Se você pudesse viajar no tempo, iria ao passado ou para o futuro? E se você pudesse encontrar a si próprio aos dez anos de idade, o que você diria?
Você provavelmente já se deparou com essas perguntas e passou um bom tempo pensando em respostas para elas, não é mesmo?
A viagem no tempo é um tema que intriga há gerações e já foi objeto para estudos e pesquisas, conspirações, séries, filmes e, é claro, livros. Todo esse fascínio pela possibilidade de que alguém — ou algo — poderia visitar e reformular a história, seja no passado ou no futuro, tem o potencial de explodir a cabeça de qualquer um e transformar-se em um livro fantástico.
E você, já pensou em escrever uma história com viagem no tempo? Ficou curioso pelo tema? Confira o post a seguir:
Sobre a viagem no tempo na literatura
A história da viagem do tempo na literatura é bem antiga: uma das primeiras obras com essa temática é datada no ano de 1887! Ou seja, muito antes de cientistas fazerem estudos sobre multiversos e viagens no tempo, escritores já imaginavam como isso seria — e continuam imaginando até hoje.
E a vantagem da viagem do tempo na literatura é que, ao contrário do que você pode pensar, ela não precisa ser usada apenas na ficção científica . Obras como “A mulher do Viajante no Tempo”, de Audrey Niffenegger e “Outlander” de Diana Gabaldon, por exemplo, utilizam esse elemento para construir o romance, além de criar conflitos. Já em “Harry Potter o Prisioneiro de Azkaban”, a viagem no tempo não é causada por máquinas e descobertas científicas — mas sim por pura mágica.
Tipos de viagem no tempo
A questão sobre a viagem no tempo é que não se trata apenas da jornada em si: são as consequências, tanto na vida dos personagens quanto do universo como um todo. Em certos casos, até as escolhas mais simples podem causar grandes impactos na história. Já em outros, a própria viagem no tempo já faz parte da linha do tempo original e é necessária para o desenrolar dos acontecimentos.
Ficou confuso com as possibilidades? Confira três tipos básicos de viagem no tempo:
Linha de tempo fixa - Nesse tipo de jornada, a viagem no tempo só pode ser feita dentro de um determinado limite, onde futuro ou passado já são fixos. Sendo assim, as escolhas do personagem não alteram a história e tornam-se parte dela.
Pontos fixos - Já nesse modelo, as ações dos personagens podem gerar impactos menores e existem momentos ou situações que não podem ser alterados, como desastres naturais e mortes; não importando as tentativas do personagem de mudar o curso da história.
Multiverso - Dentro desse modelo, ao contrário dos anteriores, as possibilidades são infinitas: os personagens têm total autonomia para interferir em acontecimentos, que geram consequências e impactos em uma nova linha do tempo, substituindo a anterior.
Agora que você conhece um pouquinho mais do tema, vamos para as dicas?
Defina para quando seu personagem vai
Essas é a primeira e uma das mais importantes questões para o desenvolvimento da viagem no tempo da sua história. Isso porque um dos principais elementos da história é o mostrar que o personagem está em outra época, numa sociedade diferente em diversos aspectos e como ele reage a isso.
Em Outlander, por exemplo, Claire Randall passa por vários problemas por ser uma mulher presa na Escócia de 1743, uma época muito mais machista comparada ao seu presente; além das dificuldades de ser uma médica que tenta exercer seu ofício, sem os mesmos recursos que teria em sua época.
Defina como seu personagem vai viajar
Esse é outro ponto super importante na história, porque ele ajuda a estabelecer outro elemento básico, que é como (e se) seu personagem vai voltar para seu próprio tempo, além da quantidade de viagens que poderá fazer.
O seu personagem terá uma máquina no tempo, um dispositivo ou viajará por acaso? Ele precisaria esconder esse objeto? Ele poderia ir e voltar quantas vezes quisesse ou seria apenas uma viagem de ida e volta?
Todas essas perguntas vão te ajudar a desenhar a sua história
Pesquise bastante
Como mencionado ali em cima, o seu personagem, ao viajar no tempo, vai parar em uma sociedade diferente. Então para isso você, como escritor, precisa entender ou criar essa realidade através da pesquisa.
