WEB Diário De Melanie - 2x14 (Temporada de verão)
Três Semanas depois...
POV Melanie
Olhava-me em frente ao espelho, já não havia mais lágrimas no meu canal lacrimal para derramar dos meus olhos pretos devido à sombra e o lápis escuro. Por que tudo tinha de acontecer assim? Por que desse jeito? Olhei mais uma vez pra frente. Um vestido preto com renda por todo o ele, com as costas aberta e uma bota com um salto baixo também de coloração preta. Era a primeira vez que eu me lembre de estar vestida assim, não que a ocasião exigisse isso, eu poderia muito bem colocar meu moletom preto com meu all star, mas porra! Era a minha mãe! E mesmo que o caso tratado não mereça tanta arrumação, ela sempre quis me ver desse jeito, arrumada, como uma mulher, e hoje, eu iria realizar esse sonho, e tenho certeza de que, onde quer que ela esteja agora, conseguiria me ver desse jeito, só pra ela. Meus pensamentos foram interrompidos por 2 batidas na porta e logo em seguida Helena, a secretária chata pra caralho da minha mãe, entrou no quarto.
Melanie: Acho que você deveria esperar eu falar o “pode entrar”, não é Helena? Educação não mata ninguém. –Revirei os olhos e peguei meu celular em cima da cama.
Helena: Educação? Quem é você pra falar disso? –Deu um risinho e eu novamente revirei minhas órbitas castanhas. –Vamos logo que o seu pai está chamando. –Me deu passagem na minha própria porta, como essa mulher é ridícula. Bufei em pensamento antes de chegar lá embaixo e ver meu pai e Juliana, filha da cobra, digo, Helena, conversando em tom triste, não era pra menos, ele ainda estava muito abalado pelo acontecido da semana passada.
~Flashback on~
Uma Semana antes...
Estava sentada no chão da sala com os cadernos em cima da mesinha copiando a matéria que Lua me emprestou, estou nisso há duas semanas, eu perdi muitas aulas, quando meu telefone toca. Me estico pra chegar até o sofá e pegar meu iPhone, atendi sem olhar o visor.
~Ligação on~
Melanie: Alô, quem? –Falei despreocupada.
Xxx: Boa noite, aqui é o do corpo de bombeiros de Dufresne, encontramos o seu número na agenda telefônica de Berenice Nunes Fronckowiak, a senhorita é filha dela, não é? –Me desesperei.
Melanie: QUE? Como assim? Ma.. Ma.. Mas como? Hein? –Gaguejava.
Bombeiro: A senhora Berenice sofreu um grave acidente ao sul da rodovia 501, onde começava a estrada no vale pela montanha, ainda vamos apurar o que aconteceu com o carro. Tinha uma moça com ela, mas esta conseguiu se salvar.
Melanie: Sou filha dela sim, mas como assim? A outra conseguiu se salvar? Então quer dizer que... –Não, isso não podia ser verdade!
Bombeiro: Infelizmente ela não conseguiu sobreviver a explosão. –Disse em tom baixo e calmo. EXPLOSÃO? PUTA QUE PARIU!
Melanie: Explosão? Eu não... Eu não con... –Minha voz saía falha, ou melhor, já não saía mais naquele momento. –Quando foi isso?
Bombeiro: Já tem um dia. Sinto muito, tentamos tudo o que podíamos aqui no pronto-socorro, mas ela não resistiu as queimaduras e, além disso, sofreu um traumatismo craniano.
Melanie: COMO ASSIM JÁ TEM UM DIA E SÓ ME AVISARAM AGORA? EM QUE PRONTO SOCORRO VOCÊS ESTÃO? –Falei rapidamente já me levantando, e quando termino de calçar o vans mais próximo que encontrei, meu pai entra que nem um louco pela porta.
Bombeiro: Aqui no Santa Monica, de Dufresne. Já avisamos o marido dela, deve estar chegando.
Melanie: Ele já chegou, estamos indo aí agora. Pode se identificar? –Falava olhando para a cara de desespero de meu pai, a minha não estava diferente.
Bombeiro: Quando chegar aqui, procure pelo Murilo.
Melanie: Ok, obrigada. –Desliguei.
~Ligação off~
André: Vamos? –Falou já deixando suas malas em qualquer canto da sala e pegando as chaves do seu novo Hyundai colocando suas mãos nas minhas costas me guiando para fora de casa, a partir do momento em que desliguei o telefone, lágrimas não paravam de descer pelos meus olhos, escorrendo pela minha face, escorrendo pelas bochechas até chegar a minha boca e pescoço, não conseguia nem sentir o salgado das lágrimas, meus pensamentos estavam todos voltados para a minha mãe, deitada em uma cama no necrotério, esperando apenas para ser levada para o cemitério.
~Flashback off~
Terminei de descer as escadas, meu pai virou seu olhar para mim e deu um breve sorriso, coisa que não acontecia desde o ocorrido, e por um segundo me senti confortável, aquecida por dentro por saber que ele estava feliz em me ver arrumada, pelo menos nesse dia em questão.
André: Está linda filha. –Me deu um beijo na bochecha assim que cheguei mais perto dele. –Sua mãe adoraria te ver assim. –Sorri fraco.
Melanie: Obrigada pai, também está muito elegante. –Dei mais um sorriso amarelo.
Juliana: Bom, vamos logo? Tá muito linda essa declaração –sorriu falsamente –mas precisamos ir.
Helena: Exato, vamos. –Disse e terminou de descer as escadas mancando.











