Não sabendo o que dizer ou fazer. Molly foi atrás da única pessoa que se sentia confortável para chorar. Não que ela se sentisse confortável em fazer isso com alguém, mas se havia uma pessoa que ela poderia ir quando tudo estava ruindo que jamais a julgaria e acabaria dando conforto para sua mente essa pessoa era James. De uma forma estranha e maluca era a pessoa que lhe trazia equilíbrio e paz. Por mais que dificilmente admitisse isso. O procurando desesperadamente no refeitório o encontrou com o sorriso de sempre. Acabou o puxando pela mão sem dizer nada, a expressão preocupada deveria ser suficiente. Olhou entre as salas até achar uma que estava vazia e fechou a porta atrás deles.
"Eu preciso desabafar muita coisa. Muita coisa mesmo e preciso que você me escute." Começou andando de um lado para o outro enquanto indicava para o primo sentar na cadeira. "Há alguns anos, enquanto eu namorava Lysander, recebi o meu primeiro E ao invés de O. Nas férias meu pai me disse que era por eu estar muito distraída e por causa disso precisava focar no meu futuro e terminar com ele. Eu sempre quero agradar meu pai, ser a filha perfeita, ser a mulher que ele me criou. Por mais que tivesse quebrado meu coração, se ele mandou eu fazer algo, eu fazia. Tentei recorrer, e ele falou que se eu seguisse essas bobagens faria minha inscrição para terminar os anos de educação em Durmstrang. Que faria bem para mim me afastar mais de todos vocês. Minha mãe foi até meu quarto e me viu escrevendo a carta de término, e depois todas que ele enviou ela pegou e deixou com ela. Falou que seria mais fácil para eu superar, e depois disso acabei o evitando. Ele não sabe disso, e não pretendo que ele fique sabendo, ok? Já com Niko foi diferente, pois ela interceptou a carta de que ela não era uma boa amizade para mim. Que nenhum de vocês eram, e eu não consegui argumentar e brigamos." Não parecia tão ruim a príncipio, mas agora que estava vocalizando algo que nunca havia se permitido, o máximo que havia feito foi se abrir com Lily quando precisou, mas agora era diferente ela estava contando tudo.
"Aprendi a conviver com isso. Me fechar para as pessoas, pois nunca iria conseguir retribuir nada. Nas férias ficava menos tempo na Vó e só consegui ir um pouco, pois a própria foi nos buscar. Meu pai está com essa ideia de se tornar Ministro e para isso quer construir uma imagem e para isso está fazendo amizades...dúvidosas. Que é onde começa nosso problema atual. Encontrei uma carta nas minhas coisas. Estava escondida por feitiço para se revelar depois de algum tempo. Essa carta diz que eu precisava ficar mais amiga, e me aproximar do Zabini. Que nos feriados eu ficaria na casa deles, e que até eu me formar e ir para o Ministério, sim já tenho um trabalho garantido no Departamento de Transportes Mágicos. Yup. Não tinha entendido as coisas até perguntar para Balthazar se ele sabia algo sobre isso." Apoiou-se na mesa e não conseguia levantar os olhos para encarar o primo.
"Não me dou bem com Zabini, assim como a maior parte das pessoas. Ele me desafia, e eu perco a paciência rápido, mas quando ele viu a carta...Ele disse que basicamente meu pai me deu de noiva para a família deles em troca de apoio político. Achei que era loucura, mas pensando em tudo que meu pai estava fazendo...E o pior, é que, se meu pai mandasse, James, eu não sei se saberia falar não. A situação me doeu mais por que mesmo não sendo a maior fã do Zabini, eu vi o olhar dele. Por mais que ele tenha falado que imaginava que algo assim eventualmente aconteceria com ele, sei que não é bem assim. Nós dois somos bons filhos e provavelmente se for isso mesmo, fariamos o que foi nos mandado, mas James, eu não quero casar com alguém me odeie. Não estou dizendo que vou casar por amor ou sequer vou me casar, pois não sou uma pessoa muito agradável, mas eu já não gosto de mim o suficiente, ter que viver em um ambiente assim, e se tivermos filhos? Que criança seria feliz em uma casa onde os pais se odeiam? Você entende onde quero chegar? O que eu faço?E se ele fizer isso com a Lucy? Balthazar tem aquele jeito dele, mas eu sei que ele não é cruel. E se Lucy não tiver essa sorte? Ok, acho que agora terminei." Não conseguiu evitar as lágrimas, e as palavras finalmente acabaram e ela finalmente se rendeu e olhou para o primo em busca de ajuda. “Ah, já que estou sendo sincera aqui. Estou viciada em poções para dormir, sem elas eu não durmo e não tenho mais ou seja estou sem dormir e quase enlouquecendo. Agora eu terminei.”
chloé mal sabia como havia conseguido ter firmeza para adentrar no apartamento de benjamin beauffort de maneira tão - falsamente - confiante. havia saído do hotel martinez horas mais cedo com uma lista de afazeres, o primeiro deles sendo ir até a casa do namorado. pelos horários do colégio, sabia que logo ele estaria em casa e esperava não deixá-lo ainda mais chateado por estar ali, sentada em seu sofá agarrada a uma filha de caderno levemente amassada. ele havia lhe dado a chave, mas não acreditava que esperava encontrá-la ali após quatro dias sumida e um vídeo que a expunha.
