Peder Mork Monsted (1859 - 1941)
Interior with an old woman and a girl spooling yarn, 1929
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Peder Mork Monsted (1859 - 1941)
Interior with an old woman and a girl spooling yarn, 1929
Dominika Brudny
Lu, ele faleceu!
E foi assim que a química do meu cérebro foi alterada para sempre.
Eu nunca fui adepta aos finais, sempre os achei absurdamente injustos. Eu falava sobre a morte, como qualquer adolescente que esbraveja opiniões sem nunca ter passado pela experiência necessária para obtê-las, esse tipo de vivência que quando atravessa a fronteira do imaginário para a realidade sai arrasando com tudo o que encontra pela frente.
Eu já havia passado por alguns pontos finais, mas nenhum foi tão agonizante quanto aquele do dia 27 de novembro de 2019. Era 16h30, o nome que apareceu na minha tela era conhecido, mas não passava por lá com frequência, a voz que chegou aos meus ouvidos era pesada, como se lutasse severamente para atravessar a garganta: "ele faleceu".
Toda vez que eu lia nas estórias a frase "foi como se meus pés abandonassem o chão", eu achava um exagero, mas experimentei essa mesma sensação naquele instante, e não foi como flutuar, eu diria que era mais parecido com uma queda sem fim, como naqueles sonhos onde você tenta se agarrar em algo, ou quando grita por socorro mas a voz não sai, e dessa vez meus amigos, eu não tinha a opção de acordar.
É irônico perceber que meu ponto final também foi uma ponte para primeiras vezes, naquele dia eu iniciava a minha trajetória na companhia da nada agradável crise de pânico, sentir o coração fazer serias tentativas de sair do peito enquanto meu corpo sacolejava sem controle, foi um dos presentes mais grosseiros que a vida me entregou.
Eu demorei para tragar aquele ponto final, ele apareceu bem no meio de uma frase de impacto, na metade do texto, deixando uma infinidade de páginas em branco, faltou a moral da história, deixou no ar um suspense sombrio, daqueles que tiram o sono e te deixam imaginando um milhão de versões para um possível desfecho. Esse é o problema da morte, ela não se importa com os desfechos, ela é simplesmente o acontecimento do fim, sem conclusões, sem explicações, te deixa de mãos vazias e um coração rasgado ao meio.
O meu primeiro ponto final definitivo, me ensinou muito sobre a vida, o quanto ela acontece sem acontecer, quando a morte aparece pra você, ela te esfrega na cara cada momento perdido. Sabe aquele dia que você ficou com o eu te amo entalado na garganta, com a promessa de liberá-lo depois? Pois é, a morte o transforma em uma rocha bem no meio da sua garganta. O abraço que você queria dar, aquele tempo pra jogar conversa fora, sabe quantas histórias você deixou de escutar? Alguém podia ter chorado na sua frente porque os seus ouvidos seriam uma rara oportunidade para um desabafo sincero? E aquele alívio de poder dizer em voz alta o que a mente sempre deixa pra depois? Simplesmente porque na grande falta de tempo, alguém te deu seu tempo, te permitiu ecoar e suas angustias e alegrias ao vento.
E agora cada uma dessas oportunidades que poderiam ter sido, estão enterradas embaixo de vários palmos de terra, os arcos de flores a sua volta falharam miseravelmente em amenizar a aparecia tenebrosa da morte. Não parecia um sono tranquilo, a verdade é que a ausência de vida era explicita e cruel. Por aqui as perguntas ainda reverberam no silencio, mas as respostas agora estão sepultadas para todo o sempre.
A segunda parte ruim do meu primeiro ponto final foi o "a vida continua", mas não foi bem assim, você se perde entre o antes e o agora, é como se precisasse aprender tudo de novo, como uma criança que chega na fase de olhar para o mundo e perguntar um milhão de vezes: "por que?"
"Qual roupa vão escolher quando chegar a minha ultima vez"? Essa pergunta pairou nos meus pensamentos por muito tempo. Isso é uma responsabilidade e tanto, eu quem o diga, o escolha do ultimo traje para se despedir do mundo foi jogado sob os meus ombros, a estrada em direção ao armário do meu ponto final bebeu uma quantidade absurda de lagrimas e de sangue no caminho. Sim, a dor era tanta que eu sangrei, fora da data prevista, num dia de cólica, cólera e agonia. Eu não tinha condições de notar na hora, mas soube depois que você se deitou na sua cama de flores com a mesma roupa que usou para o dia do meu casamento, até hoje eu me pergunto, isso me perturba ou consola? Eu que sempre busquei sinais em tudo, tenho medo do que esse possa significar. Naquele dia, naquele traje, na porta da igreja você chorou ao se despedir de um filho que caminhava para um novo começo. Naquele dia, naquele traje, em uma caminhada fúnebre soltamos a sua mão para um final que tinha apenas uma cova seca e vazia.
