Fanfic- Cresta's Pain- Capítulo 9- Sonho
Sonho que estou de volta à minha casa. O oceano. Finnick ao meu lado. Ele está comandando o barco à vela enquanto eu fico deitada- sentindo o sol.
“-Vai mais devagar, Finn- eu disse, rindo.- Assim vamos acabar nos perdendo.
Ele sorriu enquanto gritava para eu conseguir ouvi-lo em meio ao vento.
-Essa é a ideia. Eu. Você. Um barco. O mar.
Dou risada. Por algum motivo, no meu sonho, a Capital não é uma coisa assustadora. Quase como se estivesse longe demais para nos alcançar. O mar me dá essa confiança. Como se as ondas fossem manter todo o mal afastado.
-Seria ótimo, Finnick Odair- comento, me levantando e indo para seu lado.- Mas temos que voltar. Minha mãe vai ficar preocupada se eu demorar tempo demais.
Ele ri.
-Ela não gosta de mim, certo?
Dou de ombros.
-Eu já te expliquei. Ela te adora por você ter me ajudado a ganhar os Jogos arrumando todos aqueles patrocinadores. Mas acha que você vê mulheres demais da Capital, entende?
Ele olha para baixo. Quase como se estivesse culpado.
-Aliás, eu também acho. Qualquer dia você vai acabar se apaixonando por uma delas, sabia?
-Isso é humanamente impossível, Annie Cresta. Eu deixo meu coração com outra quando vou encontrar com aquelas pessoas.
Ergo as sobrancelhas.
-Sério? E posso conhecê-la?
Ele me dá um beijinho na mão.
-Você é tão boba. Basta se olhar no espelho.
Eu sorrio enquanto ele ignora o barco e começa a brincar com meu cabelo.
-É melhor ficar de olho nas velas, Finn. Ou vai afundar nós dois.
-Fundo do oceano com você. Parece um bom plano.
-Achei que íamos simplesmente nos perder.
-Esse é outro esquema que pode dar certo- diz, de um jeito tão ridicularmente sedutor que caio na gargalhada.
Ele se aproxima enquanto entrelaça nossas mãos.
-Agora, falando sério, Annie. Eu tenho que te dizer outra coisa.
Ele abre um pouco a camisa. Estou prestes a lhe dar um dos sermões de sempre sobre ele parar de fazer comigo o que tem que fazer com as mulheres da Capital quando ele se ajoelha, soltando uma de minhas mãos e pegando delicadamente a outra.
Meu coração começou a bater forte. Tenho uma ideia do que Finnick vai fazer a seguir.
É quando escutamos o hino ao longe e ele se levanta rapidamente.
-Maldição- murmura, voltando para as velas.- O comunicado do Terceiro Massacre. Tinha me esquecido totalmente.
Faço que sim com a cabeça, decepcionada. Também não estava lembrando. Era hoje que iam dizer qual seria o horror especial da arena. Eu, teoricamente, não precisaria me preocupar. Nunca era mentora. Provavelmente porque eu mais atrapalharia que ajudaria. Mas Finn? Era sempre o escolhido.
Então, voltamos para a praia, ao mesmo tempo que tento descobrir o horror que nos aguarda.”
Eu acordo nessa hora. Perdi o sono. Os acontecimentos daquele dia voltaram com uma precisão inacreditável. A lembrança do último dia de felicidade com Finnick.
Infelizmente, mesmo acordada, a memória continua. Com um intensidade que me faz apertar a cabeça para ela não explodir.
Eu sabia o que viria depois. Me lembrava bem. Nós, de mãos dadas na praça, enquanto assistíamos ao anúncio dado em palavras formais e mortíferas.
Teríamos que voltar à arena.
Virei-me para o lado. Acho que todos olhavam para nós ao mesmo tempo que entendiam o que aconteceria.
Espero ver a calma comum nos olhos da cor do mar que eu conhecia tão bem. Mas não. Ele parecia tão perdido quanto eu. Sinto uma vontade enorme de me proteger. Proteger a nós dois. Ignorando os olhares, abracei-o pela cintura, enterrando a cabeça no seu peito. Sem acreditar no nosso azar. Não interessava se eu ia ganhar. Ou se ele ia ganhar. Ou nenhum de nós. De qualquer jeito a Capital ia nos separar. E não tínhamos como mudar isso.
Fiquei lá, soluçando. Sei que as câmeras devem estar por perto. Snow não perderia a chance de mostrar isso para Panem inteira caso um de nós ganhasse os Jogos.
Eu nunca havia sentido algo tão horrível dentro de mim. Sempre me ocorreu que eu ir para os aquilo de novo era a pior coisa que poderia acontecer, junto com a morte de Finn.
E, agora, a Capital havia combinado ambas.
Fiquei por vários minutos lá, apenas tentando entender. Ou não entender. Acho que ouvi minha mãe gritando “meu bebê”. E meu pai tentando confrontar um Pacificador. Umas poucas crianças me olhavam com pena. As que eu sempre alimentava com o dinheiro que tinha.
Mas eu não tinha cabeça para consolar ninguém. Finnick passou a mão pelos meus cabelos e, em seguida, se afastou.
-Vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem. Eles não vão te matar.
Eu solucei, ao mesmo tempo que limpava o catarro que sai de meu nariz com a barra da saia. Educação era a última das minhas prioridades.
-E-e-e... Vo-vo-você a-a-acha m-m-mesmo qu-que meu me-medo morrer? E-eu não que-quero te-te per-perder!
Eu o abraço de novo. Ele parece entender que preciso disso porque me deixou ficar lá por algum tempo. Muito tempo. Mas aquilo era tão injusto que eu não conseguia pensar. Matar. Morrer. E, dessa vez, eu conheceria o rosto do assassino- ou da vítima. E não acho que conseguiríamos fazer como fizeram na última edição. A Capital não seria enganada duas vezes.
Aquele pobre garoto iria de novo também. Eu fui percebendo a quantidade de pessoas que eu não teria coragem de matar que provavelmente estariam presentes.
-Annie- disse Finnick. Posso ver que sua voz também está chorosa.- Não é certeza. Pode ser que seu nome não seja tirado.
Levanto a cabeça para negar. Estou totalmente devastada. E, apenas minutos atrás, minha grande preocupação era o que minha mãe pensava de Finnick.
-Claro que é, Finnick! E o se-seu... Ta-também! I-imagine a... A-a-udiência! Vo-você de volta à a-arena!
Ele não disse nada. O que confirmou todas as minhas expectativas.
-E eu... Eles sabem de nós, Finnick.
-Não. Por casais na arena não tem dado muito certo.
-Por isso que aqueles dois do 12 vão ter que voltar, certo? Você sabe! Não aja como se eu fosse burra... Quais são as chances de os nossos nomes não estarem naquela bola? De não nos porem para lutar?- começo a me sentir tonta.- Eles vão conseguir, Finn. O que sempre quiseram. Acabar com... Acabar com...
É nessa hora que perco a consciência. Na lembrança e no presente, também.
A diferença? No agora, não haviam braços fortes para me segurar enquanto o mundo girava.
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