Capítulo 23 - Surprises.
Só falta uma semana de aula e eu to bem animada. Primeiro porque é férias, segundo porque eu, a Jade e a Laís planejamos essas férias desde o ano passado e se tudo sair como nós imaginamos, vai ser exatamente perfeito.
Levantei com bastante cuidado pra não acordar a Anne – que tem o sono bem pesado mas nunca se sabe – peguei minha toalha e fui tomar banho. Não demorei muito porque eu deduzi que já estava atrasada, como sempre acontece. Vesti meu uniforme ridículo, dei um beijo na testa da Anne, peguei minhas coisas e fui andando.
Essas três últimas semanas passaram muito rápido, mas foi bem legal já que eu passei bastante tempo com a Laís e a Jade. Nós três abrimos mão de nos divertirmos e eu e a Jade pegamos o papel de ajudar a Laís a estudar porque ela decidiu que nada iria atrapalhar nossas férias e ela não queria ficar de recuperação porque consequentemente isso atrapalharia tudo, já que as recuperações do nosso colégio é na primeira semana de férias. Nós estudamos bastante e a Laís foi muito bem nas provas, foi tão bem que até ela estranhou, e com certeza não vai ficar de recuperação e tudo vai sair perfeito.
Peguei meu ipod no bolso da minha mochila e ainda eram 6:45.
Opa, parece que alguém caiu da cama antes da hora.
Coloquei os fones, liguei uma música qualquer e fui andando o mais devagar que eu pude.
Hoje o dia tá ótimo, não tá aquele calor do caralho que sempre prevalece no Rio, o tempo tá até meio fechado, mas tá um clima bom, nem calor e muito menos frio.
Eu estava a uma quadra de casa quando lembrei que tava morrendo de fome. Aproveitei que ainda tava cedo e parei numa padaria qualquer pra comer alguma coisa. Pro meu azar o Lucas tava lá, já comecei o dia mal.
Lucas: Oi Bilacchi. - ele sentou do meu lado. Eu: Oi. - eu bebi um gole de café sem olhar pra ele.
Eu sabia que tinha um motivo pra eu ter saído mais cedo de casa mas não me importei, agora dou de cara com esse estrupício e ele ainda vem com essa brincadeirinha ridícula de me chamar pelo sobrenome. Será que ele não vê que ele não tem mais esse direito já que nós não somos mais amigos? Parece que não.
Lucas: A gente tem que conversar, já fazem 8 meses, você não pode me culpar e ficar sem falar comigo pra sempre. Eu: Eu não só posso como vou te culpar pro resto da vida Lucas, a não ser que você me prove o contrário, o que eu sei que não vai acontecer. - eu encarei ele. Lucas: Foi um acidente Khloe, você tem que entender que eu não faria isso. Eu: Não Lucas, quem você tá querendo enganar com essa de que foi um acidente? Você pode até convencer os outros mas eu te conheço melhor que qualquer pessoa e isso te entrega. Lucas: Então você sabe que eu não tive culpa.
Algo me dizia que ele realmente não tinha culpa mas é a Jade, ela não sabe mentir e ela não mentiria sobre isso.
Eu: Eu não sei Lucas, eu não vi, eu não posso dizer que você teve algo a ver com ela cair da escada, mas de outras coisas você teve e você sabe que sim. Lucas: Ela caiu sozinha. Eu: Vocês estavam brigando na hora, vocês brigaram feio, eu não sei se dá pra acreditar. Lucas: Eu não espero que você acredite, eu só queria te contar. Eu: Você podia ter tentado convencer ela a tirar o bebê de outro jeito, não precisava dessa confusão toda. Lucas: Quando eu vi, ela já tava caindo, eu tentei segurar ela, mas acho que fiz foi atrapalhar. - ele abaixou a cabeça. Eu: Você podia ter pelo menos assumido que o filho era seu. Lucas: Ah qual é, eu era uma criança, foi melhor assim. - ele bufou. Eu: E a Jade era adulta por acaso? Você é um babaca.