Naquele dia Sr. Ademir, eu entendi que a morte não tira só a vida de quem se vai, ela arrasta também um pouco da alma de quem continua, e que a condenação mais triste pra quem fica é entender o amor quando já é tarde demais.
Luana P.
#sobreoluto #sobreamorte #pensamentos #sentimentos #sobreavida
Inteligencia é saber que tomate é uma fruta, sabedoria é entender que é melhor não coloca-la na salada de frutas.
O mundo é prisão!
Desconfiava disso quando tinha 17, e o lado bom é saber que minha versão jovem não era tão tola quanto eu temia, minha mente tinha um quê do que agora eu sei que não era só um mero mau presságio. Naquela época eu achava que não sabia organizar as palavras, passava horas fazendo a combinação delas no horário de expediente, e olha só, 12 anos depois a história se repete, é isso que chamam de dejavú? Eu ainda não sei organizar as palavras, mas isso não me importa agora, eu sei o quanto é importante libertá-las. Hoje, mais velha e com menos paciência, descobri que o tempo cumpriu bem o seu papel, realizou aquilo que minha eu adolescente previa: O tempo me afastou de mim mesma. Os incontáveis livros ainda estão na prateleira, não as da velha casa, embora eu lembre dela quando olhe para eles, que hoje são um pouco mais opacos e com uma quantidade de poeira que denuncia o abandono, é estranho experimentar novamente a sensação de solidão, lugar que apenas quem presta a atenção aos detalhes costuma visitar. Concluí que conforme o tempo passa ele vai levando consigo nossos pedaços, ontem recebi a noticia de que a casinha onde passei vários choros e risadas fora demolida, deu pra ouvir daí? A parte de mim que virou destroço? O meu avô faleceu há quase dois anos, mas a destruição da casa que foi levantada com a força de suas mãos fez essa história parecer real de novo. E lá se vai mais um pedaço. Me fez lembrar da sua voz, das suas palavras erradas, dos olinhos se fechando por causa da sua risada, o som do choro do meu velho ecoou nos meu ouvidos, ele era mais presente do que deveria quando existia. Eu não tive tempo embora estivesse vivendo dele, trabalhava, organizava, limpava, negociava, respondia, perguntava, vendia, comprava, chorava, cuidava, planejava, construía enquanto a origem de mim desmoronava.
Luana P. 2023
Deve ter se passado uns dez anos desde a ultima vez em que estive aqui, dizem que não há maneira de voltar ao passado, mas foi abrindo essa porta que descobri que ele ainda estava lá, me esperando, como uma casa empoeirada que há muito tempo havia sido deixada. Tudo estava no mesmo lugar, os moveis não, o sentimentos. Foi como olhar para o meu eu de 16 de novo, frente a frente para perceber que o amadurecimento que eu tanto temia naquela época não era tão cruel assim. Foi como estar dentro de um filme, o hoje era um vulto assistindo o passado ao vivo e a cores, havia tanta coisa que eu havia esquecido, mas eu sorri cheia de orgulho ao notar que certas coisas nunca mudaram, e outras trouxeram lembranças que fizeram parecer que eu tinha um punho fechado no meio garganta. Que fascinante essa coisa do tempo, saber que já fui tantas coisas, e me tornarei muitas outras e ainda assim continuar sendo eu.
Luana P. 2023
“É isso, simples. Você pensa que vai morrer, mas passa.”
— Tati Bernardi.
“É difícil dar valor às pessoas enquanto elas ainda estão ao nosso lado. Eu sei. É um sofrimento horrível desejar um bom dia, boa tarde, boa noite. Os braços ficam doloridos ao presentear alguém com um abraço. A voz fica rouca quando abrimos a boca para falar palavras gentis, demonstrando a importância de alguém em nossa vida. Tudo isso é muito difícil de se fazer, é compreensível a maioria das pessoas não agirem assim. Mas, já parou pra pensar em como a sua vida irá ficar vazia e sem graça sem aquela pessoa “chata” que sempre lembra de você e está contigo nos momentos difíceis, mesmo você não dando o mínimo valor à isso? Já passou pela sua cabeça que vai demorar muito para alguém entrar na sua vida e preencher a falta que essa pessoa irá fazer? E, talvez nunca mais alguém preencha. Então escolha o que é mais difícil fazer. Fazer essa pessoa permanecer, ou passar uma vida vazia sem a certeza de que alguém irá chegar para te preencher?”
— Eternue.
você não precisa fazer de tudo pra ser sol tem muita gente neste mundo que admira a lua.
“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”
— Cora Coralina.
“Todo dia eu procuro me lembrar: dá pra escolher. Não temos controle sobre tudo, mas dá pra escolher entre ter amigos ou viver recluso, dá pra escolher entre privilegiar um amor ou ter vários casos superficiais, dá pra escolher entre levar a vida com bom-humor ou levar a vida na ponta da faca. Se a escolha será acertada, aí já é outro assunto, o futuro vai dizer.”
— Martha Medeiros.