fizera o possível para parecer minimamente bem, havia até colocado um pouco de maquiagem para esconder as olheiras causadas pelas noites mal dormidas. a máscara de cílios à prova d’água adornava os olhos da jovem, chloé tinha a certeza que estava ali para que ben pudesse colocar um ponto final no namoro recente de ambos. sentia ar falta em seus pulmões e uma vontade forte de chorar, mas havia prometido a si mesma que ele não a encontraria chorando. ben tinha um coração bom, provavelmente adiaria o término caso a visse em lágrimas e a última coisa que ela queria era ele ao lado dela por pena. chloé o amava muito, porém havia conquistado um respeito por si mesma e estava determinada a mantê-lo.
ao escutar movimentação pela casa, a loira soube que benjamin havia chegado. respirou profundamente e levantou-se do sofá, percebeu que seus olhos marejaram de leve. patético, pensou consigo e engoliu seco. já havia encenado tudo em sua mente diversas vezes, mas nada se comparava com a realidade. ao ver a figura do namorado, chloé teve de segurar o desejo de atirar-se nos braços alheios e dizer o quanto havia sentido a falta dele nos últimos dias. seu coração estava apertado pela apreensão, o medo de ser deixada e do fim. não queria o fim, não queria que terminassem e não queria perdê-lo, mas não havia muito o que fazer se aquele fosse o desejo alheio. ❝ ━━ oi, ben... eu lembrei que você me deu a chave e achei melhor te esperar aqui. me desculpa vir sem avisar, é que eu estou sem celular e...❞ sua voz saiu fraca, sem qualquer da firmeza que havia planejado transmitir. ela o fitava e tentava ignorar as insistentes borboletas em seu estômago, que antes a faziam sorrir instintivamente ao vê-lo. ❝ ━━ antes que você diga qualquer coisa, preciso que você fique parado exatamente aí. eu quero memorizar esse momento para caso...❞ seja a última vez que eu te veja assim, terminou a fala mentalmente. ❝ ━━ eu escrevi esse texto porque eu sempre fico muito nervosa, tive medo de não conseguir dizer exatamente o que eu estava planejando ou esquecer algo importante. então se você for terminar comigo, por favor, espera eu terminar ler tudo que eu anotei.❞ levantou o papel minimamente para que o rapaz o visse, sua respiração estava pesada. duvidava que fosse de fato conseguir completar aquela leitura sem se entregar ao choro.
havia uma pequena aglomeração em frente ao hôpital necker, em paris, após a chegada de uma figura pública. vinha sendo assim desde a chegada de colette stuyvesant, ceo de uma das maiores empresas de desenvolvimentos de jogos eletrônicos, que havia sofrido um acidente de carro sério. a mídia francesa não fazia ideia, mas a situação da mulher era instável e vinha intrigando todos os médicos envolvidos em sua recuperação — se é que sua situação podia categorizar-se em um termo tão positivo. poucos membros do clã stuyvesant haviam aparecido para verificar o estado da idosa e isso, talvez, dizia muito sobre os laços quebrados que pairavam sob a renomada família francesa. isabelle faltou aula durante toda aquela semana, sem que os pais soubessem, por não conseguir se concentrar em nada que não fosse o estado de saúde grave da avó. o nível de ansiedade estava tão elevado que se forçou a desobedecer ordem diretas de martina, sua mãe, e usasse um dos jatinhos particulares para chegar rapidamente na capital da frança; sabia que não se perdoaria se perdesse a oportunidade de se despedir. como sempre, optou por não avisar a ninguém o que estava fazendo (nem mesmo as melhores amigas ou o namorado) até que fosse seguro, não queria que ninguém tentasse impedi-la ou, pior, se oferecesse para acompanhá-la. se era uma situação tensa (e provavelmente de luto), não queria ninguém por perto para vê-la sucumbir à dor.
sua chegada havia sido conturbada, cheia de perguntas e reclamações dos progenitores, mas pouco se importou: não estava ali por eles. tudo que queria era ver a avó e não voltaria para cannes até que conseguisse o que queria. typical isabelle. depois de horas esperando, conseguiu ter uma última conversa com a mais velha. incerta e completamente apavorada, isabelle sentou na maca, ao lado do corpo ferido da avó, e esticou a mão para tocar na de colette; estava quente, pelo menos. era um bom sinal, certo? “grand-mère, peux-tu m'entendre?¹” questionou, mas não houve resposta e a mulher continuava de olhos fechados. parecia morta por dentro e, a neta descobriria depois, viria a falecer alguns dias depois. seu coração pesou ao ter a percepção que, talvez, a mulher não saísse dessa. “vous êtes fort, je connais². lembra quando teve aquela tentativa de assalto e a senhora bateu no homem com sua chanel?” a pergunta foi retórica, soltando um risinho melodioso e melancólico após sua proposição. martina e colette sempre haviam sido seus maiores exemplos de força, em todos os âmbitos. eram rígidas e raramente recebia afeto, mas acreditava plenamente que eram responsáveis por todas as qualidades que possuía. “o vovô ficou só olhando, como o bobo que é. admirado e apaixonado, porque sabia que você é quem protege nossa família. se for embora, ninguém vai me proteger.” soltou um suspiro, sendo sincera em suas palavras. não sabia se estava sendo ouvida, mas não custava nada tentar. curvou o tronco para que pudesse beijar a mão alheia, posicionando-a em sua bochecha, em sua bochecha. “ne me quitte pas³.”
colette stuyvesant morreu três dias depois. o enterro foi feito em cannes e seu túmulo está próximo ao de jérôme, irmão de isabelle.
primeiro de novembro de dois mil e vinte.
