Texto feito por Sol de Dorne
Em sua obra, George traz traços de uma crítica para a sociedade. Porém, passam-se despercebidos pelos olhares de alguns espectadores. Em especial, após a série reduzir o livro a uma “fantasia em que todo mundo morre, tem um anão foda, um bastardo mais foda e estão lutando pelo trono de ferro. Torço para que Ciclano reine porque é perfeito!”.
Os pretendentes ao trono sempre se mostraram defeituosos. Embora possuíssem qualidades, tinham circunstâncias que os impediam de serem melhores, e é o que realmente acontece. Na História, nunca vimos um governante que fosse livre de péssimas e duvidosas decisões, seja pela personalidade ou pelas atitudes.
Robert Baratheon teve um reinado calmo. No entanto, não realizava os deveres de um rei e deixava as responsabilidades para os seus conselheiros, enquanto aproveitava das glórias de ser um monarca. A Coroa chegou a dever muito para os Lannister. Além de ter corrupção por baixo dos panos, com Mindinho. Contando, também, com as conspirações de Varys.
Robb Stark era um bom general de guerra, mas era apenas uma criança de catorze anos reinado. Não tinha sido preparado totalmente, ainda, pelo pai para que soubesse como se comportar. Mesmo que tivesse dado tempo de Eddard concluir as suas etapas com o filho, não estava pronto para que tomasse conta de dois reinos (Terras Fluviais e Norte). Só na cultura, os dois se diferenciam. Faltou comunicação entre ele e o tio, destacando um dos erros.
Renly Baratheon tinha popularidade. Possuía uma forte aliança com os Tyrell. Entretanto, a sua vontade para com o trono era apenas por vaidade. Não se importava com o povo, que inclusive passou fome pelas fechadas de estradas que ordenou durante a guerra.
Petyr Baelish é outra crítica ao sistema. Igual às farsas de Gil Vicente, onde o pobre desejava ser nobre, mesmo com toda a decadência e sujeira que existia no meio. Mas por quê? Porque vê aquilo de modo idealizado, como algo melhor e superior à situação em que se encontra. Desse modo, também podemos tirar outra conclusão: a sujeira da nobreza. Petyr era rejeitado apenas por ser filho de um senhor nem um pouco importante, sendo gozado na infância e rejeitado quando adolescente. Tal rejeição cresceu em si uma enorme vontade de participar e ser como alguém dessa sociedade. O oprimindo querendo se tornar dominante como o opressor.
O mesmo se conclui dos bastardos, que são muito maltratados e ignorados pelo resto de Westeros, exceto Dorne. Que crime as crianças cometerem, a não ser terem nascido de um pai promíscuo? Possuem nenhuma culpa pelas atitudes dos genitores. São jugados por conta de erros passados, até daqueles que apresentam nenhuma ameaça. São mortos pelos nobres sem causarem grande escândalo, como quando Cersei matou os filhos ilegítimos do rei. Ou seja: não importa para ninguém se vivem ou morrem.
Vemos nessas situações realidades semelhantes as da atual.
Arya Stark é uma das poucas nobres que realmente se preocupa com os pobres. Catelyn e Sansa tinham uma relação distante com os mais humildes. Catelyn possuía um olhar julgador sobre os demais afora de seu núcleo, com certo receio de bastardos. Sansa igualmente. Porém, não é porque elas eram más e as vilãs do filme, mas pelo motivo de terem nascido e sido criadas em um meio que exigia essa diferença de tratamento por classes.
O desprezo com os Outros também é um importante traço. O ser humano, mesmo na literatura, não se importa e ignora a natureza. Ignora que está a matando aos poucos. Fecha os olhos para os perigos que podem acontecer. A todo o momento, as pessoas se importam apenas com o que veem, com o material, e menos com o que está ao redor."