Eu deixei o dinheiro em cima do balcão e continuei o trajeto até a escola.
É tão estranho pensar que eu tive um terço de culpa nisso. Foi eu quem arrumei pros dois ficarem, foi eu quem fiquei insistindo e acabou que eles ficaram e deu no que deu. A Jade ficou grávida, o Lucas não quis assumir e ela não quis fazer um aborto aí eles brigaram na casa dele, ela se desequilibrou e caiu da escada e assim perdeu o bebê e quase perdeu a vida, mas ela não culpa ele, por incrível que pareça.
Cheguei na escola em menos de 10 minutos, passei a carteirinha e subi pra sala. A Laís tava sentada no fundo sozinha, isso quer dizer que a Jade não vem, já que ela é a primeira a chegar sempre. Sentei na minha cadeira de costume e a Laís puxou a cadeira e sentou do meu lado.
Laís: Que cara é essa minha filha? Eu: Encontrei com o Lucas no caminho. Laís: Ele é bonitinho, dá pra encarar. - nós demos uma risadinha. Eu: Ele não se culpa por a Jade ter perdido o bebê. - ela ficou séria.
Esse sempre é um assunto bastante delicado pra gente, a Jade não gosta de falar sobre isso então nós evitamos falar disso, mas sei lá, já faz quase 9 meses, acho que tá na hora da gente encarar o fato, talvez o Lucas não seja realmente culpado.
Laís: Como não? Ele foi o único culpado por ter acontecido isso, pode até ser que ele não tenha empurrado ela da escada porque ele é babaca mas não acredito que seja tanto, mas ela só caiu porque ele tava brigando com ela por causa do bebê e ela como mãe queria proteger o filho ué, eu faria igual. Eu: É, ele disse que tentou segurar ela, sei lá. Laís: É claro que ele tentou, mas o que ele tinha que ter evitado ele não evitou, então não muda muita coisa. Eu: Talvez tinha que acontecer, não sei.
Começou a entrar alguns alunos na sala e como pouca gente sabe disso, nós mudamos de assunto.
Nós combinamos de falar com a Jade pra fazermos compras pra nossa viagem depois da aula e ficamos conversando sobre a Laís e o Caio – nunca pensei que falaria isso mas agora a Laís é minha cunhada, o que é legal por um lado e ruim por outro, mas tô feliz por eles – até o professor entrar na sala, o que não demorou, já que a primeira aula é do Bryan e ele nunca se atrasa.
Bryan: Bom dia galera. Aí, como só falta uma semana para as férias de julho e nós somos obrigados a passar exercícios complementares pra vocês fazerem nas férias, eu e o Rick decidimos passar uma prova valendo a nota dos exercícios e vai ficar por conta de vocês decidirem se fazem ou não os exercícios de física que a coordenação vai entregar a vocês. Laís: E que dia é essa prova professor? Bryan: Agora Laís. Aliás, aproveita que você tá fora do lugar e vai se levantar pra voltar pro teu lugar e entrega as provas pra mim. - ele estendeu a prova pra ela e ela levantou revirando os olhos. Eu: Mas a Jade não veio, e aí? Bryan: Que bom que você tocou no assunto Khloe, obrigada. Quem faltou, vai ter que fazer os exercícios que eles entregarem e passar pro Rick na aula dele da semana que vem, como se fosse uma recuperação. - eu e a Laís nos entreolhamos.
Tava tudo perfeito demais, tava demorando pra alguma coisa estragar nossas tão esperadas férias.
Lucas: Isso é injustiça, você tá acabando com as férias de muita gente por conta disso.
Pelo menos pra retrucar os professores esse guri serve porque de resto, não vale nem um centavo do dinheiro que tem.
Bryan: Bom, não sou eu quem dito as regras, eu só as obedeço, assim como vocês, então se algo tiver te desagrando, não é comigo que você tem que reclamar.
