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"Nós fomos a pé da casa do Matheus para o meu apartamento. Não era muito longe, mas deu para conversar bastante. Descobri que o Matheus tem 19 anos e mora sozinho naquela casa, já que os pais trabalham muito e vivem viajando eles não têm moradia fixa. Os pais querem que ele vá para a faculdade só que ele não sabe qual curso quer fazer e prefere ficar surfando por aí. Um tipico rebelde. Contei para ele que também morava sozinha, em um apartamento que mal me cabia. Só não quis contar o motivo, não gosto de comentar isso com ninguém. Ele ficou meio surpreso, porque sabia que eu não tinha nem 18 anos ainda, mas eu encerrei o assunto. Na porta do prédio, decidi fazer uma pergunta que estava na minha mente desde quando eu vi ele sorrindo e trazendo uma bandeja de café da manhã para mim.
- Olha, só tem uma coisa que eu não entendi ainda, Matheus. - Ele ia falar alguma coisa, só que o interrompi. - Anh, porque você está sendo tão legal comigo? Sério. Eu sou toda errada sabe? Ninguém nunca fez por mim o que você fez. E eu nem te conheço direito. E sei lá, eu não mereço isso tudo.
Eu falei quase que chorando. Mas eu não podia chorar, seria a terceira vez em menos de dois dias e logo na frente do Matheus. Merda. Eu ia parecer muito fraca, vulnerável. E isso não podia acontecer. Caralho, chega de drama Vic. O Matheus por um tempo nada falou. Acho que ele estava tão confuso como eu. Mas aí quando eu fui abrir portão do prédio, ele me segurou e disse sorrindo:
- Para com isso Vic. Eu gostei de você, do seu jeito. Então, tipo, é normal tratar bem quem a gente gosta né? Vai lá trocar de roupa e por um biquíni pra gente ir pra praia. Vou te esperar aqui embaixo.
Fiz o que ele falou. Entrei no meu quarto e procurei um biquíni vermelho que eu tinha comprado mês passado. Pus um short e uma camiseta por cima do biquíni e saí correndo do apartamento. Avistei o Matheus na porta do prédio. E infelizmente, a Alexia também estava com ele.
- Matheus, tô pronta. Vamos. - Falei, ignorando a Alexia.
- Anh, tá Vic... Mas essa garota aí disse que tem que falar com você urgente, então...
- Por favor Vic, vamos conversar. Sério. Você deve ta pensando mil coisas sobre mim, mas eu posso explicar. Me escuta, por favor. - Alexia disse, quase implorando.
- Vamos Matheus.
E então puxei o Matheus, andando depressa. Quanto mais longe eu ficar da Alexia, melhor. Deu pra ver pela expressão do Matheus que ele estava confuso. Mas só quando nós chegamos na beira do mar, ele decidiu falar alguma coisa.
- Essa menina tem a ver com o motivo pelo qual você estava chorando ontem né?
Sentamos na areia, o Sol queimando.
- É, tem. Mas não vou falar disso hoje. Não vale a pena atrapalhar um dia tão bonito. Vamos dar um mergulho. - Tirei minha camiseta e meu short e o Matheus fez o mesmo, ficou só de bermuda.
Fiquei meio paralisada com a visão que tive, sério. O Matheus além de ter um sorriso maravilhoso, ser um tremendo gato, é extremamente gostoso. Fiquei um bom tempo assim e eu acho que ele percebeu porque ele falou, dando gargalhadas ao mesmo tempo:
- Hmm, Vic? Tá tudo bem? Perdeu alguma coisa? - Ao falar isso, ele olhou pra baixo. Insinuando que eu tava assim por causa dele. E infelizmente, era verdade.
- Anh, que? Puff, claro que não Matheus. Tava só pensando em... - As palavras fugiram da minha boca, acho que não consegui disfarçar muito bem e mais uma vez ele percebeu, só que não falou nada demais.
- Uhum, vamos dar um mergulho então. - Ele foi até o mar correndo e gritando. - Aposto que você não me alcança Vic!
E então eu corri. Corri muito pra tentar alcançá-lo. Mas acho que ele decidiu me dar uma chance porque quando eu estava chegando, ele parou de correr tão rápido. Ambos estávamos ofegantes, ele nem tanto na verdade.
- Bom, consegui. - Eu falei, rindo.
- É conseguiu. - Ele falou ironicamente.
