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Estamos no mesmo lugar, com sorrisos falsos e forçando a risada. Você me viu com um copo na mão, e meu chão girou, e não sabia se era você ou o álcool. Agora estamos usando desculpas defensivas que nunca falaríamos. Você veio fácil, tirou o melhor de mim, e foi embora enquanto eu repetia a mim mesma para não me apegar. E estas são as palavras de quando o sentimento afoga-se em drinques baratos, é quando eu exijo tudo de mim para não te ligar falando besteiras sem filtro e tropeçando nas palavras. Sei que estou agindo que nem louca, viciada. Mas é que agora, nesse exato momento estamos em duas extremidades de uma corda-bamba, me dê a mão. Segure-se. Somos fogo e pólvora, então isso pode virar uma chama ou podemos nos queimar nas brasas. Você fica contando historinhas de alguém com coragem o suficiente pra ficar te amando, então constrói paredes e às pintas de cinza, e eu fico tentando derruba-las. Você deveria saber, que enquanto caminhávamos e conversávamos eu não disse metade das coisas que eu queria dizer. Você deveria saber que há tantas coisas que eu queria falar. Meu deus, tudo está em câmera-lenta, há tantas pessoas aqui rindo e eu ainda estou olhando ao redor. E eu só estou tentando não cair, me perguntando sobre você. E agora estou deitada, no silêncio escuro do quarto, são só 01:40 da manhã e estou me perguntando, quem você ama? Só talvez seja culpa minha e do meu otimismo cego, ver somente a bondade. Falta-me ver, que eu nunca estive em um lugar tão frio quanto você. Você deveria saber, esse texto é para você.
Dear, I'll still stay here.
Não há nada que eu possa fazer, ou palavras que eu possa dizer, que te faça ver. Você se tornou cético e trancou-se em si mesmo, alheio à sentimentos. Vestiu-se em uma armadura e criou um mundo de caos para si. Mas tudo bem, porque eu entendo você agora, eu sei que isso é medo. E aqui estamos, tão perto, e tão longe. Cinco centímetros se tornaram um abismo e eu não me importaria de pular. Quando você vai perceber que será diferente? Do que você tem medo? Medo de deixar a felicidade passar sem reconhece-la? Medo de sacrificar a amizade? Tem medo de sofrer o que não está acostumado. Tens medo de apostar todas suas fichas, conhecer e ter de esquecer. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente. Medo do inesperado planejado. E tem medo da espera. Tens medo de ser amado. Porque tem medo de ser engolido como se fosse álcool, beijado como se fosse líquen, e tragado como se fosse um cigarro em minhas mãos. Tens medo das mesmices de domingos, das brigas. Tem medo de jogar um jogo que você acha conhecer o final. Tem medo de dar certo porque seu forte é dar errado. Tem medo de me deixar entrar, tem medo de abraçar? Você tem medo de se render, medo de ser sugado como se fosse pólen, soprado como se fosse brasa, recolhido como se fosse um gatinho ferido. Tem medo de ser aninhado em um colo, desconfiado.Tem medo de ser igual a maioria. Você tem medo de dizer adeus, sem mesmo ter se dado chance de dizer olá. Tem medo de criar sonhos, bordar uma fantasia em volta de um conto de fadas que nem foi escrito. Você tem medo de assumir que tem medo, porque seria como entregar o lado fraco do corpo. Ou o corpo do lado fraco. Tem medo de se desgastar, de perder tempo. Tem medo de nunca ter tempo a perder. Tem medo de errar o caminho. Ou alterar trajeto para apressar encontros. Tem medo de ter medo, da solidão, tenta se convencer que assim é até melhor. Tem medo dos erros que posso cometer, mas só temos uma vida para viver. Então meu bem, deixe-me entrar. O mundo poderia ser nosso, e eu te levaria aonde quisesse, só segure minha mão. Tente entender que eu não vou te decepcionar. Mesmo quando você foge, escorregando entre meus dedos. Eu sei que você tem medo de se jogar, porque eu vejo seu passado em seus olhos, e isso você não pode disfarçar. Você tem tantos medos porque a decepção traz o medo. E eu entendo. Como sei que estes medos não são teus, somente fazem parte da redoma em volta de si. Os medos te protegem das decepções que você já conhece. E tudo que eu sinto é este momento. E tudo que eu respiro é a sua vida, a cada batida descompassada de dois corações quebrados. Porque mais cedo ou mais tarde isso irá acabar. Eu só não quero sentir a sua falta essa noite E você me parece tão perto e tão longe, há somente cinco centímetros entre nós. Cinco centímetros se tornaram um abismo e eu não me importaria de pular
Medos, cartas e histórias de uma madrugada fora do bar.
Tenho cartas escritas para enviar, em algum momento oportuno. Tenho frases para dizer, quando elas fizerem sentido. Tenho palavras para pronunciar, quando você as ouvisse. Tenho sentimentos para esclarece-los a você, quando fosse recíproco. Mas agora, me dou conta que eu vivo num paradoxo, licenças poéticas não cabem a nós. Nunca houve nós, aliás. Que engraçado, pois cá estou, às três da manhã imaginando um nós. Mas no fundo eu sei, que eu vivo num empasse chamado “e se…” E se eu mandasse as cartas? E se eu lhe dissesse o que tenho a lhe dizer? E se não for recíproco? E se eu sentir sozinha? Meu benzinho, sou intensa demais para viver em um mundo de reticências, virgulas, pontos de interrogações, ‘’e se’s…” Sou intensa demais para alguém que não sabe o que quer, alguém que vive em paradoxos mentais, alguém que não consegue suportar a própria loucura. Mas eu seria tola em não admitir que é essa sua loucura escondida, atrás da bolha que você próprio cria, que me encanta, me fascina, mas faz querer te resolver. Como um quebra-cabeças de 5.000 mil peças. Como um jogo. Eu me pergunto se tudo isso vale a pena. E voltamos ao início. Confuso, eu sei. Se você parar para pensar, acabei de lhe escrever outra carta, pronta para ser enviada em um momento oportuno, e tais palavras escritas divergem entre extremos de desejo à desesperança. Quem sabe, me falta assumir, que eu mesma vivo de extremos, assim como você.
E cá estou eu, ás três da manhã, lhe escrevendo outra carta, pronta a ser entregue em algum momento oportuno. Quanta ironia, certo?