No Futebol de Cinco é mais conhecido como futebol de cego. O time é formado por cinco jogadores, o único jogador que possui visão é o goleiro, nomeado de vidente, os outros quatro jogadores são totalmente cegos e precisam usar uma venda. O uso da venda é para deixar todos os atletas em condições iguais, já que alguns deficientes visuais possuem uma percepção luminosa, o que pode deixa-los em vantagem. A bola, inclusive, possui guizos (esferas ocas de metais que são percutidas quando as bolinhas de ferro colocadas em seu interior são agitadas), os quais permitem que o jogador identifique onde ela está. A quadra é dividia em três partes, cada uma delas uma pessoa diferente é responsável por orientar os jogadores em campo. Na primeira parte, na área da defesa, responsabilidade é do goleiro. O treinador é quem orienta os atletas no segundo terço da quadra, o central. Na área de ataque, o responsável é um guia, nomeado de chamador, ele fica atrás do gol adversário e coordena o ataque do seu time. O chamador também tem a função de bater nas traves quando é cobrada uma falta ou tiro livre.
Os jogos podem acontecer em campo de grama sintética ou em quadras de futsal adaptadas, com uma banda lateral (barreiras de madeira que se estendem por toda linha de fundo e lateral, evitando que a bola saia de campo) e possuem praticamente as mesmas regras do futebol de salão. As regras diferentes são os dois tempos de 25 minutos, tendo os últimos dois de cada tempo cronometrados; a área do goleiro é de 5 por 2 metros, e ele não pode defender, nem pegar a bola, fora dessa área; um tiro livre é cobrado, da linha de 8 metros ou de onde a falta foi sofrida, após a terceira falta.
Durante o jogo, os jogadores precisam falar a palavra espanhola “voy” (vou, em português) sempre que forem em direção à bola, para evitar choques. Se o juiz da partida não ouvir o “voy”, a falta é marcada contra a equipe cujo jogador que não o disse.
Acredita-se que a prática de esportes entre pessoas com deficiência visual tenha começado pela década de 20, na Espanha, ainda que não haja uma história oficial. Também chamado de “futebol de cinco”, por trazer muitas influências do futebol de salão, o futebol para cegos surgiu por volta dos anos 50 no Brasil, quando cegos jogavam com latas, garrafas e bolas envolvidas em sacos plásticos.
Na América do Sul, o primeiro torneio reconhecido e organizado pela IBSA (International Blind Sports Federation), foi a Copa América de Assunção, em 1997, onde o Brasil foi o grande campeão. Participaram quatro seleções: Brasil, Argentina, Colômbia e Paraguai. Já em 1978, aconteceu o primeiro campeonato com jogadores deficientes visuais no Brasil, promovido pelas Olimpíadas das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), em Natal. A primeira Copa do Brasil foi em 1984, na capital paulista.
O Brasil foi o primeiro campeão mundial em 1998, em Paulínia - São Paulo, vencendo a Argentina na final. Em 2004, o futebol de cinco teve sua primeira participação nos Jogos Paraolímpicos em Atenas, onde ganhou novamente da Argentina nos pênaltis, por 3 a 2.
A Seleção Brasileira possui dois títulos paralímpicos: em Pequim-2008, e o último, em Londres-2012, onde o Brasil sagrou-se tricampeão. Além dos títulos, foi a primeira equipe a marcar um gol em Jogos Paralímpicos.