Então fomos bem no fundo do mar. A água estava gelada e as ondas violentas. Dei um mergulho bem demorado. Senti os fios de meu cabelo sendo molhados, a água praticamente congelando o meu rosto. Decidi levantar. De primeira não consegui avistar o Matheus, mas quando olhei para trás, ele estava lá. Bem atrás de mim. Merda." Gonna let you down (glyd), por vacanc-y.
"Acho que uma das piores coisas que pode acontecer com uma pessoa é ser traída pela sua melhor amiga. Aquela melhor amiga que você contou todos os seus segredos e medos. Aquela melhor amiga que sabe que você é loucamente apaixonada por um carinha já faz tempo. Aquela melhor amiga que esperou a melhor oportunidade para transar com esse carinha ai.
Quando eu sai do quarto em que a Alexia (vulgo minha melhor amiga) e o Vinícius estavam transando, parecia que meu mundo tinha acabado, sério. Estava em estado de choque, chorando pra caralho e sentindo raiva de tudo e de todos. Até de mim. Estava com raiva por ter confiado na maldita da Alexia. E com raiva por ser tão estupidamente louca com o Vinícius. E principalmente com raiva pelo fato de eu ter parado de beijar o Matheus. Se eu tivesse ficado lá na pista de dança com ele mais um pouco, não teria encontrado o Vinícius e a Alexia juntos. Não teria ficado assim tão destruída como estou agora. Merda. Mas será que seria melhor se eu não soubesse da verdade? Seria melhor continuar com essa farsa? Merda de novo. Isso me fez pensar se o filhos da puta do Vinícius e da Alexia já estavam transando faz mais tempo. Se estavam juntos desde a época em que eu meio que me declarei para ele. E acredite, isso já faz um tempo. Caralho! Esses anos todos e essa puta da Alexia estava me enganando.
Desci as escadas da casa do Guilherme com todos os olhos vidrados em mim. Merda. Odeio quando ficam me encarando. Me deu uma vontade enorme de gritar mas me contive. Quando sai da casa do Guilherme e fui para o jardim, dou de cara com o Matheus. Merda. Essa noite estava toda errada. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ou tentar explicar porque eu fugi, ele disse:
- De novo chorando? É a segunda vez só hoje.
Queria bater na cara dele. Mas deu para ver que ele não estava fazendo gracinha. Ele realmente estava preocupado. Preocupado comigo. Eu tentei falar, mas nada saía da minha boca. Antes que mais lágrimas saíssem dos meus olhos azuis, agora manchados por causa da maquiagem, ele disse:
- Vem comigo, essa festa já deu o que tinha que dar.
Tentei resistir. Mas ele estava certo, então deixei ele me levar. Em outras palavras, segui um desconhecido para um lugar que nem eu sabia onde era. Mas foda-se também. Já estava bêbada. E já tava tudo fudido mesmo. [...]
Não sei como, mas quando acordei estava deitada em uma cama que eu não conhecia. Merda. Mas pelo menos estava de roupa. Quer dizer, não o meu vestido vermelho, mas uma blusa masculina que ficava gigante em mim. Mas tinha um cheiro gostoso. Muito gostoso. Merda mais uma vez. Tinha um relógio no criado mudo. Deu pra ver que eram onze horas da manhã. Me levantei da cama super rápido mas assim que fiz isso, a porta do quarto abriu e o gato do Matheus entrou com uma bandeja cheia de comida. Olhei para ele meio confusa e ele riu. Um sorriso que eu podia ficar olhando o dia inteiro sem me cansar. Sentei na cama, estava com muita fome e não podia recusar aquela bandeja cheia de comida boa. O Matheus sentou do meu lado e falou meio sem graça:
- Olha, eu sei que você deve está pensando mil coisas nesse exato momento e deve estar confusa também. Mas acredite, não aconteceu nada demais ok? - Fiquei meio aliviada. Meio. - Você tava muito mal ontem na festa, ai resolvi te trazer pra cá. - Ele falava enquanto eu comia - Assim que você deitou na cama, dormiu. Ai eu troquei sua roupa. - Ele deu um sorrisinho.
