O trabalho de uma Especificação Funcional para um sistema ou uma aplicação, em qualquer plataforma, é sempre crucial para o sucesso da solução. Nesta fase há dois momentos chave:
Organizar e estruturar as ideias do cliente ou da(s) área(s) de negócio
Validar as Especificações Funcionais antes do início da fase de desenvolvimento
Há várias ferramentas para isso mas nenhuma resolvia todos os problemas que vivenciei, independente do lado em que estive - seja como consultor, fornecedor ou cliente - nesta fase do projeto. Anotações ou gravação das sessões de exploração são ou insuficientes ou longas demais. Os documentos de Especificação Funcional muito exaustivos são difíceis para o cliente validar e sempre ficam faltando detalhes que às vezes podem virar inconvenientes change requests (e quando digo isto, é inconveniente para todos os envolvidos).
Quando a {kolekto} redefiniu seu seu posicionamento de negócio em Outubro do ano passado, adotando a plataforma Salesforce, um dos desafios era trabalhar com métodos mais leves de montagem da Especificação Funcional para permitir entrar na fase de desenvolvimento o mais rápido possível, sempre garantindo a melhor informação para o time de programação não tomar caminhos que levem para longe do resultado esperado. A intenção é sempre de chegar o logo à fase de testes e QA pelo pelo time de negócio.
Pensando nisto tudo lembrei da ferramenta de Business Canvas para desenho de modelos de negócio que permite fazer uma avaliação simples e dinâmica, mas muito completa e estruturada, de uma ideia. Estas premissas eram exatamente o que eu queria para ajudar na fase de exploração ou desenvolvimento de uma Especificação Funcional. E se servia para um modelo de negócio, porque não serviria também para um modelo de solução, sistema ou aplicação mais específicos?
Com todos estes conceitos em conta e com base nos requisitos para um projeto de desenvolvimento na plataforma Salesforce, comecei a rascunhar uma versão adaptada da Business Canvas a qual dei o nome de Functional Canvas. Não demorei muito a chegar no modelo acima, com estruturas claras de informação que nos ajudam a visualizar a solução inteira, uma aplicação, uma tela do sistema, uma funcionalidade ou um perfil específico de usuário. Este formato, em teoria, seria flexível para fixar um ponto para análise dos demais aspectos envolvidos.
Precisava então testar o modelo e o primeiro teste foi na análise de soluções completas. O Functional Canvas se mostrou muito útil na fase de prospecção de vendas e orçamento, permitindo os clientes terem uma clara visualização da solução e sua complexidade. É um belo documento de suporte à proposta comercial de um projeto de desenvolvimento.
O segundo teste foi quando ganhamos a concorrência para o desenvolvimento de um sistema comercial em que apresentamos o Functional Canvas como uma metodologia para acelerar a fase de workshop de funcionalidades, aliado a um pesado trabalho de prototipagem de telas, permitindo que desde a segunda semana de trabalho o cliente já tivesse uma visualização da ferramenta para iniciar o trabalho de validação da mesma com as diversas áreas envolvidas no projeto. Como é um sistema complexo, o Functional Canvas serve como documento de referência para a confecção da Especificação Funcional detalhada e esperamos que sirva para o cliente como um quick reference durante a fase de testes homologação (acabo de ter o insight de que o Caderno de Testes do sistema possa ser montado neste formato deixando as áreas de Input/Output abertas para registros dos resultados).
O terceiro teste, para mim, foi o mais interessante: foi definido que íamos desenvolver para um cliente a versão 1.1 de uma aplicação em estágio piloto há alguns meses, com foco principalmente na interface do usuário, melhorando aspectos de navegação sem mudanças de regras de negócio. Neste exato momento, além das telas de mockup, o Functional Canvas é o único documento de Especificação Funcional que está indo para as mãos do time de desenvolvimento para kick off da fase de montagem de código. Ou seja, ele substituiu completamente os exaustivos documentos de Especificação Funcional que conhecemos.
Quando a metodologia é robusta, como é a Business Model Generation, ela pode ser aplicada para facilitar processos diversos em diferentes áreas de negócio. Seguiremos testando o Functional Canvas nos diversos projetos da {kolekto} e buscaremos fazer a ferramenta evoluir para, além da consolidação da mesma internamente, fazer a metodologia ser adotada pelos nossos clientes e parceiros.
Em tempo: não é a toa que depois de um ano eu volto a postar aqui. O ILIMITAT completa dois anos exatamente hoje (o email do pessoal do Tumblr me lembrando da data não me deixa mentir). Ensaiava há tempos reativar o blog e não havia ocasião mais propícia. Espero que não leve mais um ano para voltar a fazer uma coisa que me dá tanto prazer. Os últimos doze meses foram muito intensos e cheios de desafios. Mais do que a famigerada falta de tempo, a principal justificativa para este hiato aqui é que precisava de foco para (re)colocar a minha empresa no eixo. No fim do dia, é exatamente disso que se trata este espaço: de negócios em movimento. E, com a ajuda de muita gente, we are alive and kicking! All #in.
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