entregado. - Não! - praguejei me levantando novamente- Nate, você tem que fugir. - Eu não posso fugir da polícia, Lindy. - ele se levantou também. - Pode ir para outro lugar, sair do país... - segurei as mangas de sua blusa - Nate, não... - Não faça ser pior, por favor. - implorou ele. - Está me pedindo para desistir de você, e eu não vou fazer isso. - balancei a cabeça em desespero - Você não desistiu de mim. - Por que eu te amo! - gritou ele. Sequer tive a chance de dizer qualquer palavra. Os policiais já estavam subindo as escadas, eu podia ouvir suas botas batendo no chão. - Me desculpe, Lindy. Continuei paralisada enquanto ele saía do quarto já com as mãos na cabeça. Ouvi o som deles rendendo ele, e das algemas sendo fechadas em volta de seus pulsos. - Nataniel Zach Foxin, você está preso por assassinato, homicídio doloso, ocultação de provas e extorsão. Ouvi eles marcharem para o andar de baixo. Ouvi a voz de Crystal desesperada. Corri pelas escadas quase tropeçando em meus próprios pés, Nate estava parado ao lado da viatura, tentei correr até ele, mas fui impedida por minha mãe, que me segurou durante minha corrida. - Meu amor, precisamos ir embora. - Não! - reclamei - Mãe, o Nate... - Eu sinto muito, filha. - ela tocou meu rosto - Não podemos ficar aqui. Ela segurou meu pulso e me arrastou para o nosso carro, bem ao lado da viatura. Entrei contra a minha vontade, e já chorando, bati no vidro ao meu lado, chamando sua atenção. - Nate, Nate! Nate! Ele me olhou, assustado e com os olhos marejados. Eu apenas precisava abraça-lo mais uma vez, só mais uma vez. - Eu não vou desistir de você! - gritei para que ele ouvisse - Nate! Eu não vou desistir de você! Ele assentiu com os olhos fechados, vi lágrimas descerem, e então, a viatura partiu levando-o embora. Olhei para trás enquanto nosso carro ia embora também. Minha última visão foi Crystal chorando nos braços do irmão, e Finick, sentado na calçada com as mãos na cabeça. Minhas lágrimas me queimavam por dentro e aquela sensação de liberdade, não era nada perto da dor que eu sentia agora. E não estaria melhor no dia seguinte, muito menos no próximo. E assim se seguiria até que Nate fosse inocentado. Mas tudo o que eu tinha agora eram lágrimas. Mesmo com Auborne em chamas, ele tinha vencido. Mas, por Deus, não me venceria nunca mais.
Olá amores!! Já conferiram o capítulo que foi postado essa semana? Não?? Leiam aqui. Faltam só 2 capítulos, muito pouquinho. Vim agradecer desde já todos que acompanharam a história, ela é realmente muito importante pra mim. Estou agradecendo pq o cap que eu vou postar quinta que vem (20) e o próximo (27), talvez sejam programados e postados automaticamente pq eu não vou estar por aqui durante as próximas semanas, talvez só até dia 20 pra programar os dois últimos. Bons feriados a vocês e muito, muito obrigada por tudo. E ano que vem, estarei trazendo novidades pra vcs logo no comecinho do ano. Bjs ♥