Ela era um enigma, um amontoado de mecanismos disfarçado de gente, seus sentimentos latentes dentro de blocos de concretos, condenados ao esquecimento perpétuo. Seu coração era um pequeno recipiente de metal, aproxime-se e perceberá que o eco anunciará o excesso de ausências em seu interior. Há quem diga que naquela falta miserável de expressões um dia morou um sorriso doce, há quem garanta que esta máquina humana, um dia já foi suave e plena em autenticidade. Hoje é apenas uma imagem ambulante, como uma fotografia em preto e braco e que só serve para causar nostalgia. Sua enfermidade talvez tenha assolado o mundo inteiro ou talvez tenha sido ela quem se adoeceu do mundo, vitima de sua própria sobrevivência, sua doença é chamada de desesperança, e depois de que uma alma é contaminada, o dano será irreversível.
Luana Paulina














