Dizer que Alanis gostava de rachas era muito pouco: ela era aficionada. Seu coração começava a pular sempre que chegava o anoitecer do sábado, os dedos formigavam e a ansiedade dançava em seu corpo, fazendo o pé bater no chão mais do que um coelho bateria — tudo na expectativa de reviver aquela adrenalina de novo e de novo. O rugir dos motores podia ser ouvido há metros de distância, da mesma forma como a música alta que quase explodia as caixas de som. As ruas estavam lotadas. Pessoas do Castigo trocavam apertos de mão com arthurianos na intenção de selar apostas. Era excitante, amedrontador e convidativo. “ Uh... Não se irrite se houver muito empurra-empurra, a torcida é animada, e não aceite nada de ninguém, ninguém mesmo. ” O olhar dela peregrinou para o extremo oeste, indicando discretamente as duas crianças que não passavam dos dez anos vendendo balas sortidas e bebidas de um cooler, parecendo pequenas demais para segurar uma bolsa tão grande. “ Se tiver fome, compre comida das barracas do Aladdin. ” Regressou a mira à mais nova, e o semblante feminino, costumeiramente com um sorriso sarcástico enfeitando-o, era seríssimo. “ E cuidado com a carteira. Fica esperta. ” Gostava de Ruihao, não queria vê-la em problemas na sua cidade, muito menos quando havia sido ela a trazê-la depois de tanto insistir. O que era bem impressionante, na verdade. Geralmente se isentava dessas responsabilidades, ainda mais com mauricinhos e patricinhas arthurianas, mas é que a outra parecia tão frágil quanto ela mesma que apenas não queria ser a culpada se algo a acontecesse. “ Ah, quase ia me esquecendo: torça por mim, porque vou ganhar. ” Foi a última coisa que disse antes de piscar e soprar um beijo para ela. Descendência do Gaston tinha que fazer por onde. Correu até seu carro, um carango preto com uma arte horrível de muque com uma rosa tatuada na lataria do capô. Talvez Gaston não tivesse pensado que a filha não ia gostar tanto assim de uma homenagem tão direta. Mas era o que tinha. Por ora. Até ter dinheiro o suficiente para não se contentar com um carro roubado e personalizado pelo próprio pai. Entrou no carro e deu a partida, afundando os dedos no volante à espera do sinal de largada, mas alguma coisa não estava certa, podia sentir. O pressentimento a levou a olhar para o lado, então ela notou que as arquibancadas estavam agitadas de uma forma que não era normal. Quando estreitou os olhos e abaixou o vidro escurecido, o susto: uma enorme confusão acontecia bem onde havia deixado Ruihao. Várias pessoas se batiam e os xingamentos eram intensos. Alguns corredores zarpavam com seus carros, atrasando a Lefou na tarefa de saltar do próprio para ir ao socorro da Li, mas como? “ Mas que PORRA! ”