Pera, agora que eu parei pra pensar nisso. Quer dizer que ele aproveitou enquanto eu estava apagada para trocar minha roupa? Que safado. Decidi não comentar nada, aliás, ele me ajudou bastante. Acabei de comer. Notei que ele estava me observando, então decidi falar:
- Agradeço pela sua ajuda, sério. Ninguém nunca me tratou tão bem que nem você. Pode acreditar. - Eu sorri e olhei para ele. - Mas se você acha que eu vou contar o motivo pelo qual eu estava chorando, você está muito enganado. - Ele deu uma gargalhada tão contagiante que me deu vontade de rir também. Só que não fiz isso porque lembranças da cena que eu vivenciei ontem a noite invadiu minha mente.
- Anh, já esperava isso de você, mas se um dia quiser me contar, estarei disposto a te escutar.
E assim, se fez silêncio. Decidi trocar de roupa pra ir embora. Troquei ali mesmo, na frente dele. Até porque ele já tinha me visto de calcinha e sutiã quando foi trocar minha roupa, então não era nada novo para ele. Peguei minha bolsa e meu sapato e fui para a entrada da casa. O Matheus logo atrás de mim.
- Bom, então acho que já está na hora de ir. Ocupei muito o seu tempo, você deve ter algo melhor pra fazer num sábado ensolarado né? - Falei, rindo um pouco.
- Anh, na verdade não. Quer dar uma volta pela praia? Te levo em casa pra trocar de roupa, de lá nós vamos.
Merda. Juro que eu tentei resistir. Mas não tinha nada melhor para fazer. E quando eu estava com o Matheus, parecia que todos os pensamentos ruins iam embora. Gonna let you down (glyd), por vacanc-y."
“Como eu não queria que a tal garota desconfiasse do tamanho da minha surpresa ao vê-la, tentei me controlar. O que era meio que impossível no momento. A tal menina me encarou e perguntou de novo:
- Você quer alguma coisa? - Lógico que eu quero, idiota. Quero dar um tapa nessa sua cara bonitinha.
- Anh, qual teu nome? - Perguntei apenas.
- Giovanna, por que?
- Nada. O Vinícius está?
- Está. Mas pode falar para mim o que você quer, já que sou a namorada dele. - Ela fez questão de ressaltar esse "namorada dele". E que merda. Que vontade de matar aqueles dois. Merda. Me deu uma vontade danada de dizer: "Então vai tomar no meio do teu cu, besta". Acho que minha cara ficou meio vermelha, mas para não parecer suspeito, fingi que aquilo não me era estranho.
- Anh, então, Giovanna... Acontece que o Vinícius está com o meu celular e eu o queria de volta. Tem como você pedir para ele vir falar comigo, por favor? - Antes que eu quebre sua cara, pensei.
- Se ele quiser falar com você, né? O que eu acho muito difícil. Mas tudo bem, vou chamá-lo.
Merda. Aquela menina já estava me tirando do sério. Ouvi um grito baixo e delicado vindo do quarto: "Vine, tem uma garota ali fora dizendo que você está com o celular dela. Ela quer falar com você." Não consegui escutar mais nada depois disso, as falas foram abafadas por uma barulheira do caralho. Ele deve estar vestindo a bermuda vermelha que fica na porta do quarto, para emergências. E deve estar escovando os dentes também. E arrumando a cama, para tentar parecer que não rolou nada entre os dois. Idiota. Eu já conheço sua rotina de completa. Enquanto estava absorta em meus pensamentos, a porta abre. E lá estava ele, Vinícius Rouch. Ele nunca gostou do sobrenome, diz que é velho demais. Estava com aquele sorriso lindo branco e brilhante de sempre. E com a bermuda vermelha também.
- Vic! Que foi? Quer repetir a dose hoje a noite? Gostou né? Mas acho melhor deixar para a próxima. Hoje tenho compromissos. Conheceu a Gi? É uma gracinha né?
- Cala a boca, idiota. Sim, eu conheci sua namorada. E não eu não gostei porra nenhuma e nem vim para aqui para isso. - Como ele pode ser tão cara de pau? E tão besta e tão... Esquece. - Eu vim buscar meu celular. Só isso.
- Ah, isso. Tá aqui. - Ele pegou o celular no bolso da bermuda e me entregou. - Na próxima, vê se não esquece, lindinha.
- Não haverá próxima, Vinícius - Infelizmente, admito. - Nunca mais. - Falei na maior frieza, me virei e saí andando. Como se tudo estivesse bem. Mas não estava.