desde a morte de jérôme, o feriado de toussaint era significativo para os stuyvesant. nos anos anteriores, isabelle preferia passar aquele dia tão melancólico com os avós, porque sabia o quanto todos ficavam emotivos e colette e ludovic stuyvesant também precisavam de atenção e cuidados extras. as coisas estavam complicadas nesse ano, porque, além de todo o drama envolvendo sua vida, também era a primeira vez que passava aquela data sem a avó. demorou a decidir se ficaria em casa ou se continuaria a visitar a mansão, afastada da cidade, mas sabia que não poderia deixar o avô sozinho.
a tradição dos seniores e da neta era simples: visita ao túmulo, preparar uma refeição e passar um tempo de qualidade juntos. colette era uma mulher dura e fria, com dificuldades reais em expressar afeto, mas nunca deixou a desejar no quesito cuidados; não era de dar abraços constantes, mas sabia cuidar da família como ninguém. ainda sentindo-se zonza e com a aparência abatida, isabelle estacionou o carro dentro da enorme propriedade privada e nem precisou tocar a campainha; ludovic já estava à sua espera, mesmo que não tivesse avisado, no jardim. “grand-père, je vous ai manqué⁴.” cumprimentou, sorrindo largo e correndo ao encontro do mais velho para abraçá-lo. foi apenas quando os braços fortes envolveram o corpo miúdo da stuyvesant que ela pôde sentir certo alívio, um aviso silencioso que ficaria tudo bem. era o poder do homem com seus netos. sentiu os olhos encherem de lágrimas, mas não tentou disfarçar, como costumava fazer com outras pessoas. era sua pessoa favorita ali, afinal. “ma petite fille ⁵, veja como está crescida! e diferente. ter saído da casa dos seus pais te fez bem.” o comentário dele causou um risinho na neta, franzindo o nariz. não poderia negar que estava melhor. fechou os olhos quando os dígitos enrugados de ludovic limparam os resquícios de lágrimas, sorrindo em seguida.
“o senhor já foi visitá-la?” isabelle perguntou, enquanto preparavam a massa da pizza na cozinha. o prato escolhido era muito especial para os dois, por ser o favorito de colette e costumarem assisti-la fazer enquanto conversavam (quentin estava, normalmente, por perto). mesmo que estivessem rindo e se divertindo, uma nuvem negra, a tristeza, ainda pairava entre os dois. ludovic demorou a responder, fitando o molho que preparava, mas assentiu, por fim. “às cinco da manhã.” comentou. poderia ser um horário aleatório, mas não era; colette veio à óbito nesse horário e todo segundo dia de cada mês, ludovic aparecia no cemitério. é verdade que belle se preocupa com todos ao seu redor e tenta cuidar de todos, mas a sensação parecia se intensificar quando era o avô em jogo. ele sempre havia sido um gentleman, sensível e gentil demais — bom demais para habitar no ninho de cobras que sua família era. não sabia se ele estava envolvido, mas, considerando que ludovic nunca havia trabalhado na empresa, responsável por cuidar dos filhos enquanto a esposa gerenciava uma multinacional, duvidava muito. ou talvez esse fosse seu desejo. claro que estava desesperada para perguntar sobre os recentes acontecimentos, mas não sabia se deveria cutucar a ferida e, pior, terminar de assassinar a visão que tinha da avó. preferia manter-se na ignorância, por enquanto. além disso, não era o momento ideal para questionar o homem sobre atividades ilegais de sua esposa morta, principalmente quando conseguia interpretar tão bem o olhar perdido e triste do homem e não podia fazer nada.
as duas horas que se passaram foram muito bem gastas na companhia um do outro. isabelle pôs o homem por dentro de tudo que vinha acontecendo em sua vida — bom, quase tudo. não quis preocupar ludovic com os recentes problemas da festa, mesmo que, até pouco tempo atrás, ele soubesse de cada mínimo detalhe de isabelle. sentia-se péssima por ocultar informações, mas era necessário. focou muito mais em responder as perguntas usuais, sobre chloé, faheera, thomas, clem e maeve, os nomes antigos que ele nunca esquecia. e o primo desnaturado, é evidente, e que, assim como belle, cresceu com os avós. gostaria de não estar sendo tão egoísta para que pudesse passar um tempo com ele, para acalentar seu coração, mas o peso em seus ombros estava muito pesado para sustentar sozinha; imagine adicionar mais problemas à equação. despedindo-se de ludovic, fez várias promessas de que apareceria mais vezes e que arrastaria o primo, quentin, junto. o sol estava começando a se pôr, assumindo uma coloração alaranjada, quando sentou-se na grama do cemitério, em frente aos túmulos da família stuyvesant, para, enfim, fazer sua visita anual.
“bonne nuit, grand-mère⁵, desculpe a demora. eu sei que a senhora detesta atrasos, mas, veja bem, eu estava com o vovô. ele sente sua falta, mesmo que não fale sobre isso. eu também sinto, todos os dias.” começou, soltando um suspiro longo. sentiu os olhos arderem mais uma vez, mas, por puro hábito, lutou contra a vontade de chorar. colette detestava quando ela chorava em público e ali não deveria ser uma exceção, afinal. “you always taught me to be strong and i thought i was, but what if i’m not? eu não sei viver sem você, vovó, não consigo. ninguém consegue. sei que uma dama não xinga, mas tá tudo uma merda sem você, tudo saiu do controle. eu fiz uma coisa muito ruim e queria que estivesse aqui pra me ajudar a superar, pra me ajudar a viver, because so far i’ve been getting it wrong.” apoiou o queixo em cima do joelho, para sustentar o rosto, e sorriu melancolicamente. soltou um suspiro, agarradas aos joelhos, ainda sentindo um aperto no peito. “eu estou com saudade, é tudo. acho que eu era feliz quando você estava aqui, todos nós. i love you so much, even though you were a cunt.”
