De verdade verdadeira qual é minha função? Por que vivo? Por quem acordo todos os dias? Quem de verdade se importa? Eu deveria amar tanto? Eu deveria sofrer tanto? Eu deveria questionar tanto? Já não sei muita coisa, me esvaziei por completo com tantas apunhaladas pelas costas, tantas traições, tantas propostas indecentes. Já me usaram, me sabotaram, já não sei em quem posso confiar. Já me neguei, já me menti, já me sabotei, não sei se posso acreditar ainda em mim. Eu sou inconstante, insegura, confusa. Chego a ser mais complicada do que aritmética. E talvez seja por isso que algo dentro de mim funciona tão errado, ninguém me entende. Sou um idioma difícil demais de ser traduzido. E eu queria apenas não sentir mais esse oco que eu sinto, esse “não ter porquê viver” me despedaça. Não encontro uma razão ou explicação plausível para isso. Por favor, alguém me diz como esvaziar toda essa tralha que toma tanto espaço em meu peito? Alguém me ensina a ser leve, a enxergar o belo? Queria uma luz para acabar com toda essa escuridão que me cega, um propósito, um motivo, uma razão pra acordar todos os dias. Queria não necessitar tanto da companhia do meu masso de cigarros e do meu copo de whisky barato. Queria coragem pra olhar no espelho e falar, realmente acreditando, que só eu sou capaz de me fazer feliz. Sem preocupações banais, sem medo de viver, aproveitando cada segundo, acreditando que sou capaz e realmente, acreditando que pra ser feliz não se precisa de motivos. O mundo gira num ângulo de 360º, mas quando volta ao seu ponto inicial, nada está do mesmo jeito. Não deveríamos ser assim? Andar pelas trilhas da vida, girar o mundo vivendo novas experiências, mas que se por ventura voltássemos ao mesmo lugar, coisa que sempre acontece, que tudo estivesse diferente. Ah, mas não precisa estar mudado aos olhos dos outros, apenas aos nossos. Porque a graça de se viver é essa, mudar o modo como enxergamos o mundo a nossa volta. Então diga-me, por que não pode ser assim? Por que tantos questionamentos pra vida, por que fechar-se preocupado com o que o resto do mundo tem a dizer? Essas perguntas me preocupam, e muito. Mas quem sabe um dia, serei capaz de responde-las. Já não preciso de ninguém para dizer o que fazer, mas preciso de um empurrão, de um choque de realidade. Sei que minha vida não é das piores, mas pode estar nas das piores. Já fiz muita coisa horrível em minha vida, mas já fiz muita coisa bonita nela também, como escrever poemas, tocar um violão debaixo da árvore daquele parque perto do meu apartamento, já ajudei dona Sara com as compras do mês. Não sou cruel, mas não sei mais o meu valor. Não encontro razões para estar aqui nesse mundo. Minha solidão afasta os outros e acabei me acostumando com essa minha vida abandonada na casinha de sapé. Cansei de me deitar no chão gelado e pensar: “qual o meu plano nesse mundo maldito?”. Eu quero o plano. E o plano qual é? Já não sei qual é. Mas o Zé sempre fala: “Ser feliz é o nosso plano de vida”. Talvez eu deva seguir esse plano, apenas ser feliz.
I'm cry - By: Paula, Gabriele, Hanna and Marcela written in imperfeita-s