Se o seu personagem viajar para o passado, você precisa saber como o mundo funcionava naquela época, até em detalhes que você normalmente não pensaria. E no caso de uma viagem para o futuro, você também precisa pesquisar o que há hoje em dia e como isso poderá ser daqui para frente, para criar uma base — até mesmo se tudo for imaginado.
Aqui vão algumas perguntas que podem te ajudar:
Como as pessoas se vestem na época escolhida?
Como as pessoas falam e quão diferente seria, comparado ao que o personagem está acostumado?
Como são os hábitos e costumes?
A sociedade é mais ou menos avançada em termos de cultura e direitos humanos? O seu personagem poderia sofrer algum preconceito?
A tecnologia é mais ou menos avançada do que no presente?
Quanto mais você souber, melhor. Então, cai dentro na pesquisa!
Seja consistente: cuidado com furos!
Como a viagem no tempo é algo fantasioso e que normalmente já causa uma certa “bagunça” no enredo, é importante que você preste muita atenção para que sua história não fique totalmente sem sentido e sem lógica.
Uma boa alternativa para isso é estabelecer regras dentro do universo da obra e da viagem no tempo, como nos tipos mostrados lá em cima. Além disso, definir quais seriam as consequências se essas regras fossem quebradas — o que, de quebra, é uma ótima oportunidade de criar conflitos para o enredo.
Espero que essas dicas ajudem!
Beijos e até a próxima
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Referências:
How to Write a Time Travel Story – 10 Things to Consider & 5 Examples
Imagine que você terminou de escrever seu livro e resolve que está na hora de publicá-lo em alguma plataforma online (Amazon, Wattpad, Inkspired) ou, quem sabe, enviar para alguma editora. Agora pergunte-se: como você faria para demonstrar para alguém que sua história merece ser lida?
Para muitos autores, escrever a sinopse é um desafio quase tão grande quanto escrever o livro em si. E não é por acaso: você precisa condensar milhares e milhares de palavras em um texto curto, tentando discernir o que é importante ou o que pode ser deixado de fora e, mais importante ainda, o que vai causar aquela vontade, a curiosidade que fará com que as pessoas queiram ler seu livro.
Você também quer ajuda com isso? Continue lendo o post:
O que é a sinopse
A sinopse é nada mais, nada menos, que um resumo do seu livro; escrito com o propósito de familiarizar e atrair leitores. Além disso, a sinopse também é usada para a apresentação a uma editora, como maneira de demonstrar o potencial para publicação e venda.
No entanto, nesse caso existe uma diferença em relação aos resumos publicados em sites: para as editoras, é recomendado que o final da história esteja incluído no texto; enquanto uma sinopse para o público não possui spoilers.
Apesar dessa diferença básica, esse artigo aqui vai trazer dicas que podem ser aplicadas para ambos os casos, ok?
Elementos de uma sinopse
Uma sinopse contém, basicamente, esses elementos:
Personagens
Aqui pensamos em protagonistas, antagonistas e personagens secundários. É importante ter em mente que você terá um espaço pequeno para o texto, então o foco precisa ser nos personagens que realmente fazem a história acontecer e que são a base do seu enredo.
Plano de fundo
Aqui falamos do tempo e o espaço em que a obra está situada. Esse é o elemento que vai trazer o contexto da sua história para o leitor (ou editor) e ilustrar o cenário.
O Conflito
Aqui falamos da tensão, daquele elemento que vai causar a curiosidade nos leitores. Quais vão ser as dificuldades e desafios que os personagens vão enfrentar? Que tipo de jornada ou busca espera por eles?
A narrativa / arco
Assim como em seu livro, a narrativa precisa ter uma estrutura, começando pela exposição (ou seja, o que engatilha a história), passando pelo conflito crescente até chegar, no caso de uma sinopse voltada para editoras, até a resolução — ou seja, o final.
Aqui vai o exemplo da sinopse do livro Percy Jackson e o Ladrão de Raios, que contém todos esses elementos:
Os deuses do Olimpo continuam vivos, em pleno século XXI! Eles ainda se apaixonam por mortais e têm filhos que podem se tornar grandes heróis, mas que acabam, na maioria das vezes, encontrando destinos terríveis nas garras de monstros sem coração. Apenas alguns descobrem sua identidade e conseguem chegar ao Acampamento Meio-Sangue, um acampamento de verão em Long Island dedicado ao treinamento de jovens semideuses (plano de fundo). Essa é a revelação (exposição) que leva Percy Jackson (personagem) a uma incrível busca para ajudar seu verdadeiro pai — o deus dos mares! — a evitar uma guerra no Olimpo (narrativa).