Sempre que possível, Rowan preferia apenas não dormir. Conseguia passar dias em privação de sono, apenas para não cair dentro dos próprios sonhos. Era angustiante demais, perigoso demais. Se ele se descuídasse podia acabar tirando coisas de seus sonhos e ele nem sempre sonhava com flores e passarinhos. Monstros terríveis, objetos esquisitos, árvores venenosas. Fazia muito tempo que o moreno havia chegado a conclusão de que seu subconsciente queria lhe matar e cada vez que ele se via preso na própria mente ele tinha mais certeza disso. Por isso, quando adormecia, ele procurava qualquer sonho para se infiltrar, como um parasita --- já que nos sonhos alheios ele não podia trazer nada de volta e além disso, ele tinha como regra não se intrometer nos sonhos que habitava, era mais fácil e seguro assim. Acontece que naquela noite em especial, o sonho não era tranquilo e relaxante como esperava e ele chegou a conclusão de que preferiria encarar um dos monstros sanguinolentos do próprio inconsciente do que encarar aquela imagem por muito mais tempo.
As gargalhadas maldosas, os olhares julgadores, era como se até as paredes e o teto do pequeno antiteatro da escola zombasse da fada que se encontrava nua no palco, sendo ridicularizada. Em condições normais, ele normalmente apreciaria o fato de ver @warghh sem roupa, mas a situação toda era tão fisicamente dolorosa que ele não aguentou e, quebrando as próprias regras, avançou em meio a multidão e, subindo no palco em apenas um pulo, ele cobriu a menina com a sua jaqueta de couro e a levou para longe do palco em direção aos bastidores. --- --- Você está bem?
‘i thought you were dead, but you’re not and i can’t believe it’ sex (blawes)
nsfw starters; fifty reasons to have sex.
O sufoco fazia com que a respiração de Dorcas, geralmente comedida, se tornar ruidosa. A urgência, a dor era capaz de machucá-la de uma forma que, geralmente, jamais deixaria mostrar: forte, geralmente resiliente e muito, muito fria em questões de tristeza, o rosto bonito da latina mostrava desespero. Mas desespero real, porque era Regulus ali, parado. Seu Regulus. Com os fios escuros, os olhos tão azulíneos, as roupas molhadas, o rosto desolado. O medo aparente. Ele sempre foi tão corajoso, tão destemido, que ver aquela expressão adornar as delicadas feições de seu rapaz robusto era de fazê-la tremular. “Corazón…” Seu chamamento foi baixinho, soprado, correndo até ele porque, por agora, nada importava.
Nem ninguém. Nem os planos. Nem os vilões, ou mocinhos, o que fosse. Nada importava senão Regulus.
Sua primeira reação foi simplesmente colar as bocas, os corpos, umedecendo o tecido amassado de seu vestido com a água que o esfriava. Naturalmente aquecida da cabeça aos pés, seus braços envolveram os ombros largos, as mãos elegantes e os dedos longilíneos, os cabelos escuros, enroscando-se ali. E mesmo alta, Meadowes estava na ponta dos pés, tentando encostar cada pedacinho de si no caçula. “Corazón, corazón…” Repetia de novo e de novo, movendo sua boca na dele e redescobrindo o gosto gélido que inundava seus sentidos com vontade, com um desejo que vinha mascarado pelo medo.
Não queria se desprender, é claro, mas precisava, porque aquelas roupas a incomodavam e a sufocava, mas não era essa sua preocupação. “Déjame quitarme esto, baby-” As frases na língua materna vinham em entremeio de respirações altas, do farfalhar das roupas que deixavam os corpos, do retirar incessante de blusas, casacos e, por fim, da calça colada ao corpo dele, que Dorcas tremia para retirar. O nervosismo era tanto que ela até estava vestida, mexendo somente nele, sem conseguir ouvir se tinha hesitações ou qualquer coisa vinda de Regulus. Quando levantou os olhos, porém, depois de desabotoar e abaixar o zíper dele, foi de encontro com aquelas orbes tão azuis.
E parou.
Seu coração apertado não conseguiu aguentar a visão dele ali. Vivo. Machucado, assustado, mas vivo, em seus braços. Um soluço rasgou sua garganta e a cabeça da Meadowes girava. “You’re alive…” O som de seu sussurro era cortante. Triste, mas aliviado, com tons de choro que geralmente não atingiam sequer uma frase do vocabulário da latina. “You’re alive, alive, here with me, alive-” O mantra era tão baixinho que suas mãos voltaram para o rosto dele, adornando o maxilar marcado, acariciando aquela porção dele pele alva.
Pela primeira vez, não precisou mandar. Sequer queria, ou conseguia mandar, ordenar o que fosse, porque o Black entendeu. A necessidade, o desespero. Foi por isso que sequer piscou quando sentiu a roupa íntima deixar seu corpo, a calcinha melada pelos beijos correspondidos de antes que, mesmo assim, conseguiam incendiar seu corpo. Era uma reação que só ele conseguia arrancar, ninguém mais, e o medo de nunca mais sentir o frio na barriga e a sensação adolescente de amar era aterrorizante para a Meadowes. “Please.” Aquela palavrinha era tão, mas tão rara, que mostrava o quão vulnerável a auror estava.