É sempre assim, toda vez que a gente marca alguma coisa tem algo pra atrapalhar, aí acaba dando tudo errado, mas tudo bem, nós podemos deixar a viagem pra próxima semana, não temos nada marcado mesmo.
-
Eu fiz a prova tão rápido que acho que errei bastante coisa mas sabe quando você tá sem vontade até de ficar olhando pra cara do professor? Eu tô bem nesse estado hoje, não to com um pingo de vontade de ficar aqui olhando pra cara do Bryan. Entreguei a prova pra ele e pedi pra ir no banheiro. Ele como o anjo que é, deixou e eu saí quase que correndo da sala.
Aproveitei que não tinha ninguém no corredor pra tentar ir até o pátio sem ser vista. Sem sucesso. Alguém me puxou pra dentro de uma das salas que estão em construção de frente pra escada.
Eu: Você tem problema mental? Me larga. - eu tentei me soltar e virar pra ver quem era mas não deu muito certo. !: Calma priminha. - ele disse no meu ouvido.
O que raios esse encosto tá fazendo aqui meu Deus? Ele devia estar na faculdade, ou sei lá pra onde ele vai de manhã.
Eu: Felipe? Felipe: Na mosca. - ele deu uma risada abafada. Eu: O que tu tá fazendo aqui? Felipe: Queria te ver. Eu: Fotos existem pra isso. - eu me debati mas ele continuou me segurando de costas pra ele. Felipe: Não precisa ficar tentando se soltar Khloe, você sabe que não vai conseguir, mas não se preocupe, quando for a hora eu vou te soltar. - ele apertou minha cintura. Eu: Tá. Agora diz, o que tu tá fazendo aqui? Felipe: Essa eu já respondi. Próxima. Eu: Ah qual é, quem tu tá querendo enganar com essa de que queria me ver? Você podia muito bem ir lá em casa. Felipe: Podia, mas queria vir aqui. - ele enrolou meu cabelo com a mão que tava livre. Eu: Tira a mão do meu cabelo e me solta, eu tenho que voltar pra aula, a gente conversa depois. - eu disse rápido.
O Felipe não é assim, ele não faz esse tipo de coisa, quando ele quer alguma coisa ele não fica nesses rodeios, ele já chega falando. Pelo tanto que eu conheço e gosto dele, eu sei que tem alguma coisa errada, ele é bom demais pra fazer essas coisas. Pode ser que ele faça com outras garotas e eu não sei, mas ele não devia fazer comigo e isso tá me assustando bastante.
Felipe: Você tá com medo Khloe? - ele puxou meu cabelo de leve. Eu: É claro que não, você é meu primo, eu sei que você não faria nada comigo.
Nesse momento eu não tinha certeza do que tinha dito, ele pode muito bem ter virado um maníaco depois que foi pra casa do meu tio em Londres, sei lá.
Felipe: Na verdade, tem uma coisa sobre mim que você ainda não sabe. Eu: O que? Felipe: Eu não sou seu primo.
Tá. O QUE? Como não é meu primo? Isso tá ficando cada hora mais sinistro. Acho que eu daria qualquer coisa pra alguém abrir essa porta e ver a gente aqui mesmo que eu fosse me ferrar muito.
Eu: Mas a tia Karla é a filha perfeita e outra, você tá com ela desde, sei lá, sempre? Como você pode não ser filho dela? Felipe: Eu sou filho do Bobby com outra mulher. - ele disse tão baixo que eu quase não ouvi – Quando eles descobriram que a Karla não podia ter filhos, eles pensaram em adotar, mas a minha mãe foi atrás do meu pai e pediu pra ele ficar comigo quando eu tinha dois meses, aí como eu não tinha sido registrado ainda, a Karla me registrou como filho dela. Eu: Isso é um absurdo, se você queria me deixar impressionada, conseguiu. - ele me virou de frente pra ele. Felipe: Olha pra mim e você vai descobrir que eu não inventei nem uma vírgula. - eu encarei ele.