Quando já estava há alguns metros de distância, lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. Merda. Como ele pôde fazer isso comigo? Ah é, esqueci. Ele não se importa. Eu tenho que parar com isso. Parar de ser tão vulnerável quando se trata dele. Assim que eu virei a esquina, um garoto, se esbarrou em mim. Merda. De tudo, era o que eu menos precisava.
- Desculpa, não te vi. - Ele disse, sem nem olhar para os meus olhos. Ainda bem.
- É, tá precisando de óculos né? - Acho que ele pensou que era uma piada. Ele riu. E foi aí que eu reparei naquele sorriso. Por pouco superou até o sorriso do Vinícius. O garoto tinha o segundo sorriso mais bonito que eu já tenha visto. E a pele bronzeada. E malhada. Parecido com o Guilherme, só que com os olhos claros. Deve ser o maior pegador.
- Anh, é. Acho que sim. - Ele me olhou, e a pergunta inevitável saiu de seus lábios. - Você está chorando, garota? O que aconteceu?
Ótimo. Era realmente o que eu precisava. Contar o fracasso da minha vida amorosa para um desconhecido.
- Nada. Esquece. Eu tenho que ir agora. - Eu falei para evitar perguntas desagradáveis, mas ele me segurou e insistiu.
- Ei, pode confiar em mim. Me conta o motivo dessas suas lágrimas. - Legal, ele é do tipo galinha romântico. Era o que me faltava. Mais um galinha em minha vida.
- Eu preciso ir agora. Sério, me solta. - Falei meio séria e saí andando. Mas ele ainda disse:
- Meu nome é Matheus. Nós nos encontramos por aí.
Alguma coisa me dizia que sim, mas eu não queria que fosse verdade. Matheus. É, eu não ia conseguir esquecer esse nome tão fácil assim.
Deu oito horas e eu fui para a casa da Carol. No caminho encontrei a Let e a Lexi. Chegando lá, nos arrumamos. Demoramos mais ou menos duas horas. Um pouco mais, na verdade. Mulheres. No final, estávamos realmente lindas A Carol com um vestido rosa escuro curto e colado, com uns babados em baixo. A Let com um vestido roxo, do mesmo jeito do da Carol só que sem babados. A Lexi com um vestido tomara-que-caía azul turquesa, curto e colado também. E eu com um vestido vermelho, com um decote não tão grande e com as costas à mostra. Era curto e colado também. Deram exatas onze horas e fomos para a festa. Estava um arraso. Bastante gente e bastante bebida. Tudo o que eu mais queria. Nos dividimos. A verdade é que nunca ficamos juntas numa festa. Sempre nos separamos para conhecer novas pessoas e essas coisas. Peguei uma bebida. Duas, três... O Guilherme veio me receber. Estava com uma bermuda branca e uma camisa azul. Lindo. Como sempre.
- Vic, você veio! Nossa você está muito gata. Gostando da festa? - Ele falou na maior empolgação. Já estava bêbado, eu acho.
- É, tá ótima.
O deixei ali, tinha mais coisa para fazer. Mais gente para conhecer. E mais bebidas para tomar. De longe avistei a Carol com um garoto. Ela não deixar escapar nenhum. Peguei mais uma, duas, três, quatro bebidas. Já estava ficando meio alteradinha, mas a festa estava boa pra caralho. De repente, sinto alguém me abraçando por trás.
- Quem é o filho da puta que... - Me virei e antes de terminar a frase vi que era o Vinícius. Merda. Quem ele acha que é para fazer isso? Merda de novo.
- Tá gostosa pra caralho, hein Vic?
- Me solta Vinícius.
Ele insistiu. Tentou me beijar, mas eu não ia deixar isso acontecer. Não tão cedo e contra a minha vontade.
- Me solta idiota! - Falei mais alto. E com um pouco mais de insistência, ele me soltou.
- Você vai se arrepender depois.
- Vai se fuder, cara. - Foi a última coisa que disse antes de ir para a mesa das bebidas. Nunca conheci um cara tão estúpido. Se acha o gostoso. Quer dizer, ele é gostoso. Mas não tem que ficar mostrando isso pra todo mundo, porra.
