Declarações póstumas
Antes de tudo, eu te amo. Sei que falei poucas vezes enquanto podia, mas também sei que todas foram especiais. E mesmo depois de tudo, e especialmente depois de tudo, eu ainda te amo.
Agora parece um pouco tarde mas preciso dizer o quanto você foi, e o quanto ainda é, especial. Com você ganhei coisas únicas, como uma nova visão do antigo mundo e os, vá lá, dois anos que tivemos um para o outro.
Ainda ganhei carinho, atenção, risadas... até mesmo uma priminha inquieta, que acho que perdi junto de todo o resto. Pois é, você faz muita falta, e eu não posso dizer que não sabia que isso aconteceria.
Assim, sofrendo, eu peço perdão por tudo que te fiz sofrer também, todas as vezes que eu soube e que não soube. Saiba que quando pude sofri junto, e quando não, quis. Sofro inclusive por ter te feito sofrer.
Antes, agora, depois, sempre desejei sua felicidade acima de tudo, até mesmo da minha própria. Perdoa, de novo, as poucas vezes que falhei em consegui-la ou as poucas vezes que, fora de mim, não soube agir para tal. por mais drásticas as consequências dessas ocasiões.
Aliás, uma delas que me traz aqui, te escrevendo essa carta por ser alguma forma de , talvez, te alcançar. Não alcançar sua mão e te puxar para um abraço, como tantas vezes, mas, talvez de alguma forma, te dizer o que quero.
Com ela, trago minha vontade de, um dia, onde quer que você esteja, e onde quer que eu esteja, nós estejamos bem, bem com nós mesmos, bem um com o outro, bem um sem o outro, um com o outro, bem. Só quero, na verdade, que você fique bem. Porque, com a licença de um pequeno egoísmo, só assim eu ficarei bem também.
Com todo o amor que sempre carregarei no peito,
Eu.