Quando menos percebeu, suas pernas longas envolviam a cintura desnuda do mais novo, que segurava com força suas coxas torneadas para apoio. Em momento algum, nem mesmo quando sentiu o deslizar característico que a fez arfar, deixou de olhá-lo. Tinha lágrimas em seus olhos, ardendo aquelas orbes castanhas que há dias tinha perdido seu brilho. Entretanto, sua boca estava descolada, porque queria que ele a ouvisse, que percebesse que estava ali também. “My heart, mi corazón-” Agarrou os fios escuros, trazendo-o mais perto ao colar as testas, seu corpo arrepiava com as estocadas que não eram fortes; eram rítmicas, lentas, compassadas. Com saudade.
Com reafirmação.
Pelas paredes da sala, de onde sequer deixaram desde quando Regulus apareceu, o som de um dócil gemido reverberou pelas ondas de prazer, sem conseguir segurá-lo. Suas costas estavam presas contra uma parede gélida, mas Meadowes tentava ao máximo colar os troncos, mesmo o seu vestido, para que pudesse senti-lo. “Regulus…” Seu último suspiro antes de sentir o corpo tremular de prazer veio com um lento cerrar de seus olhos, porque tinha medo de fechá-los completamente e senti-lo ir embora. Mas não. Ele continuava ali, vivo, em seus braços que o enlaçava, e Dorcas não deixaria ele ir embora nunca mais.
— Me diga novamente por que — Kale começou, enquanto escrevia em seu caderno. — você quer começar a organizar nosso trabalho num restaurante, Pete? — A mesa entre eles estava parcialmente ocupada por cadernos e papéis, mas em poucos minutos alguém viria atendê-los e, conhecendo Peter, em breve o resto da mesa estaria ocupado com comida. Comidas estas, que Kale preferia não ter que comer.
O colega de classe e amigo o olhou entediado. Kale vinha insistindo naquilo desde que a ideia fora sugerida e ele já tinha explicado pelo menos umas dez vezes que era essencialmente pela comida. — Comida, K. É sempre pela comida. E se você não comer nada hoje, eu juro que vou começar a achar que você é um daqueles vampiros.
— Não brinque com essas coisas. — Ele riu, escondendo perfeitamente o desconforto sobre a suposta suspeita. Kale era sim um vampiro, mas ao contrário dos outros da sua espécie - e principalmente contra a vontade dos membros do seu coven - ele frequentava a universidade no período da noite e convivia diariamente com humanos. Era um bom jeito de não levantar suspeitas; passar-se por um deles. E isso Kale fazia com maestria. Tinha até mesmo aprendido a controlar os impulsos violentos e dolorosos de vomitar quando ingeria comidas humanas, tudo pelo bem do seu disfarce. E Pete o fazia exercitar tal aprendizado quase todos os dias, praticamente enfiando batatas fritas em sua boca quando ele recusava educadamente. E faria novamente naquela noite, já que ele lia avidamente o menu que tinha em mãos.
Com a descoberta dos vampiros e lycans e o início do extermínio há alguns anos, ambas as espécies não viram outra saída que não fosse permanecer nas sombras, protegidos da ameaça que os humanos agora representavam. Muitos grandes covens haviam sido destruídos, e poucos eram os que se mantinham. Mas Kale se recusava a viver preso. Argumentou ferozmente com os membros do conselho, até que finalmente lhe deram permissão para fazer um teste. A beira da extinção, talvez aquela fosse uma boa maneira de coexistir: em segredo, porém entre humanos. A seu ver, aquilo não seria um esforço tão grande, já que vampiros não bebiam sangue humano há séculos, e alimentavam-se apenas do sangue que eles fabricavam. Sangue clonado; era uma boa fonte de renda e, é claro, de alimento fácil.
— Já se decidiu? Eu não tenho a noite toda, Peter. Não quero ficar trancado pra fora de casa. — Ele soltou num suspiro. De fato, ele não tinha. Tinha até o amanhecer, caso contrário, viraria um bocado de cinzas. No entanto, dizia morar numa fraternidade que tinha um horário rígido para trancar as portas, e para evitar ter que levar qualquer pessoa até onde morava, havia dito que eles não aceitavam visitas.
— Já decidi, não se preocupe. Já disse que pode ficar na minha casa se te deixarem pra fora. — Peter deu de ombros, como se a situação não tivesse importância e ergueu um dos braços, tentando chamar a atenção de um dos atendentes.
“Heart beats fast, colours and promises.
How to be brave? How can I love when I’m afraid to fall?
But watching you stand alone, all of my doubt suddenly goes away somehow. One step closer!”
Discutir minha escolha, sobre quem seria meu futuro noivo, na frente de uma plateia de amigos, familiares e membros da equipe enquanto isso era transmitido ao vivo para todo o país não era exatamente o que eu havia escolhido para o meu dia, muito menos era o nível de intimidade que eu estava pensando, mas por vezes, até mesmo uma princesa não pode ter tudo. Eu procurei na sala por mamãe, Erick e Alec, já que meu pai não estava mais por ali. Eu precisava vê-los, talvez para me assegurar de que tudo ficaria bem.
O estúdio era geralmente frio, mas eu tinha certeza de que o frio que passou por mim não estava relacionado com a temperatura. “— E vocês três ficarão aqui, bem atrás da princesa.” - disse a produtora, arrastando Simon, William e Augustus para ficarem atrás de mim. “— Nós ainda temos algum tempo, mas não saiam correndo. Alguém viu Gavril? - Ela gritou para ninguém em particular. A emoção correndo pela minha pele era eletrizante, e principalmente enervante, eu começava a me sentir sufocada, e em um ato quem vinha se tornando comum para mim, eu apertei minhas mãos na minha frente, concentrando-me no sensação do meu anel de “noivado-não-pedido” contra as costas dos meus dedos. Aquilo de certa forma era reconfortante.
