Web UEC - Capitulo 2- Comigo não!
Depois de ouvir os comentários “positivos” de minhas duas colegas de classe, Elisa e Raissa, e de ter uma conversa sobre um assunto pessoal com o Chay, me perguntei se tinha algo errado comigo. Comecei a pensar se todos achavam isso. Claro que achavam, era óbvio. Mas e Chay? Será que ele achava? Claro que sim. Por que ele insiste tanto em ficar perto? Eu não quero ficar perto dele. Será que ele quer me zoar? Se a ideia dele for essa, ha ha, ele não vai conseguir. De tarde Arthur e Sophia vieram na minha casa. - Melanie, viu como Chay te tratou? Disse Arthur. Sophia estava sentada folheando uma revista quando parou, ainda na mesma posição, com os olhos apontados para nós dois. Eu estava sentada em minha cama e Aguiar estava na ponta. O encarei: - Não Arthur. Por quê? -Porque eu reparei! -Reparou no que? - No modo que ele te tratou! - Não, não reparei. Me tratou comumente. - Não achei também! -disse Sophia - Sophia… - Ah Mel, por favor. Ele te tratou bem diferente. Algo em você chamou atenção dele. - Talvez seu jeito, seu sorriso, seu cabelo, sua pele, seus olhos… -disse Arthur um pouco alheio, mas sorrindo - Quem sabe? - disse Sophia - Você não gostou dele? -Não vi nada demais nele. - Ah, ele é bonito, fofo, legal, forte, gente boa… - Tá, ele é bonito. - Só bonito? - Sophia Sampaio Abrahão… - Tá Sophia, muito bonito -disse interrompendo Arthur - Tchau, vou embora! - ele levantou da cama e foi em direção a porta. -Vai nem dar um tchau direito? Ele parou. Por um instante achei que ele ia voltar. Ele ia virar por completo, então fechou o olho e voltou a ficar parado de frente pra porta. - Nos vemos amanhã. Ele saiu. - Ele gosta muito de você. - Não posso me envolver com ele! - E por quê? - Eu gosto dele como amigo. - E? - Não deixarei nada estragar nossa amizade. - E o Chay? - Não temos uma amizade! - Então você e ele terão algo? - Não foi isso que eu disse… - Foi o que eu entendi! - Não me responsabilizo. - Hmmmmmmmmm! - Eu achei que ele ia voltar… - Ele não voltou. - É, eu sei No dia seguinte tínhamos aula. Iniciariamos com ciências. Sentei-me atrás de Arthur e na frente de Chay. Arthur estava com a cara fechada pra mim, não havia falado nada mais que um singelo oi. Desnecessário! Senhor Carlos disse que teríamos que formar grupos de quatro integrantes e fazer um trabalho. No meu, como de costume estávamos eu, Sophia e Arthur. - Alguém esta sem grupo? Chay levantou o braço. “Chay vem aqui. A gente expulsa fulano e põe você” foi a frase mais dita. - Melanie! O encarei. -Sim? -Seu grupo tem quantos? - Senhor Carlia me perguntou como quem tem certeza da resposta, mas quer ouvir de minha boca. -Três. -Eu pedi grupo de quantos? - ele disse quase sorrindo. -Quatro. - disse cerrando os dentes. -Se importa de colocarmos o Chay? Encarei Chay. -Por mim… - revirei os olhos - Sophia? Arthur? -Tanto faz,fessor! -disse Arthur. -Pode! -Sophia sorriu e olhou para mim. Afundei o rosto na cadeira. Na hora da saida, vi Arthur e Sophia se falando. - Sophia EU gosto dela! - Eu sei, Arthur. - Para de desenrolar o Chay pra ela! - Eu não tô desenrolando ninguém, Aguiar! - Tá bom Sophia! Odeio quando falam de mim sem me incluir! Na hora da saída minha mãe não tinha chegado. Resolvi esperar cinco minutos. Dez minutos se passaram. Quinze minutos se passaram. Liguei pra ela: - Mãe? “Sim?” -Cade você? “No trabalho, oras!” -Mãe eu to plantada em frente a escola te esperando. Eu quero ir embora! “Filha não posso sair daqui agora. Tô atolada de processo pra resolver aqui, pasta, arquivo.” -Eu faço como? “Olha, final do mês vai ter mais dinheiro em casa!” -Legal e eu fico aqui? “Pega um táxi, ônibus!” -Eu não tenho dinheiro! “Pega carona com algum colega. Arthur, Sophia…” -Eles já foram embora, aliás, quase a escola toda foi. “Não sei o que fazer, filha. Desculpa!” -Relaxa, eu me viro. Me viro como sempre tive que me virar, sem você né, óbvio! Desliguei o telefone. Cúmulo, era o cúmulo. Fiquei sentada no banco pensando no que fazer. Já tinham passado-se alguns minutos. -Ainda aqui? Me virei e vi Chay - Pois é. Minha mãe me esqueceu e eu não tenho como voltar! - Nossa! - Por que tá aqui? - Tava treinando. Como cheguei ontem e me inscrevi no time resolvi me dedicar mais. - Ah tá! - Vou indo. - Vai lá. Ele foi. Foi, mas voltou numa moto. - Sobe ai, eu te levo! - Tá louco? - Vem que você não tá podendo escolher. -eu o olhei pensando em sim ou não - Anda! Vou. Afinal, preciso ir pra casa. Fui indicando o caminho e ele foi seguindo. Chegamos. Me abaixei entre as plantas do pequeno jardim de fora pra buscar a chave reserva. - Posso entrar e tomar água? Tô com sede - Eu trago. - Não! -ele segurou meu braço - Quero ver se não vai ser da bica. - O que você pensa que eu sou? Depois de muita insistência o deixei entrar, afinal, ele me trouxe pra casa. - Mora bem hein! - É o que eu ganho por ter uma mãe neutra! - Obrigado por me deixar entrar. - Você me trouxe pra casa. Mínimo que eu podia fazer. - Ja tomei minha água, me certifiquei que não era da bica, então vou indo. Beijo Mel! - Até amanhã! Ele se foi. Vi sua moto cada vez mais longe até sumir da minha vista. Eu abri a porta pra ele. Dizem que quando permitimos que entrem na nossa casa, estamos permitindo que entrem na nossa vida.










