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Cauã Rodrigues
Aos oito anos de idade, Cauã Rodrigues começou a jogar futebol convencional, seu sonho era ser goleiro. Por ter Glaucoma, doença ocular que provoca danos irreparáveis no nervo óptico, perdeu a visão enquanto brincava, acabando por bater o olho na maçaneta da porta. Em 2006 no Instituto Padre Chico, conheceu a bola de guizo, bola de futebol para deficientes visuais, e a partir desse momento Cauã percebeu que mesmo cego, podia jogar, só não na posição desejada.
Em 2009 Cauã ouviu falar da APADV e do Centro Recreativo Esportivo Especial Luiz Bonico (CREEBA) e começou a treinar lá. Foi apresentado a algumas regras diferentes das que estava acostumado, como o uso da venda durante o jogo. Hoje com 22 anos joga para o time APADV e pretende continuar e conquistar grandes títulos.
Antonio Taffarel de Carvalho
Batizado em homenagem ao craque com as camisas do Internacional e Atlético-MG, Antônio Taffarel de Carvalho de 27 anos, seguiu os passos do ilustre xará. Ex-goleiro titular da Seleção Brasileira de Futebol de Cinco, conquistou sua fama e grandes títulos.
No final de 2007 foi apresentado ao futebol de 5, na equipe APADV, time de São Bernardo Do Campo; onde ficou cinco anos na seleção e oito no futebol de 5. Hoje permanece na área de Educação Física, jogando futebol convencional como hobby. No decorrer de sua carreira, Taffarel jogou no campeonato brasileiro da série B e subiu para a série A; foi para a Argentina na Copa das Américas; junto com seu time, viajaram para a Inglaterra e foram campeões mundiais; no México foram campeões nos jogos Pan-Americanos.
Vinícius Tranchezzi
Em 2009, Vinícius Tranchezzi começou a jogar como goleiro na modalidade do futebol de 5 na APADV. Acostumado a jogar futebol convencional, passou por algumas adaptações; a comunicação entre o goleiro e os atletas é muito importante e essencial; sem contar que a área do goleiro é um pouco menor, os jogadores chutam à uma distância pequena comparado ao futebol usual.
Participou de vários campeonatos brasileiros e regionais, em 2013 entrou na Seleção Brasileira, e no ano seguinte viajou para o Japão e foi Campeão no Mundial, neste ano de 2015 ganharam no Pan-Americano e no Campeonato Brasileiro da série A, onde conquistou o título de melhor goleiro.
Hoje, aos 22 anos, o goleiro tem o sonho de chegar a uma Paralimpíadas e continuar no departamento esportivo, seja jogando ou na parte administrativa. Vinícius se graduou em administração na ESPM e está fazendo uma Pós em Marketing Esportivo.
Do dia 7 ao dia 18 de setembro de 2016, se reunirão no Rio de Janeiro 4.350 atletas, de 179 países, para disputar as paralimpíadas. Serão 528 provas com medalhas, sendo 226 femininas, 38 mistas e 264 masculinas.
O Futebol de 5 estreou nos Jogos Paralímpicos em Atenas, 2004. O Brasil é tetracampeão mundial e tricampeão Paralímpico, tendo no time os dois melhores jogadores do mundo desde 2008: Jeferson Gonçalves e Ricardo Alves.
No ano que vem, o Brasil é o time a ser batido, pois ganha medalhas de outro em todos os campeonatos, desde Atenas.
De uns tempos para cá, a estrutura do futebol de cinco melhorou bastante. Se antes os jogadores dormiam no chão, hoje ficam alocados em hotéis. A arbitragem passou a ser própria da CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais), a alimentação, transporte e infraestrutura agora são adequados. Mas, apesar dessa significativa melhora, a grande maioria dos jogadores não consegue viver do Futebol de Cinco, apenas jogadores convocados pela Seleção Brasileira ganham bem, pois são beneficiados por incentivos do governo, como o Bolsa Atleta. A falta de investimento na modalidade paralímpica é grande, e acaba prejudicando o esporte. Na mídia, há um abismo entre o futebol convencional e o de cegos. No Futebol de Cinco possuímos os dois melhores jogadores e o título de melhor do mundo, mas destaque nenhum nos jornais esportivos.
O FUTEBOL
No Futebol de Cinco é mais conhecido como futebol de cego. O time é formado por cinco jogadores, o único jogador que possui visão é o goleiro, nomeado de vidente, os outros quatro jogadores são totalmente cegos e precisam usar uma venda. O uso da venda é para deixar todos os atletas em condições iguais, já que alguns deficientes visuais possuem uma percepção luminosa, o que pode deixa-los em vantagem. A bola, inclusive, possui guizos (esferas ocas de metais que são percutidas quando as bolinhas de ferro colocadas em seu interior são agitadas), os quais permitem que o jogador identifique onde ela está. A quadra é dividia em três partes, cada uma delas uma pessoa diferente é responsável por orientar os jogadores em campo. Na primeira parte, na área da defesa, responsabilidade é do goleiro. O treinador é quem orienta os atletas no segundo terço da quadra, o central. Na área de ataque, o responsável é um guia, nomeado de chamador, ele fica atrás do gol adversário e coordena o ataque do seu time. O chamador também tem a função de bater nas traves quando é cobrada uma falta ou tiro livre.
Os jogos podem acontecer em campo de grama sintética ou em quadras de futsal adaptadas, com uma banda lateral (barreiras de madeira que se estendem por toda linha de fundo e lateral, evitando que a bola saia de campo) e possuem praticamente as mesmas regras do futebol de salão. As regras diferentes são os dois tempos de 25 minutos, tendo os últimos dois de cada tempo cronometrados; a área do goleiro é de 5 por 2 metros, e ele não pode defender, nem pegar a bola, fora dessa área; um tiro livre é cobrado, da linha de 8 metros ou de onde a falta foi sofrida, após a terceira falta.
Durante o jogo, os jogadores precisam falar a palavra espanhola “voy” (vou, em português) sempre que forem em direção à bola, para evitar choques. Se o juiz da partida não ouvir o “voy”, a falta é marcada contra a equipe cujo jogador que não o disse.
Acredita-se que a prática de esportes entre pessoas com deficiência visual tenha começado pela década de 20, na Espanha, ainda que não haja uma história oficial. Também chamado de “futebol de cinco”, por trazer muitas influências do futebol de salão, o futebol para cegos surgiu por volta dos anos 50 no Brasil, quando cegos jogavam com latas, garrafas e bolas envolvidas em sacos plásticos.
Na América do Sul, o primeiro torneio reconhecido e organizado pela IBSA (International Blind Sports Federation), foi a Copa América de Assunção, em 1997, onde o Brasil foi o grande campeão. Participaram quatro seleções: Brasil, Argentina, Colômbia e Paraguai. Já em 1978, aconteceu o primeiro campeonato com jogadores deficientes visuais no Brasil, promovido pelas Olimpíadas das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), em Natal. A primeira Copa do Brasil foi em 1984, na capital paulista. O Brasil foi o primeiro campeão mundial em 1998, em Paulínia - São Paulo, vencendo a Argentina na final. Em 2004, o futebol de cinco teve sua primeira participação nos Jogos Paraolímpicos em Atenas, onde ganhou novamente da Argentina nos pênaltis, por 3 a 2.
A Seleção Brasileira possui dois títulos paralímpicos: em Pequim-2008, e o último, em Londres-2012, onde o Brasil sagrou-se tricampeão. Além dos títulos, foi a primeira equipe a marcar um gol em Jogos Paralímpicos.