Todo mundo sempre elogiou a tia Karla, tanto por ela ter sido a primeira a montar a vida e uma família, quanto por ela ter uma carreira de bastante sucesso e agora eu descubro que o que o filho dela não é filho dela, não dá pra acreditar. Tá legal que o Felipe não se parece nada com ela e muito menos com o tio Bobby, mas eu também não me pareço com meus pais e ainda assim sou filha deles.
Eu: Eu não entendo. - eu insisti. Felipe: Não é difícil. - ele me encarou – Quantas vezes eu já menti ou inventei alguma coisa pra você? Eu: Nenhuma, eu acho. Felipe: Pois é. Eu não teria motivos pra mentir pra você agora, Khloe. Eu: É, tem razão. - eu sorri – O sinal já tocou, eu vou me atrasar, você poderia me soltar agora que já me disse tudo? Felipe: Não. - ele deu um sorriso malicioso. Eu: O que mais você quer de mim? Felipe: É complicado sabe? Eu não quero só uma coisa. - ele me empurrou contra a parede. Eu: Você tá me assustando, Felipe. - ele riu enquanto eu tentava me soltar. Felipe: Eu não vou fazer nada que você não queira. - ele me apertou mais contra a parede. Eu: Você já tá fazendo. Felipe: Opa. Eu: Vai, me larga, você já passou muito tempo comigo. Felipe: Não foi o suficiente.
Ele segurou minhas duas mãos no alto, me puxou pela cintura e me beijou. Eu tentei me soltar mas foi em vão – ele tem o triplo da minha força – então cedi e fui no jogo dele.
Eu não sei porque ele fez isso mas não é de todo ruim, apesar de ele estar sendo assustador, o beijo dele tem suas características boas. Ele me sentou numa mesa que tava do nosso lado e soltou minhas mãos pra me puxar pra mais perto dele e me encaixar nas suas pernas. Eu abracei o pescoço dele com o intuito de tentar fugir mas também foi um movimento em vão e ele aumentou o ritmo do beijo, me deixando sem fôlego.
Eu: Felipe... - eu tentei falar mas ele me beijou de novo.
Dessa vez foi um beijo bem mais agressivo e com a força que ele encostava os dentes nos meus lábios, eu sentia os mesmo rasgando. Eu tava com um gosto horrível de sangue na boca e pelo que eu ouvi, não foi só eu quem cortei a boca, ele também cortou, porque ele deu uns gemidos bem de dor no meio do beijo. Eu mordi o lábio inferior dele e ele me deu um empurrão que eu quase caí da mesa.
Felipe: Tá doendo Khloe. Eu: Foi mal. Me deixa sair vai, eu vou me ferrar muito com esse seu joguinho. Felipe: E daí? - ele passou a mão na boca que tava saindo sangue. Eu: A gente continua lá em casa, não sei. Felipe: Não. - ele puxou meu cabelo pra baixo me fazendo olhar nos olhos dele. Eu: Você tá me machucando. Felipe: Eu não seria capaz. - ele deu uma risada. Eu: Você já acabou com a minha e com a sua boca. Felipe: Foi sem querer. - ele me soltou – Já que tu quer tanto, pode ir. Eu: O que você queria afinal? - eu desci da mesa. Felipe: Que você soubesse a verdade. Eu: Mas de tantas pessoas, por que eu? Felipe: Porque você é a única pessoa que tá sempre aí, que sempre me apoia e é a única que eu realmente confio e que eu gosto. - ele me deu um selinho e foi embora.
Que merda foi essa? Primeiro ele queria me ver, depois queria me dizer que não era meu primo, agora me beijou e foi embora? Qual é, tá curtindo com a minha cara, só pode.
Minha boca tá com um puta gosto de sangue que eu realmente não sei se é meu, já que a boca do Felipe também não ficou nada legal. Saí da sala e, por sorte, ninguém tava no corredor. Corri pro banheiro pra ver a situação da minha boca e até assustei quando vi o tanto que tá escrota. Enxaguei a boca e fui pra sala. A Lydia tava lá. Merda.
