Siga este raciocínio e estará morto! Tic Tac #3
O dia mais uma vez começou muito frio, com uma leve garoa gelada que acaba amaldiçoando qualquer alegria que possa acontecer, não sabia o por que de estar tão triste, parecia que algo de ruim ia acontecer, algum mal, mas simplesmente ignorei e comecei meu dia.
Como todo final de semana, arrumei minhas coisas e fui para uma competição, o campeonato paulista de judô, havia treinado muito para ele, tamanha era sua importância que nem a Tânia chamei para tal, nunca gostei de plateia. Havia chegado minha vez de lutar, entrei no tatame e fiz a saudação - Tic- a luta começou, segurei no kimono do oponente - Tac- faço uma infeliz tentativa de jogar meu oponente - Tic- ele devolve me jogando de lado e ganhando pontuação mínima- Tac- o juiz para a luta...ao reiniciar olho rapidamente para a arquibancada e vejo Tânia... - Tic- meu coração dispra, sentia-me na obrigação de ganhar, o tempo parecia congelar, mais adrenalina sobe em minhas veias - Tac...- seguro no kimono do oponente, entro rapidamente um golpe, mas este foi frustrado, e o contra golpe mais eficaz...caio de costas - Tic- não conseguia respirar - Tac- desmaiei...
Ao acordar na maca do hospital com duas costelas quebradas lembro de olhar para o rosto de Tânia e vê-la sorrindo para mim que nem da última vez quando dormi com ela, me senti muito bem, e ela ao me ver disse: "Você lutou bem, pena que não ganhou" e então de maneira rude respondi: " Desde quando você luta judô para entender alguma coisa?" então ela riu passou a mão em minha cabeça com um tom de preocupação e tristeza e então disse: "Pedro, vou ficar fora 1 ano..." então olhei para ela, no início pensei ser apenas mais uma de suas brincadeiras, mas vi em seus olhos que falava sério, então perguentei o por que dessa viagem e para onde ela iria, então ela disse: "Eu não posso dizer para onde eu vou, mas saiba que eu volto pode ficar tranquilo, eu sei que você vai se sair bem :)" eu não disse mais nada, simplesmente virei de lado e adormeci.
Acordei no dia seguinte apenas, minha mãe estava na sala de hospital, tinha cabado de receber auta, olhei para ela e perguntei onde estava Tânia, ela disse que esta havia viajado e que não soubera para onde, então eu um pouco enfurecido disse que estava tudo bem e que não sabia o por que dela ser tão breve em sua partida ao ponto de nem se despedir de mim. Fui para casa e fui tratar de meu ferimento.
Passado 2 semanas sentia-me um poço cheio de nada, estava saturado de videogame, de pessoas falsas ao meu redor, de comida, de treinos pesadíssimos, não queria mais nada, apenas falar com Tânia, ouvir sua voz, conviver com seu jeito de moleque destemido, de rir de suas piadas infames, de ajuda-la com seus problemas. Ao mesmo tempo eu pensava em sua situação onde quer que estivesse, se ela estava bem, com quem estava, se estava namorando, se estava viva ou morta...se havia me trocado ou não, so sei que comecei a ficar triste de verdade por sentir falta dela.
Depois de 6 meses sem notícias dela me sentia disposto a deixar corromper-me, de aderir à falsidade social, de ser como todos são só para não ficar mais sozinho. Não tinha um real conversa com algúem havia muito tempo, nem sequer lembrava mais como era ter uma só sei que me sentia incompleto se não vazio, era como se fosse uma pedra em minha língua que tirava minha vontade de falar, de me comunicar com outras pessoas...só queria uma coisa, ver a Tânia.
Para passar o tempo aprendi a meditar, durante as seções sentia-me muito bem, como se estivesse em uma espécie de paraíso mental, mas isso ia além da mente, atingia o imaterial, o espiritual, então a paz que eu recebia era muito grande. Fazia estas seções por horas e horas, meus pais começaram a se preocupar, pois emagreci muito, os professores diziam que eu era muito fechado e que tinha tendências a surtos psicóticos, isso me incomodava, pois não entendiam o que passava, simplesmente criticavam por criticar.
No décimo mês a mãe de Tânia ligou para minha casa atrás de mim, ao falar comigo disse que Tânia sofrera um infarto ao chegar em casa e que estava no hospital....Meu mundo congelava nessa hora- tic...- meu coração começara a bater rapido demais - tac-passavam pela minha mente todos os momentos com Tânia- tic- e então lembrei de uma promessa que fiz a ea quando tinha 8 anos...de que não a deixaria se machucar com nada e nem com ninguém- tac...- desliguei o telefone, não sei como mas por insitinto fui até o hospital onde ela estava, comecei a ouvir um relógio em minha cabeça, pedi para ir ao quarto onde ela estava, encontrei Tânia, ela estava entubada e de aparência muito diferente, ela havia crescido, estava linda, uma mulher quase, de corpo formado e com um rosto lindíssimo, mas ao vê-la a primeira coisa que fiz foi segurar sua mão e dizer que eu não ia quebrar a promessa ela sorriu para mim fez um sinal de positivo com a mão e adormeceu.
Tânia foi levada para cirurgia logo em seguida, era uma cirurgia arriscada, o relógio em minha cabeça persistia em existir, nunca estivera tã feliz e tão preocupado em ver Tânia, só pensava em uma coisa naquele momento...o que seria de mim se ela morresse, sera que eu me perdoaria? sera que poderia conhecer alguém tão especial e importante para mim como ela?
Passadas 18 hrs de cirurgia o médico veio à sala...o relógio em minha mente parecia entrar em contagem regressiva, mas ele foi muito breve e disse que estava tudo bem, mas que a partir de hoje a vida de Tânia seria extremamente regrada.
Não era apenas um alívio para a família de Tânia mas também para mim, pois assim teria mais alguns anos para tê-la ao meu lado como melhor pessoa deste mundo.
Junto com essa notícia veio também a notícia da mudança de cidade dos pais da Tânia, isso foi muito bom, pois decidiram alguar um ap para ela, pois assim terminaria os estudos aqui e faria uma faculdade descente, ela sempre gostou de química, e agora poderia estudar e teríamos a casa dela para fazer festas ou para ficarmos a vontade quando quiséssemos, isso era incrível!
Mas ainda não me sentia feliz por completo, algo parecia muito estranho, sem sentido, talvez fosse o choque da situação, não sei, mas algo me incomodava extremamente...e o relógio em minha mente continuava a marca o tempo....