Virei-me para os selecionados, forçando um sorriso. “— Então, vocês estão prontos?” - Eles olham para mim e eu me sentia tão nervosa que mal sabia dizer quem havia respondido. “— Você está?” - Eu queria dizer que sim, e eu podia ouvir a palavra na minha cabeça, mas eu não conseguia expressá-la com minha boca. Então, eu apenas sorri e acenei com a cabeça. Olhei para frente novamente, para a platéia. Eu não conseguia vê-lo, mas sabia que ele estava ali. Fechei os olhos, pensando em quantas coisas idiotas e egoístas eu já havia feito no passado. Meu maior medo era o povo não me perdoase se eu quebrasse mais uma regra, eu não poderia suportar decepcioná-los. Eu não poderia suportar decepcionar meu pai, minha mãe, minha família.
“— Alyssia?” - Abri os olhos e me virei para a voz da mamãe, feliz em vê-la vindo de braços abertos. “— Como você está se sentindo?” - Ela me perguntou com um sorriso gentil. “— Ohh totalmente maravilhosa e nem um pouco apavorada.” - Fiz careta ao brincar. Afinal eu estava tremendo por dentro. “— Não se preocupe. Independente de quem você escolher eu estarei ao seu lado, te apoiando. E Lys, lembre-se que seu pai e eu decidimos que esta seleção deveria acontecer não somente como distração para o país, para acalmar as coisas. Nós também queríamos que você e o Alec encontrassem o amor. Que se apaixonassem por alguém e que fossem feliz.” - Ela sorriu de forma gentil para mim, me abraçou e me deu um beijo doce. “— Então se for preciso quebre a regra estúpida, e escolha alguém que você realmente ame. Case-se com o homem que você ama e ele será suficiente para todos nós. E se as pessoas não o aprovarem, não é um problema, desde que você esteja feliz.” - Olhei novamente para a platéia e engoli em seco pensando no que deveria fazer, pois eu começava a vacilar. Quando eu olhei para a mamãe novamente, ela já havia ido sentar-se em seu lugar.
Distraí-me quando as luzes ligaram na minha direção. Tudo aconteceu muito rápido, num minuto Gravil estava falando, no seguinte era minha vez. Comecei a falar sem ter ideia alguma de onde as minhas palavras me levariam. “— Boa noite, Inglaterra.” — Eu estava sem ar, quebrando todas as regras que aprendi sobre os discursos público. Minha postura estava curvada, meu tom era irregular e eu não me incomodei olhando para a câmera, porque eu estava muito ocupada procurando por Regulus atrás dela. “— Temos um pouco de surpresa para vocês esta noite. Nesta edição especial do Jornal Oficial, eu tenho um importante anúncio.” - Finalmente eu o vi, sentado no local que eu poderia dizer ser o mais afastado do palco. “— Você estão esperando que eu escolha meu futuro marido nesta noite. E estes três jovens atrás de mim, meus últimos três selecionados, estão aqui para serem escolhidos. E apesar de amar cada um deles de forma diferente, eu, infelizmente e com muita dor em meu coração, não posso escolher nenhum deles.” - Ouvi um misto de lamentação e suspiros vindo de todos do estúdio e aquilo quase me fez vacilar, porém, me mantive firme.
“— Contudo, sinto que devo uma explicação a todos vocês e principalmente a eles.” - Respirei fundo e então olhei para trás por um momento. “— Vocês são ótimos, e seriam maridos incríveis, mas creio que merecem de mim toda a minha sinceridade. Por isso eu sinto muitíssimo por isso.” - Senti um nó se formar em minha garanta, e novamente a falta de ar. Voltei a olhar pra as câmeras e continuei, prosseguindo para o que poderia ser a parte mais difícil. “— Devo esclarecer a vocês que meu coração não é frio e vazio como muitos pensam. Por isso, peço por favor que se juntem a mim para saudar o Sr. Regulus Ivory no palco.” - A sala aplaudiu, e ouve até mesmo alguns assovios e risadas. Estava apreensiva com o que estava fazendo, por isso tentei pensar o menos possível, mas…E se ele se recusasse? Mordi o lábio esperando por ele. E quando ele apareceu, peguei sua mão e o convidei para ficar ao meu lado, me sentindo um pouco tonta.
“— Creio que vocês conheçam o sr. Ivory como sendo um dos meus ex-selecionados. E posso dizer que desde a sua chegada ao palácio, ele provou-se inteligente, amável, honroso, engraçado, e uma dúzia de outras coisas que eu não sabia que eu queria até que eu as vi nele.” - Olhei-o, e algo sobre a sua expressão me fez ter forças para continuar, me acalmando. Esqueci-me das câmeras e continuei a focar meu olhos nos dele. “— Como tal, eu estou perdidamente apaixonada por ele, mesmo que eu o tenha eliminado. Devo dizer que a eliminação do sr. Ivory foi o meu maior erro.” - Sendo assim, ignorei completamente tudo e todos a minha volta e me virei completamente para ele, ficando a sua frente. Tirei o anel que ele me dera, e que estava em meu dedo, abri um sorriso que crescia a cada segundo e oferecia a joia a ele, apenas como um símbolo, já que aquele anel pertencia a mim, e somente a mim.