Eu: Licença. - eu entrei correndo e sentei no meu lugar. Lydia: Onde você estava, Khloe? Eu: Na enfermaria. Lydia: Fazendo o que? Eu: Eu fui no banheiro na aula do Belikov, escorreguei no caminho e machuquei a boca, aí fui na enfermaria, mas não tinha ninguém, então tive que ficar esperando. Lydia: Eu vou confirmar a sua história, mocinha.
Eu engoli em seco mas não disse nada, só assenti.
Hoje o dia começou já começou me fodendo. Primeiro foi o Lucas desenterrando um assunto que não precisava ser desenterrado e agora o Felipe com essa. Dois loucos.
Nunca tive medo de ninguém, não sou o tipo de garota que tem medo de muitas coisas, mas eu tenho que admitir que o Felipe conseguiu me assustar e muito. Ele meio que não tava sendo ele, parece que algo muito estranho tinha acontecido com ele, mas evitei perguntar pra não dar mais problema, só minha boca, já tava de bom tamanho.
-
A Laís não me perguntou a verdade em momento algum e eu preferi não falar, acho que ela e a Jade não precisam saber que meu primo deu um de psicopata, minha família já é ruim assim, imagina se eu espalhar mais essa. As outras aulas passaram bem rápido e eu fui embora antes da última aula com o Bryan. No caminho nós não conversamos e nem nos olhamos e quando nós chegamos em casa eu já subi logo pro meu quarto pra evitar perguntas desagradáveis e fiquei deitada na minha cama, pensando na vida. Até a Anne chegar e pular em cima de mim.
Anne Marie: Oi Koe. - ela tirou o cabelo do rosto e deitou nos meus peitos.
O que eu acho incrível é que a Anna consegue falar tudo certo, mas o meu nome ela não consegue, não importa o quanto eu tente ensinar ela que não é Koe e sim Khloe, ela simplesmente não consegue, mas eu não ligo, eu acho uma gracinha.
Eu: Oi baixinha. - eu me sentei e coloquei ela no meu colo. Anne Marie: O que aconteceu com você? Eu: Nada, por que? Anne Marie: Sua boca tá saindo sangue, alguém te bateu? Eu: Claro que não, eu não deixaria. Eu caí na escola. - passei a mão na boca pra limpar o sangue e sorri pra ela. Anne Marie: Como? Eu: Eu escorreguei no banheiro e caí, aí bati a boca no chão. Anne Marie: Nossa, tá doendo? Eu: Um pouquinho. Anne Marie: Hoje eu fui na loja com a mamãe e a gente comprou um monte de roupinhas, até pra você. Eu: É mesmo? Foi legal? Anne Marie: Foi sim, o seu amigo bonito, Guillaume, tava lá com uma loira horrível, eu até disse pra ele que você era mais bonita e a loira me olhou com a cara feia, acho que ela não gostou de mim. - eu dei uma gargalhada. Eu: Você é incrível baixinha.
A Anne chegou na melhor hora. Ela é tão inocente que dá até gosto de ouvir ela falando as coisas, além do que ela é bastante esperta e aprende as coisas com muita facilidade, o que me encanta ainda mais.
Nós duas ficamos conversando até ela pedir pra eu cantar pra ela dormir e dormir logo depois dela.
-
Acordei com meu celular tocando, era a Jade.
Eu: Oi Jade. Laís: Oi tratante. Jade: Você deu o bolo na gente por que? O que você tava fazendo de mais interessante? Eu: Nossa, desculpa gente, eu fiquei conversando com a Anne e acabei dormindo. Laís: Agora você tem uma nova melhor amiga Khloe? Jade: Laís, não surta, ela tem 4 anos. Laís: E ela é uma fofa, mas a Khloe não pode trocar a gente por ela, qual é. Eu: Eu não troquei ninguém, para de ser dramática. Laís: Relaxa. Alías, bad news, a viagem de férias não vai rolar mesmo. Eu: Ué, por que? Jade: Eu tenho trabalho essa semana, até aí beleza, podíamos ir na próxima, mas a avó da Laís tá doente e ela vai ter que ir pra lá semana que vem. Eu: Ah tá, não tem problema, deixa pro final do ano. Laís: O que aconteceu com sua boca?