A mesa de bebidas era bastante variada. Tinha cerveja comum e preta, tequila, vodka, caipirinha, vinho, whisky, conhaque, batida, cachaça e tantas outras. Decidi pegar uma tequila. Depois disso, fui andar um pouco. Vi a Lexi subindo para o quarto com um garoto alto e a Letícia na pista de dança com um grupo de garotas. Decidi ir para a varanda refrescar um pouco, estava fazendo muito calor. No caminho, trombei com um cara. Mais uma vez. Mas acho que dessa vez a culpa foi minha, eu já estava meio alterada.
- Desculpa, não foi por mal. - Falei meio que embolando as palavras.
- Não, tudo bem. - Aquela voz era familiar, mas não me lembrava de quem era. - Ei, espera, eu acho que te conheço. - No exato momento que ele me olhou, eu olhei para ele. Nossos olhares se encontraram. Que situação mais constrangedora. - Você é a garota que estava chorando hoje mais cedo. - Muito obrigada por me lembrar.
- Não, você deve estar me confundindo. - Tentei disfarçar.
- Eu nunca confundiria esses olhos azuis penetrantes. - Ele disse, sorrindo. Ah, aquele sorriso...
Agora que fudeu tudo. Eu sabia quem ele era. Merda. Era o menino do sorriso. Matheus, se eu não me engano.
- Eu te falei meu nome e você não me falou o seu.
- É, eu sei disso.
- Então, qual o teu nome?
- Victória. Mas pode me chamar de Vic.
- Quer dançar um pouco?
- Pode ser, mas eu não danço bem. - Aceitei a proposta, já estava tudo na merda mesmo. Nada de pior poderia acontecer, eu acho.
Fomo para a pista de dança, que estava lotada. Ficamos bem no meio. Estava tocando eletrônica. Dançamos quase que colados um no outro. Era estranho, mas era bom. Ele me pegou pelas costas, deu para sentir que estava quente. Se aproximou. Nossos lábios quase que se encostando. Já dava para sentir sua respiração, que era ofegante. Seu nariz se encostou na ponta do meu. E o que era totalmente provável, aconteceu. Nos beijamos. Merda. Mas era um beijo gostoso. Envolvente, intenso. Era bom. Muito bom, na verdade. Era boa a sensação da barba mal feita dele nas minhas bochechas macias. Era boa a sensação de sorrir por dentro ao ver a satisfação dele em seu sorriso. Era a boa sensação de sentir o calor de sua pele. Era boa a sensação dos seus lábios nos meus. Era boa a sensação de estar ali, com ele. Gonna let you down (glyd), por vacanc-y.”
“Estava sentindo a brisa do mar. E aquele cheiro salgado também. Com uma louca vontade de dar um mergulho. Não estava em um dos meus melhores dias. Olhei meu relógio. Eram exatas oito da manhã e estava fazendo um calor do caramba. Merda. Tem aula hoje. Estava morta de sono. Fiquei a noite toda acordada olhando pro céu e zoando com a galera. Aquele luau foi realmente muito bom, bebida e comida pra caralho. [...] Ah, é. Ainda não me apresentei. Prazer, Victoria. Mas pode me chamar de Vic. Moro num apartamento minúsculo que nem me cabe direito, a única coisa boa dele é que tem uma vista linda. Amo escutar música. Tenho uma coleção enorme de cd's. E três melhores amigas. Você pode tirar tudo o que eu tenho, menos elas. A Carol eu conheci no jardim de infância, tínhamos uns 5 anos. Sempre impliquei com ela, e ela o mesmo. Mas aí não sei como nem porque, viramos melhores amigas. Ela é doida. Fala palavrão pra caralho. Sempre quando surge alguma oportunidade, bebe. E está sempre arranjando festas pra gente ir. A Letícia eu conheci numa festa há alguns anos atrás. É sentimental pra porra e toda certinha. Tá amando um guri faz tempo, só não percebe que ele não quer nada com ela. E por fim, mas não menos importante, a Alexia. Ou só Lexi. Cara, essa garota... É a garota. Conheci faz uns dois anos. É super calada. Não se importa com nada nem com ninguém. Ama bebida. Mas só faz merda quando se envolve com a mesma. Namora um menino chamado Kaique, que, aliás, é super gente boa. Mas tem uns pares de galhos na cabeça. Mora com os pais, perto do meu apartamento e por isso, sempre acaba passando a noite do outro lado da minha cama. Fazemos quase tudo juntas. Vamos pro colégio e... Porra! Esqueci, tem aula daqui uns dez minutos. Mais uma vez, atrasada. Ainda bem que o apartamento não fica muito longe daqui. Corri um pouco e cheguei. Tomei um banho super rápido e depois de uns cinco minutos estava pronta. O colégio fica há uns três quarteirões do meu apartamento, mas dá pra ir a pé. Entrei na sala e o maldito professor Marcelo já estava lá. Me olhou com uma cara de bosta, mas ignorei. Tinha um lugar vazio lá no fundo, que é onde eu gosto de sentar. A Letícia assim que me viu disse, baixinho:
- Onde é que você estava, Vic? Não consegui falar contigo. Teu celular tá desligado?