“— Regulus Ivory, você me daria a extraordinária honra de se tornar o meu marido?” - E foi então que meu mundo parou. Não houve ninguém caindo de joelhos, era apenas ele e eu. E milhões de pessoas assistindo. Quanto mais ele demorava para responder, mais eu ficava nervosa, porém, já não existia mais medo. “— Sim” - Ele finalmente disse, e eu sem pensar duas vezes o puxei para mim, envolvendo os braços em volta do seu pescoço enquanto o beijava. Eu estava vagamente consciente de aplausos e assobios, mas o bater de alegria do meu coração contra o dele tinha apagado tudo. Um canto da minha mente me disse que eu deveria estar preocupada sobre como o país poderia reagir, como as coisas iriam se desenrolar depois desta noite. Mas o resto de mim silenciou essa preocupação, pois eu sabia, com toda a certeza, que eu tinha encontrado o amor da minha vida.
Eu me afastei para olhar para ele, indescritivelmente feliz. Isso me fez recobrar a consciência e notar que as palmas esmaeceram. Eu olhei para a câmera, sorrindo demais para ter mais medo, e disse a meu povo a coisa mais verdadeira que eu sabia. “— Estou ciente de que eu nunca fui a princesa que vocês esperavam que eu fosse. Mas nesse curto espaço de tempo em que todos estes jovens se hospedaram e minha casa, eu aprendi muito e tenho estado muito preocupada com o meu lugar em seus corações. Eu entendo o porque de ter recebido tanta desaprovação, e também sei que a culpa é inteiramente minha, mas eu quero que saibam que eu me preocupo com nosso país, e que quero, ao lado de meus irmãos Erick e Alexander, fazer o que é melhor para o povo, ajudar cada um de vocês.”
Engoli em seco, sentindo o clima mudar, ficar mais denso, mas eu precisava tentar desfazer a imagem que as pessoas tinham de mim. “— Estes últimos meses têm sido um turbilhão para mim. Vocês perderam um rei, mas eu perdi meu pai, mas também recuperei meu irmão. E agora, encerro a seleção com alguém que eu amo. Durante tudo isso, alguns de vocês têm sido simpáticos, enquanto outros se sentiram ignorados. Alguns têm sido solidários, e outros têm sido agressivos. Antes da Seleção eu vivia minha vida dentro de um pequeno círculo de conhecidos. Eu admito, minha maior preocupação no mundo era o meu próprio conforto, e para mantê-lo eu estava disposta a sacrificar um vasto conjunto de coisas, incluindo o bem-estar de muitos ao meu redor. Eu não tenho orgulho de dizer isso. Mas encontrar estes jovens me mostrou um mundo além dos muros nos quais eu tinha me fechado dentro. E apenas nestas últimas semanas que eu aprendi o quão pouco eu sabia sobre meu próprio país. Orçamentos e propostas pode me dar um modelo de suas necessidades, mas foi o fato de vê-los cara-a-cara que me mostrou muito mais.”
Tomei uma respiração profunda “— Eu espero, do fundo do meu coração, que um dia vocês possam me ver como uma pessoa preocupada com seu país e seu povo, pois é isto o que sou agora, mesmo que eu tenha demorado algum tempo para chegar aqui.” - Eu sorri encerrando o assunto, sem sentir medo ou ansiedade, mas uma sensação de paz. “— Muito obrigada por seu apoio. Para mim, para minha família, e para o meu noivo. Boa noite.” - Eu vi quando as luzes das câmeras se apagaram. Saí do palco, puxando Regulus comigo, pronta para começar meu felizes para sempre!
How much of my 🅵🅰🆃🅷🅴🆁 am I destined to become?
Will I 🅳🅸🅼 the lights 🅸🅽🆂🅸🅳🅴 me just to 🆂🅰🆃🅸🆂🅵🆈 someone?
I can feel 🅻🅾🆅🅴 the I 🆆🅰🅽🆃, I can feel the 🅻🅾🆅🅴 I 🅽🅴🅴🅳
But it's 🅽🅴🆅🅴🆁 gonna come the 🆆🅰🆈 I am
Could I change it if I 🆆🅰🅽🆃🅴🅳, can I rise above the 🅵🅻🅾🅾🅳? Will it 🆆🅰🆂🅷 out in the 🆆🅰🆃🅴🆁, or is it always in the 🅱🅻🅾🅾🅳?
