Entrevista a um urinol
Hoje entrevistamos um urinol público. Dedicado a esta nobre profissão desde tenra idade, será hoje um indivíduo realizado? Quais os desafios que enfrenta diariamente? Quais os objectivos futuros desta cativante personagem do dia a dia?
Jornalista: Muito boa tarde, senhor urinol. Elucide-nos quanto à sua nobre arte. Urinol: Boa tarde. O meu nome é Miguel, até há amigos meus que me chamam Mike, naquela de do Mike Tório, só que eu não sou Tório, sou Fernandes, mas eu também não levo a mal. Eu também conheço o Quim Torneiro e ele não é Quim, é Manuel. J: Bem, e quanto à sua profissão? U: Bom, eu sou urinol desde que nasci, basicamente. Sempre fui urinol e sempre serei urinol. É uma arte de família, o meu pai era urinol, o meu avô idem… J: O seu bisavô também… U: Não, por acaso não. Esse senhor era um gandulo, um vadio, sabe? Ganhava a vida como penico. Sempre de um lado para o outro, nunca parava muito tempo no mesmo sítio. Desconfio até que tenho muitos parentes espalhados pelas casas de banho do país. É a ovelha negra da família. J: Percebo. Então e como é que se decidiu a seguir as pisadas dos seus antepassados? U: Olhe, isto não foi bem uma escolha, está a ver? Eu não acordei um dia e decidi ser urinol. Eu já nasci urinol! J: Mas a sua profissão fascina-o, não? Afinal, é completamente devotado a essa missão. U: Tenho a dizer-lhe que não. Se eu quisesse ver trombas o dia todo tinha ido para urologista ou tratador de elefantes ou trabalhar nas Finanças, não é? J: Suponho que sim… U: Pois. Além de serem profissões com mais reconhecimento. Tirando as Finanças, claro. J: Claro. E a sua família, como vê a sua profissão? U: Olhe, não vê muito bem porque eu sou urinol num bar gay e a minha família é toda muito católica, por isso… Tenho é uns primos que trabalham comigo, mas esses também não vêem grande coisa do meu trabalho porque estamos separados por aquelas divisórias de aglomerado forradas a fórmica. Forradas é como quem diz, porque aquilo está num estado que valha-me Deus! É que eu não percebo como é que é possível dar cabo da fórmica enquanto se mi… urina, vá…! J: Pois, é uma boa questão, de facto. E então quais são os seus planos futuros? Existem? U: Bom, lá existir, existem mas eu já quase que abandonei a esperança. J: Então mas porquê? O Miguel ainda é jovem, tem muito tempo para concretizar os seus sonhos. U: Pois, tá bem. Só que o meu sonho era ser urinol numa casa de família. Ter uma vida mais descansada, conhecer toda a gente que me visita… J: Compreendo o seu drama. Não há muitos urinóis em casas. U: Exacto, nem em apartamentos. Que variadas vezes nem banheira têm mas um sacana de um bidé, Ah! Isso é que não pode faltar! Você já viu alguém usar um bidé? Quantas vezes? Não é muito mais útil um urinol? J: Suponho… U: Até porque nós, urinóis, temos o poder de trazer paz ao mundo. J: Paz? Como assim? U: Um urinol pode acabar com as discussões mais violentas no seio das famílias! J: Quais discussões? Sobre heranças? Não estou a ver a relação, desculpe. U: Quantas vezes não se geram discussões piores que o conflito no médio oriente porque alguém se esqueceu da tampa da sanita levantada e ninguém se lembra de quem foi o último a lá ir? Os urinóis nem tampa têm! J: Ah! Pois, faz sentido.