Merda. Sermão logo de manhã. Mas pelo menos me lembrou de uma coisa: meu celular não está comigo. Merda de novo. Esqueci na casa dele. Logo dele.
- Tava na Praia das Conchas, Let. Fica tranqs. E eu esqueci meu celular na casa do Vinícius.
- O que você estava fazendo na casa dele? - Ela perguntou, curiosa.
No exato momento que eu ia responder, a Carol grita, lá da porta:
- Ô Victoria, vem cá porra!
O professor deu um sermão do caralho. Só faltou ela ser expulsa. E a Let fez uma cara de espanto. Mas uma coisa eu tinha certeza, era sério. Ela nunca me chamava de Victoria. Saí apressadamente da sala e fui até onde ela estava.
- Aconteceu alguma coisa? - Perguntei, antes mesmo de cumprimentá-la.
- Oi pra você também, sua mal educada. - Ela riu.
- Oi. - Respondi rindo também.
- Então, eu tenho uma coisa importante pra te falar. Tua mãe tá aqui.
Meu mundo parou por um momento. Minha mãe, que foi embora há anos, voltou. Não. Não podia ser verdade. Não pode ser verdade. Isso não está acontecendo.
- Como assim aqui? Como você sabe? E se isso for uma brincadeirinha, pode parar que já perdeu a graça.
- Calma Vic. Não é uma brincadeira. Nossa você tá muito séria. Então, a dona Renata nesse momento deve estar na sala do Paulo.
- Na sala do Paulo? Nosso diretor? Ai meu Deus, fudeu tudo Carol. Mas você ainda não me respondeu uma coisa: como você sabe?
- Tua mãe me ligou porque não estava conseguindo falar com você pelo celular, Vic. Aí me contou tudo e eu acabei de vê-la. Mas onde está seu celular?
- Na casa do Vine. Longa história, nem pergunte.
- Longa história que depois que resolvermos o problema da sua mãe, você irá me contar.
Decidimos voltar para sala, caso contrário o professor nos mandaria para a sala do Paulo. E com minha mãe lá, é o último lugar que eu queria ir no momento. Sentei no meu lugar e a Carol do meu lado. A Letícia, que estava na minha frente, me mandou um bilhetinho escrito:
"Aconteceu alguma coisa, amiga?"
A Let sempre sabe quando alguma coisa está errada. Incrível. Não dava pra contar tudo num bilhetinho então apenas escrevi:
"Depois da aula te conto. Mas resumindo: minha mãe tá aqui."
Para o meu alívio, a Letícia não fez nenhum interrogatório por meio de bilhetinhos. Tocou o sinal. Até que enfim o intervalo. Não agüentava mais.
Só encontrei com a Lexi no intervalo, ela tinha acabado de chegar. Sempre atrasava também. Contei tudo para as meninas, que se assustaram tanto quanto eu quando eu recebi a notícia. A Lexi apenas disse:
- Bom, o pior que ela pode fazer é ir morar com você.
Não queria admitir, mas a Alexia tinha razão. Acho que ela não pode fazer mais nada. Mês que vem já faço 18 anos mesmo. Mas não sei porque a situação parecia bem mais dramática.
- É, eu acho.
Depois disso um longo silêncio dominou o lugar. Até que a Carol disse, animada:
- Tem uma festa lá na casa do Guilherme, da outra sala, hoje. Dizem que vai ser boa. Bebida à vontade. Tão afim?
- Claro. - Eu, a Lexi e a Leti respondemos em uníssono. Todas nós queríamos extravasar.
- Então nós nos encontramos ás oito lá em casa para nos arrumarmos. E Vic, não esquece de pegar teu celular na casa do Vinícius ok?
- Merda. Eu ainda tenho que ir na casa dele hoje. - O que era para ser um pensamento, saiu em voz alta.