Hunter fora chamado a comparecer ao escritório pela produção, algo sobre Julian King querer falar com ele, achou estranho que o pai não tivesse simplesmente ligado em seu celular, mas primeiro entrado em contato com a produção que desligara as câmeras da sala e o pedira para entrar deixando dois seguranças na porta. Encarando o telefone e seus alto-falantes sentou na cadeira em frente à escrivaninha: “E aí, pai?” - Começou em um tom animado para ser rebatido com um tom sério e irritadiço do presidente. “E aí, Hunter?! O que você acha que está fazendo? A seleção está indo de mal a pior! A audiência está constantemente em queda! E você cantando aquela música com seu amigo Dick não ajudou em nada! Você fez sexo, uau! Parabéns, hein!” - Hunter se assustou com a forma que o pai falava ao telefone, há anos os dois não discutiam, sendo que a última discussão tinha sido algo a ver com um boletim escondido na sexta série. “Eu de verdade não esperava que você fosse agir assim quando concordou em fazer isso! Você está agindo de uma forma que eu não estou te reconhecendo, nem seus irmãos estão! E você sabe muito bem que para eles estarem te estranhando precisa de muito!” - Conseguiu ouvir o suspiro preocupado e ficou em silêncio. “Filho... O que quero dizer é... Independente do que os assessores aqui da Casa Branca e aí da mansão possam estar dizendo, eu quero te ver bem! E você não parece bem! Pensei que fosse encarar isso como uma forma de conhecer sua esposa! Se apaixonar! Mas não! Você anda pelos cantos da casa, sozinho, quieto!” - Hunter se serviu uma dose de uísque e sorveu em um gole seco: “Eu não estou andando sozinho pela casa! Eu estou me divertindo e muito!” - “Ah, é? Não parece! Parece que está interagindo com todas essas moças por obrigação, por uma obrigação que eu lhe impus! E isso está me deixando louco, mais louco do que ter que ouvir os idiotas aqui da casa branca dizendo que você não pode agir de certas maneiras! Como se houvesse um manual para se viver!” - A esse ponto pode ouvir Julian dar um gole seco, provavelmente o pai estava bebendo algo, assim como ele. “Não é cedo demais para beber, presidente?” - o mais jovem brincou. “Eu digo o mesmo para você...” - Falou rindo e deixando a voz mais branda. “Hunter... Eu sei que você pode se soltar, eu sei que é uma pessoal incrível e pode conquistar qualquer uma das mulheres dessa casa... Mas, filho, eu preciso do meu Hunter! Não desse cara que estou vendo! Concordei em deixá-lo fazer isso... No entanto foi a escolha certa para sua vida? Você vai se casar por obrigação? Viver uma vida de aparências e sem amor como fiz por tanto tempo? Eu não posso permitir... Então preciso que seja sincero e me diga se pode continuar... Se estiver sendo demais damos isso por encerrado e você fica livre para viver sua vida!” - As palavras do mais velho cortaram o peito de Hunter, ao que tudo indicava ele tinha ferrado de vez com tudo ao ficar naquele jogo de “morde e assopra” com as selecionadas, talvez devesse ter deixado a timidez de lado, talvez devesse se permitir se jogar mais vezes... Talvez... Muitos “talvezes” passavam em sua cabeça para então responder. “Pai, eu estou livre, e estou vivendo minha vida! E não se preocupe... As mulheres aqui são incríveis, acho que vou me apaixonar por uma delas!” - Julian bateu com a língua nos dentes fazendo um barulhinho de “tsc, tsc”. “Você acha? Eu não quero que você ache... Eu quero que seja feliz, que tenha certeza de suas escolhas!” - o tom era mais de tristeza e de preocupação agora. “Eu sou crescido Presidente Julian... Fique tranquilo...” - suspirou se jogando na cadeira e massageando a cabeça. “Não quero te decepcionar pai... Mas ao mesmo tempo não sei como fazer isso em rede nacional! Eu quero dizer: sair com várias garotas para escolher uma!” - Encolhia-se um pouco com a ideia se lembrando dos momentos bons que tivera com cada selecionada, cada risada, cada beijo, cada toque. Diante do silêncio do filho Julian continuou, em um tom divertido: “Bem... Pelo menos só há uma loira na competição... Louise é a única que se assemelha às meninas que escolhiam para você namorar!” - Hunter se lembrou das supermodelos e riu: “Louise é linda... Mas não consegui me conectar com ela direito...” - Segredou ao pai, que suspirou e prosseguiu com a fala: “ Você tem arrasado o coração das morenas, não? Gosto da relação entre você e Nicole... Apesar de eu achar que você parece carregar um escudo toda vez que fala com ela... Se Solte garoto! Seja meu menino!” - O jovem riu sabia que por algum motivo incerto mantinha-se longe de Nikki. “Eu sei! É que algo nela me deixa de cabelos em pé, com medo de falar besteiras...” - Uma gargalhada do outro lado da linha fez as bochechas de Hunter arderem de vergonha. “ Ao menos com a Lavínia as coisas estão fluindo bem, não?” - comentou malicioso. “Não comece, pai! É facil falar e fazer as coisas com a Lav, ela é descontraída, divertida... ah...” - suspirou e o pai prosseguiu. “E a pequena Angel...” - O tom do presidente mudou um pouco. “Essa eu posso garantir que é bem diferente do que dizem nas manchetes! Ela pode parecer um gatinho indefeso, mas quando quer defender quem ama vira uma tigresa!” - O comentário foi feito e uma gargalhada despontou de Julian. “Quem mais temos? Maeve?” - Ouviu os gelos no copo do presidente e se serviu mais bebida. “Sei lá... Ela parece estar escondendo algo sempre... Se bem que nos últimos dias parece estar maluca... Mas é um maluca bom, sabe?” - Julian se divertia com a conversa. “E quanto a Mahina?!”- . “Essa é fogo! Sabe ser ousada quando quer...” - O presidente engoliu rápido o que tomava. “Sabe quem mais é fogo e tem até o cabelo dessa cor? Amanda!” - Hunter riu envergonhado: “Está acompanhando bem o programa, hein pai!” - “Claro que estou! É a escolha da minha futura nora em jogo!” - “Amanda é incrível e tem uma voz incrível...” - Julian suspirou e prosseguiu calmamente: “Hunt... Por favor, mostre a elas o homem que eu criei! Mostre o quão forte você é! Meu menino!” - O filho sentiu o amor nas palavras do pai e deixou uma lágrima cair, sabia que a preocupação vinha do medo de manter o filho em um looping infeliz como ele vivera por tantos anos. “E por favor! Honre ser filho de um gay e mostre como eu lhe ensinei bem a conhecer as mulheres!” - Os dois gargalharam alto aquecidos pelo uísque e pela conversa de pai e filho. “Eu vou mostrar, pai.”