Com a ajuda do sátiro Grover Underwood e de Annabeth Chase, uma filha de Atena (personagens), Percy é encarregado de cruzar os Estados Unidos para capturar o ladrão que roubou a mais poderosa arma de destruição já concebida: o raio mestre de Zeus (narrativa). No caminho, eles enfrentam uma horda de inimigos mitológicos determinados a detê-los (conflito). Em meio aos perigos dessa jornada, Percy precisa confrontar um pai que ele não conhece e se precaver de uma cruel traição (conflito)
Dicas para criar uma sinopse
Escreva em terceira pessoa
Você pode estar se perguntando “até se minha história for em primeira pessoa?” e a resposta é: sim, até se sua história estiver escrita em primeira pessoa! A finalidade da sinopse, ao contrário da narrativa, é de expor o livro para os leitores sob uma perspectiva impessoal, como a de alguém “de fora” do enredo — afinal, ela é escrita pelo autor, não pelo personagem.
Além disso, a escrita em terceira pessoa passa mais profissionalismo, o que é o ideal caso você queira enviar seu livro para uma editora.
Demonstre seu estilo e exponha o diferencial
É importante que a sinopse reflita o seu estilo de escrita, mesmo que e especialmente porque o objetivo dela é atrair leitores. Além disso, a sinopse é a sua oportunidade de demonstrar o diferencial do seu livro e porque ele merece ser lido.
No caso da sinopse de Percy Jackson e o Ladrão de Raios, por exemplo, ela demonstra que a história trata-se de uma aventura e que o autor trouxe elementos da mitologia grega para o presente — e vamos combinar, provavelmente foi essa combinação que te fez pegar o livro para ler.
Evite usar adjetivos
Por mais que você acredite que a sua história é “imperdível” ou “de tirar o fôlego”, evite colocar esse tipo de descrição na sinopse. Tenha em mente que o objetivo é atrair, não tentar convencer a qualquer custo que as pessoas leiam sua história — especialmente porque isso pode gerar justamente o efeito contrário, dando aquela impressão que você está “forçando a barra”. Deixe que a sinopse fale por si.
Evite explicar demais
Lembre-se que a sinopse é um resumo da sua história, que deve ser escrito em poucas palavras. Para que isso aconteça, é importante que você se atente aos elementos que são necessários e evite dar muitos detalhes sobre personagens, enredo ou a história de fundo. Além disso, quando você sabe dosar nesse quesito, as chances de fazer o leitor querer por mais são maiores.
Busque opiniões
Ao terminar a sinopse, peça para que outras pessoas leiam e te digam se leriam o seu livro — afinal, o objetivo é justamente esse! Busque, de preferência, por pessoas que ainda não conhecem sua história.
Bônus: o método snowflake
Essa dica é baseada em experiência própria e é especialmente útil caso você, assim como eu, fica na dúvida sobre o que é importante e como estruturar.
O método snowflake, além de uma ferramenta ótima de planejamento, é um ótimo aliado para criar sua sinopse (e caso você não conheça esse método, eu fiz um megapost dividido em duas partes, explicando passo a passo).
Para criar a sinopse, no entanto, você precisa apenas dos dois primeiros passos que são, respectivamente, resumir toda a sua história em uma única frase e em seguida transformar essa frase em um parágrafo.
Esse método ajuda porque, no momento em que você tentar resumir tudo em apenas uma frase, os elementos mais importantes da sua história vão ficar claros para você. Já no segundo passo, você tem uma ajuda extra para criar a estrutura da sinopse.
Eu espero que essas dicas te ajudem a criar uma sinopse que traga muitos e muitos leitores.
Beijos e até a próxima!
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Referências:
COMO ESCREVER UMA SINOPSE EFICIENTE para editoras tradicionais de livros - Canal Escreva seu Livro
How to Write a Synopsis – Everything You Need to Know - Liminal Pages
How to Write a Synopsis Agents Will Notice - Reedsyblog
How to Write a Novel Synopsis: Step-by-Step Guide - Masterclass
Learn How to Write a Synopsis Like a Pro - Writer’s Digest