- Como se você não gostasse de ir lá. - A Lexi falou, gargalhando.
- Ah cala a boca. - Respondi rindo também.
De longe, avistei o Guilherme. Ou como a maioria das garotas o chama, Gui. Um garoto moreno e sarado. Olhos castanhos claros e cabelo espetado. Um galinha. O sonho da maioria das meninas desse colégio. A Lexi já deu umas pegadas nele e disse que nem é tanta coisa assim. Faz uns 5 anos que nos conhecemos. Ele sempre foi da minha sala, mas esse ano não. Já fomos bastantes amigos. Daqueles de um passar a noite na casa do outro e fazer babaquices quando estão juntos. Só que aí ele começou a namorar uma tal de Gabriela, que era muito ciumenta e meio que o proibiu de ir me ver. Resultado, fim da amizade. Uma pena porque três meses depois, a Gabriela terminou com ele. Então o Guilherme veio me procurar e pedir desculpas. Digamos que eu bati a porta da minha casa na cara dele. Desde então, não nos falamos direito.
- Anh, Lexi? Por que você chegou só agora no colégio? - A Letícia perguntou justamente o que eu e a Carol gostaríamos de saber.
- Ah, longa história. - Ela respondeu simplesmente.
A Alexia sempre foi misteriosa. Não divide muitas informações da vida dela com quase ninguém. Mas ela teria que me contar essa história depois. Logo quando a Let abriu a boca para fazer mais uma pergunta, o sinal do intervalo tocou. Salva pelo gongo, Lexi.
Fomos para a sala com uma desanimação do caralho. Era sexta-feira. Todo mundo querendo ir embora para curtir o final de semana. À noite tem a festa do Guilherme, quase todo mundo do terceiro ia. Ainda temos três aulas para assistir, sendo que duas dela é com o Marcelo, nosso professor de matemática e física. Merda. Eu tenho que arranjar um jeito de não assistir essas aulas. O professor chegou na sala e logo eu fui falar com ele. Quando me viu, logo disse:
- O que a senhorita quer, Victoria?
- Então, Caio – O Caio é o nosso professor de história. Apesar da matéria não ser uma das minhas prediletas, eu gosto dele. É um cara novo, bonito e legal. – Eu preciso ir urgente na enfermaria. To com uma cólica que está me matando.
Não gostava de mentir pro Caio, mas era preciso. Eu não queria de jeito nenhum assistir as aulas do Marcelo. Com um pouco mais de insistência, ele deixou. Saí da sala sorridente. Fui pro pátio do colégio e sentei em um dos muitos bancos vazios. E para a minha surpresa e infelicidade, o Guilherme aparece. Não que eu ainda odeie ele, mas eu realmente queria ficar sozinha. Ele senta do meu lado.
- O que uma garota tão linda faz aqui sozinha? – Ele perguntou com um sorrisinho torto.
- Nada. – Respondi secamente. Mas era verdade. Eu realmente não estava fazendo porra nenhuma.
- Anh, matando aula de novo, Vic?
- Te pergunto o mesmo, Guilherme. – Respondi num tom irônico.
Silêncio. Logicamente ele não ia responder. E nem eu ia puxar assunto.
- Vai à festa lá em casa hoje? – Ele disse, como se não quer nada.
- Nem sei. Tenho outros compromissos hoje. – Menti, obviamente. É lógico que eu não tinha outros compromissos e que eu ia à festa. Mas se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é que mulher não pode ser fácil.
- Aparece lá, vai ser legal. – Ele insistiu.
- Ok, vou pensar na sua proposta.
E o tempo passou. E eu e o Guilherme ficamos lá no banco, conversando. E rindo. Estava com saudade da nossa antiga amizade. Me fazia uma bem danado. O último sinal tocou. Fui pra casa do Vinícius. Nem me despedi das meninas. Mas ia ser rápido. Eu só ia buscar meu celular e pronto. Mais nada.
Chegando lá, fiquei um tempo parada em frente á porta. Com medo de sei lá o que. Merda. Toquei a companhia. Ouvi passos. E de repente, a porta abre. Para o meu espanto, uma garota loira, alta, linda, que estava com uma mini toalha cobrindo o corpo, abre a porta e diz:
- Pois não?
Merda. Sabia que isso aconteceria.” Gonna let you down (glyd), por vacanc-y.