Tava bom demais pra ser verdade.
Eu: Eu caí ué, já disse. Jade: Tá, agora a verdade. Eu: Mas essa é a verdade. Jade: Você não sabe mentir Khloe, até eu que não tava lá sei que você tá mentindo. Só a Lydia que acredita nas suas mentiras esfarrapadas. Eu: Ahn... foi o Felipe. - eu lembrei da cena e respirei fundo. Laís: Ele te bateu? Eu: Não, ele... - eu olhei pra porta e o Bryan tava me olhando – Depois a gente se fala, tchau. Laís: ESPERA, KHLOE. - eu desliguei. Bryan: O que o Felipe fez? Eu: Nada. - eu me levantei e saí do quarto mas ele me puxou de volta. Bryan: Me diz. Eu: Já disse. Bryan: Você não precisa mentir pra mim, Khloe. - ele acariciou meu rosto. Eu: Não tô. - meus olhos encheram d'água.
Eu odeio mentir, odeio.
Bryan: Se você não me falar, eu não vou poder te ajudar. - eu fui pro quarto dele e ele me seguiu – Khloe... Eu: Não vou te contar. - eu sentei na cama dele. Bryan: Como eu vou te ajudar então? - ele sentou do meu lado. Eu: Só fica comigo. - eu abracei ele.
O Bryan é a melhor pessoa do mundo. Ele te ajuda até sem fazer nada, só de estar do seu lado, ele já te deixa bem. Quer dizer, comigo é assim.
Ele me abraçou e nós ficamos um bom tempo assim sem falar nada, mas foi melhor do que se a gente tivesse falando alguma coisa.
Bryan: Tá melhor? - ele me soltou e enxugou meu rosto com a mão. Eu: Acho que sim. - eu dei um sorriso amarelo. Bryan: Eu acho que você só queria ficar um tempo abraçada comigo. - ele sorriu. Eu: Não seja convencido, você não é assim, tão legal. - eu empurrei o ombro dele. Bryan: Eu não ía tocar no assunto mas a sua boca tá horrível, tá me dando um certo medo de você. Eu: Acontece. Bryan: Sua boca ser horrível ou as pessoas terem medo de você? Eu: Os dois. Bryan: Aí, eu vou viajar, você quer ir? Eu: Pra onde? Bryan: É surpresa. Eu: Quem garante que você não tá querendo é me sequestrar? Bryan: Ninguém garante, mas vai ser um sequestro legal, você vai gostar. Eu: Então eu quero. Bryan: Então vai arrumar suas coisas. Eu: Espera, agora? E as aulas? Bryan: Foda-se as aulas. - nós dois rimos.
É engraçado a minha mudaça de humor quando eu tô com o Bryan. No mesmo momento que eu tô chorando, ele diz alguma coisa e eu começo a rir. Ele é a pessoa certa que me irrita, mas me ganha depois, que me faz implorar pra ele falar comigo, mas que implora pra eu não querer parar de implorar por ele. É estranho o que a gente é, mas é bom porque me faz bem e faz ele ficar bem também. Ele é diferente dos outros caras que eu já conheci e é exatamente isso que me atrái nele. Ele é todo certinho mas é todo errado. É todo fofo em uma hora mas é todo grosso em outra. O mais estranho é que ele é uma junção de todos os caras que eu já fui afim em um corpo só, mas ele não é igual aos outros, ele é do jeitinho dele, do jeitinho que me encanta e me prende. Mesmo quando eu não quero admitir.
Próximo capítulo.












