nada contempla o ego do outro à saudade daquilo que não volta mais, nem você, nem eu. pensei que isto que escrevo por tantos anos e tantos meses perdeu-se o sentido. pensei, então, que parecia até você, nenhuma sílaba, só o silêncio e minhas palavras. e, pouco a pouco, desapareceu de mim a única coisa que eu sentia: tua presença. tão pouco escrevo, contudo, para o fantasma que eu mesmo criei. que faço-me assombrar, que não sai o nome, que não sei mais nada além de tudo o que essas palavras criaram. quando lanço isso tudo ao mundo, de que todos que leem sentem, menos você. não você. eu não te chamo mais, nem nisso, nem do outro lado. agora sim percebo, tão claro quanto os dias, que recriei as manhãs para te ver voltar, que, se não existes mais, e que tudo morreu, então talvez a morte seja o batismo daquilo que eu não conseguia sentenciar. enfim, o teu fim de tudo o que nunca quis dar adeus.